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Eric Clapton
 Na metade da década de 60 as pessoas o chamavam de Deus nos muros da Inglaterra, mas nas páginas de sua própria autobiografia, Eric Clapton se descreve como uma pessoa simples, que nasceu no interior da Inglaterra e que só viu a possibilidade de mudar seu destino no momento em que se apaixonou pelo blues de Buddy Guy, Freddie King, B.B. King e Robert Johnson e decidiu aprender a tocar guitarra. Página após página, Clapton surpreende ao falar abertamente não só de sua origem humilde e de seus ídolos, mas também ao tocar em assuntos difíceis, como sua conturbada relação com a mãe, seu relacionamento com Pattie Boyd, o uso abusivo de drogas e o alcoolismo que quase o levou a morte, a perda de seu filho Conor, sua a chegada ao fundo do poço e a incessante busca por redenção. Clapton também conta como foi a formação de bandas como The Yardbirds, John Mayall & The Bluesbreakers, Cream, Blind Faith, Derek And the Dominos e esclarece o porque de cada uma delas ter terminado e entre a formação de uma banda e o término de outra, ainda sobra tempo para mais um trago e saborosos detalhes sobre o início de sua carreira solo, sobre jam sessions com Jimi Hendrix, George Harrison, Pete Towsend e John Lennon e sobre a inspiração para suas músicas mais conhecidas. Com essa autobiografia, Clapton rejeita todos os rótulos e se despe da vaidade para fazer um auto-retrato sincero, apaixonante e em certos momentos até mesmo emocionante da vida de um cara que se entregou ao vício e acabou se perdendo em meio aos excessos, mas que mesmo assim, ainda teve forças para dar a volta por cima e renascer através de sua música e de seu amor pela vida. Obrigatório! Marcadores: Literatura, Música
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Bob Dylan CHRONICLES: Vol. One
 Lançado em 2004 Bob Dylan CHRONICLES: Vol. One é apenas o primeiro livro de uma série auto-biográfica na qual o senhor Robert Allen Zimmerman pretende contar histórias de períodos diferentes e significantes dentro da sua vida e carreira. Aqui ele mais uma vez deixa sua marca registrada ao confundir os ávidos leitores dedicando quase todo o livro aos anos que precederam sua chegada em Nova York e a gravação de seu primeiro álbum, praticamente esquecendo o meio dos anos 60 e fazendo poucas menções ao período em que ele teve seu auge criativo e comercial.
Aqueles que procuram por alguma revelação bombástica ou esclarecimentos sobre um ou outro fato mais importante podem até vir a se decepcionar com detalhes sobre um período em que ele viveu praticamente como um dono de casa recluso, sobre suas influências, sobre o modo como desenvolveu seu estilo ou até mesmo sobre os bastidores da gravação de dois álbuns menos conhecidos dentro de sua prolífica carreira (New Morning e Oh Mercy) , mas a verdade é que a clareza com que Dylan descreve cada acontecimento juntamente com o detalhismo de seu texto, não deixam a peteca cair e acabam transformando o livro em um painel rico, preciso e apaixonante.
Creio que CHRONICLES: Vol. One deve ser visto e entendido apenas como a primeira peça de um enorme quebra-cabeça que depois de montado certamente nos ajudará a tentar entender pelo menos um pouquinho mais desse que é um dos artistas mais importantes de nossos tempos. Portanto, acho que agora só nos resta esperar e torcer para que venha logo o Vol. Two.
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O Brasil do brasileiro
Escritor, cronista, jornalista, dramaturgo. Nelson Rodrigues foi tudo isso e mais um pouco. Grande observador e contador de “causos”, ele ficou conhecido como o maior cronista da literatura nacional, por revelar um Brasil que até então não tinha sido desvendado. Hábil em transforma fatos do cotidiano em estórias surpreendentes, até certo ponto surreais, Nelson Rodrigues elevou a crônica — tipo de texto recusado por muitos escritores, que afirmam não ser ela um gênero literário, devido a sua simplicidade de linguagem — há um patamar tão alto, que muita gente a trata como um gênero brasileiro.
Muito antes da crônica começar a ser ensaiada no Brasil, na Inglaterra e em outros países da Europa ela já era praticada. No entanto, nestes mesmos lugares hoje em dia ela está em declínio, não sendo um gênero forte como é aqui em nosso país. E muito dessa força se deve a Rodrigues.
Bem, a cidade do Rio de Janeiro foi o grande cenário do escritor, que tinha predileções por temas como fidelidade e traição, amores impossíveis, moralidade das famílias, mestiçagem e assuntos corriqueiros do povo urbano. Seus textos são impiedosos, perigosos, e não há inocente que saia ileso após lê-los. Nelson Rodrigues descortinou a vida íntima, o coração, as verdades da alma brasileira, devolvendo em palavras tudo aquilo que todos sabiam acontecer, mas que ninguém falava.
Foi um dos primeiros a escrever sobre homossexualidade, sobre pedofilia e assuntos indigestos para a época. Atacou muitos colegas de profissão através de seus textos. Colocou a figura da mulher em situações constrangedoras, desmistificando o casamento como algo sagrado, eterno e feliz.
Nelson Rodrigues foi polêmico e esteve à frente de seu tempo. Nas décadas de 50, 60 e 70 a imprensa escrita tinha influência e peso muito maior do que nos dias de hoje, o que dava maior poder de impacto aos textos de Nelson. Talvez por esse motivo, e alguns outros, não surja mais um cronista talentoso como ele.
Este ano A FLIP (Festa Literária de Parati) homenageou o escritor, que teve sua obra relançada. Um de seus principais livros, A Vida Como Ela É, que reúne algumas das principais crônicas publicadas em jornais como Última Hora e Diário da Noite, ganhou uma edição de “luxo”, feita pela editora Agir. No livro, contos famosos como Dama da Lotação e Cemitério de Bonecas podem ser conferidos.
Ler Nelson Rodrigues é ver a vida em seu estado cru. É aventurar-se no trivial, no corriqueiro, na rotina, nas manchetes dos jornais, na alma do brasileiro. É uma literatura sincera, chocante e reveladora, mas que diz o que sempre vivenciamos só que dê um jeito único, artístico.
Vale ressaltar que ele também se destacou na dramaturgia, principalmente com a peça Vestido de Noiva, na qual duas mulheres mortas travam um diálogo sobre relacionamentos, vida e morte.
Gostem ou não, Nelson Rodrigues faz parte do hall dos grandes escritores nacionais. O eterno cafajeste, como foi apelidado, gostava de polêmicas, soltando o verbo com frases do tipo: “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente”; ou “outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.”
Se a crônica é um gênero menor do que o romance ou a poesia eu não sei dizer, mas que o talento literário de Nelson Rodrigues está acima de qualquer suspeita, isso sim não há dúvidas. Afinal, somente ele souber dizer realmente como a vida é.
Leia: A Vida Como Ela É: Reunião dos principais contos publicados nas décadas de 50 e 60. O Homem Proibido: romance escrito por Suzana Flag, pseudônimo criado pelo autor, que conta uma estória de amor envolvendo duas jovens que possuem uma relação de mãe e filha e acabam se apaixonando pelo mesmo homem. Marcadores: Literatura
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O Bom do Ócio
 O Sociólogo italiano Domenico de Masi, em entrevista ao Programa Roda Viva (99), da TV Cultura, explicou e exemplificou os temas abordados em seu livro o Ócio Criativo. Em suma, o livro trata sobre as relações de trabalho, instauradas pós-revolução industrial e todo o quadro soturno de degradação e exploração, física e intelectual, do trabalhador, apontado possíveis soluções para uma melhoria deste cenário.
Segundo o autor, o modo organizacional das empresas, que fazem com que o trabalho seja uma obrigação — idéia comum na grande maioria das empresas em todo o mundo — está em desacordo com as tendências atuais. Para ele, o tempo livre, o estudo e o trabalho precisam ser uma unidade só, fazendo com que o indivíduo trabalhe, estude, aprenda e se divirta ao mesmo tempo. Trabalhar em casa, reduzir a jornada de trabalho para se dedicar a outras tarefas e concentrar os esforços em produção intelectual são pontos importantes para quem quer vencer nos dias atuais.
De Masi começa explicando as alterações nas relações de trabalho após a Revolução Industrial. Antes, as pessoas trabalhavam em suas casas (no campo, por exemplo), dividindo o trabalho, tarefas domésticas e diversão. Com o advento das fábricas e indústrias, o trabalhador foi afastado de seu lar e “obrigado” a trabalhar na maior parte do tempo. Com isso, o tempo livre, dedicado aos estudos e ao lazer, reduziu-se drasticamente, já que, além da longa jornada de trabalho, o cansaço físico gerado pelas tarefas extenuantes, contribui para o desânimo do trabalhador.
O mundo Ocidental, capitalista, impôs que o trabalho é a principal atividade humana. Feito isso, criaram-se pessoas viciadas em trabalho (workaholic), que dedicam a maior parte de sua vida à labuta. Os trabalhadores, comandos por esse tipo de pessoas, são obrigados a trabalhar em cargas horárias na maioria das vezes desnecessárias. E é neste ponto que De Masi faz sua principal crítica. Para ele a jornada de trabalho poderia ser muito menor, tendo ainda assim o mesmo resultado do que se permanecesse como é. E este tempo extra, poderia ser dedicado ao pensamento, aos estudos, à reflexão, à diversão e tantas outras atividades que contribuem para o crescimento cultural dos seres e para a coleta de informações aplicáveis ao trabalho.
Ele prossegue dizendo que o trabalho intelectual é o futuro do mundo. Com tanta tecnologia, com tanto maquinário, o trabalho braçal tende a diminuir, gerando então uma demanda de trabalho “cerebral”. As artes, as ciências e as atividades teóricas são os campos a serem explorados. Sendo assim, será possível trabalhar em casa, se divertir enquanto se trabalha, ter mais tempo para si e se desgastar menos, o que geraria mais felicidade.
Porém essas mudanças são difíceis, já que o tempo livre, o ócio, é visto como algo para quem não gosta de trabalhar, para vagabundos. Ócio, no ponto de vista de Domenico, é o tempo dedicado aos estudos ao descanso e aprendizado mental, e não ao banditismo, a vagabundagem e a baderna.
Os burocratas são uma das principais classes que não compartilham com as idéias de De Masi, como o mesmo afirma na entrevista. Este grupo, tão conservador, possui ainda a mentalidade da Época industrial. Rotina, tarefas fixas, ação ao invés do pensamento, carga horária fixa e estipulada de modo cronométrico, é o que defende o tecnocrata, que não se preocupa com o bem estar e humano dos trabalhadores. A este importa o PIB (Produto Interno Bruto) e não o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Esse tipo de pensamento só sugere que as desigualdades sociais prevaleçam.
Apesar desse quadro preocupante, Domenico de Masi se mostra confiante. Especialmente com relação ao Brasil. Durante a entrevista ele lembra (coisa que poucos brasileiros sabem ou fingem não saber) que o Brasil tem uma cultura artística riquíssima, estudiosos de ponta, e que só faltam investimentos em pesquisa científica.
Ele ressalta também que os países ricos vivem hoje do trabalho mental, ao contrário dos países pobres. O Brasil situa-se em campo intermediário (nação emergente).
Por fim, Domenico de Masi explica que a cooperação de quem ostenta a informação, fonte de poder, é essencial para a construção de uma sociedade melhor. Ele exemplifica falando sobre a cidade Fortaleza, que se, cada universitário de lá ensinasse cinco, dez crianças analfabetas ou semi-analfabetas a ler e a escrever, a falta de educação poderia ser extinta.
Domenico de Masi nos fornece uma teoria agradável, coerente, que prima pela qualidade de vida dos indivíduos. Pena é que a grande parcela corporativa não dá atenção a isso. O mundo é um campo de fértil de aprendizado e prazer, mas tornou-se um campo estéril de trabalho forçado.
Leia: O Ócio Criativo, Domenico de Masi Veja: Roda Viva, com Domenico de Masi. O DVD está a venda no site da TV Cultura. Marcadores: Literatura
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A Espetacular Sociedade do Espetáculo
 Em 1967, na sempre efervescente Paris, um cara que se definia como um “doutor em nada” lançou um dos mais polêmicos e aterrorizantes livros do século passado: A Sociedade do Espetáculo (La Société du spectacle).
Guy Debord, o tal do doutor em nada, foi o responsável por uma densa teoria que critica, entre outras coisas, o “espetáculo” propiciado pelos meios de produção modernos, a economia, a política e principalmente pelos meios de comunicação em massa.
Como agitador social e líder do Movimento Internacional Situacionista, fundado na Itália, e que ganhou maior visibilidade em maio de 1968, ano da grande greve, foi um grande observador da sociedade como um todo, tratando de temas que vão desde as relações de trabalho até a produção cultural da época.
Foi um grande contestador, entusiasta revolucionário, que com sagacidade produziu uma obra devastadora. Sociedade do Espetáculo é um livro marco. Quem resolve encara-lo necessita de bastante paciência, uma vez que a tese é de difícil digestão e por que é, de fato, um assunto incômodo.
Debord traça com doses surreais o mundo em que vivemos (a afirmação é válida, apesar da “idade” do livro, já que a sociedade de consumo se intensificou daquele tempo para cá) e toda a farsa, que segundo ele, aliena, manipula e desumaniza os seres.
A imposição do consumo, razão de viver do capitalismo sobrepõe-se as relações humanas, ao pensar. Neste cenário, o que mais importa é ter, e não ser, tornando os objetos de consumo em seres que merecem contemplação. Assim, a publicidade, a comunicação, as ciências econômicas e etc, trabalham em prol de um mundo permeado pelas imagens, um mundo ilusório, que disfarça as grandes mazelas, ou “aquilo que somos”.
Esse mundo “fachada” em que vivemos constrói-se com a exploração dos indivíduos alienados, com a massa incapaz, devido à supressão do dia-a-dia, de questionar o que ocorre, tornando o atordoante quadro em algo natural.
O tempo, o conhecimento, a inteligência, o tempo livre são os grandes inimigos da Sociedade do Espetáculo. Para ela o importante é o comprar, o consumir, nunca o divertir, estudar, refletir....
Quem ganha com isso? Como sempre um pequeno grupo que detêm o poder, as informações, o capital. E o pior de tudo é que o autor não é nada otimista... Na parte final do livro, o próprio Debord, anos depois da publicação do livro, faz um comentário em que lê assume que a Sociedade do Espetáculo evoluiu de uma maneira tão centrada, que ela acabou por vencer os obstáculos que por ventura poderiam lhe causar problemas.
Guy Debord morreu em 1994, e sua morte foi pouco noticiada pela mídia de quem ele tanto falou. Em uma das teses, Debord afirma que, no Espetáculo, aquilo que não foi noticiado não existe. Ainda bem que seu livro ficou, senão ele seria mais dos tantos que inexistem nesse mundo.
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Nelson Motta - Ao Som do Mar e À Luz do Céu Profundo
 No final do ano de 1959 o Brasil vivia os últimos dias do governo JK. O país passava por uma de suas melhores fases e o otimismo tomava conta de todos. O efervescente Rio de Janeiro do final dos anos 50, prestes a perder o posto de capital para Brasília, é o palco dessa história, mais precisamente o Bairro Peixoto, um pequeno bairro cravado no coração de Copacabana.
Tudo começa com a mudança da família do coronel Kleber Ferreira para o Bairro Peixoto, como tanto sonhara Dona Eva sua esposa. Com seus filhos, Marina e Zé Roberto já criados, Eva convence o rigoroso marido a deixá-la trabalhar e abre uma loja de doces com sua amiga Lucila, a Bom Bocado, e lá conhece o delegado Noronha com quem acaba tendo um intenso caso de amor.
Caroline é uma jovem americana de 17 anos, filha do coronel Francis W. Simon, ambos apaixonados por esse país paradisíaco e sua música que conheceram nos filmes de Hollywood. Carol fica muito "excited", como gosta de falar o autor, com a transferência do seu pai para trabalhar na embaixada americana no Brasil, ela finalmente poderia conhecer esse país lindo, sua música e principalmente o seu futebol, uma de suas paixões. O Bairro Peixoto nunca mais será o mesmo depois da chegada dessa adolescente moderna, pelo menos para os padrões brasileiros daquela época, que mudará a vida de todos à sua volta.
Bombril é um "neguinho" magrelo e dentuço, filho de Nazaré empregada dos Ferreiras, que mora com a mãe na casa do coronel Kleber. Com a chegada de Carol na vizinhança ele logo se apaixona pela bela americana de peitos grandes e garante alguns dos momentos mais engraçados, e sacanas, do livro sempre observando o que acontece na casa do coronel Simon da janela do seu banheiro. No entanto, ele acaba se tornando o melhor amigo de Caróu, e não Querol. Carol tinha aprendido um pouco de português em Los Angeles e não aceitava que ninguém falasse seu nome com o sotaque americano.
Enquanto seu pai viúvo se encantava com a vida agitada da Copacabana do início dos anos 60 e literalmente "pegando geral", ela ia fazendo amizades com todos no Bairro Peixoto, aprende a jogar futebol com Bombril e logo vira a melhor amiga de Marina.
O coronel Kleber no entanto, fica arrasado com a traição da esposa e dá-lhe uma bela surra, afinal de contas o homem tinha que manter a sua honra era o que mandava a sociedade da época. Ainda mais se tratando de um coronel do exército brasileiro, respeitado professor do Instituto Militar de Engenharia. Dona Eva não pensava assim e acaba fugindo de casa e decidindo se separar do seu marido para viver o seu grande amor com o delegado Noronha, deixando ainda mais arrasado o pobre corno e arrependido coronel, mas o destino ainda iria pregar algumas peças não muito agradáveis à Eva.
A partir desse ponto o história vai se desenrolando de forma despretensiosa e com uma grande riqueza de detalhes sobre o cotidiano da época enquanto Bombril, Carol e Marina vão se tornando amigos inseparáveis e vivendo grandes momentos juntos, e também algumas grandes tragédias. Entre eles os sentimentos se misturam. Seus medos e suas esperanças, o amor e o desejo, a alegria e a tragédia, todos os sentimentos caminham juntos. E é assim que todos eles vão vivendo: Ao som do mar e à luz do céu profundo.
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O Maravilhoso Universo de Machado
 Ao Verme que primeiro roeu as frias carnes de meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.
Esta frase é, sem sombra de dúvida, uma das mais conhecidas e importantes da literatura brasileira. Com ela Machado de Assis dá início ao seu mais famoso livro, Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Mas não é somente este romance que garante a Machado o título, dado por muitos, de principal escritor brasileiro. Fato é que nomear um escritor como o principal de todos os tempos não é tarefa fácil e, se pensarmos bem, nem é coisa importante.
Importante mesmo é que Machado é excepcional. Seus livros são de uma densidade narrativa, discursiva e argumentativa impressionante. As personagens por ele criadas são singulares, ricas, e fazem nós leitores questionarmos diversos assuntos.
Machado não criou um mundo, criou um universo. O Rio de Janeiro do século XIX ganhou novos ares através de suas mãos. Não que ele tenha recriado um novo Rio. Mas com certeza foi ele o grande observador e denunciador dos costumes e hábitos do cotidiano carioca. Os romances machadianos possuem certas características inerentes e inseparáveis um dos outros.
O cenário é o Rio de Janeiro do século XIX. Os enredos são baseados no cotidiano, no dia-a-dia do carioca, sempre denunciado os costumes que o escritor tinha como obsoletos, hipócritas e dispensáveis. Casamento, traição, relacionamentos social por conveniência, ética e tantos outros são os temas abordados pelo escritor.
Mas a grande marca de Machado é a acidez, o humor negro, as pequenas tiradas, a linha de pensamento e as características psicologias das personagens.
Brás Cubas, Simão Bacamarte, Quincas Borba, Iaiá Garcia, Dom Casmurro são algumas das grandes figuras que exemplificam os pontos acima citados.
Ademais, Machado era um grande pesquisador, e expõe em seus textos a admiração pela mitologia greco-romana e pelo escritor Tristram Shandy.
Bem, nem todo mundo concorda com este ponto de vista, de que Machado é o principal escritor tupiniquim. Há um certo consenso de sua importância, mas é difícil, para uma parte dos leitores, gostarem de Assis. Muitos indicam que o texto machadiano é cansativo, outros dizem que sua temática é sempre similar nos romances, outros apenas enfatizam: Machado de Assis é chato.
Até Guimarães Rosa, monstro da nossa literatura, em seus escritos a pouco divulgado na mídia, diz não gostar de Machado, só ter interesse em um texto especificamente.
Mas o que é relevante é que Machado de Assis é importante para a literatura do Brasil e que, mesmo no meio de muita polêmica, é um dos maiores nomes do campo literário brasileiro. Basta ler O Alienista, IaIá Garcia, Dom Casmurro e claro Memórias Póstumas.....
O universo de Machado é de questionamento, é de indagação sobre os costumes de uma época em que só poucos como ele estavam à frente. Machado é leve, volátil, como seu próprio universo.
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A Revolução dos Bichos
 Bichos da Inglaterra e da Irlanda, Daqui, dali, de acolá, Escutai a alvissareira Novidade que virá. Mais hoje, mais amanhã, O Tirano vem ao chão, E os campos da Inglaterra Só os bichos pisarão. Para quem nunca leu ou não se lembra, este é o início de Hino dos Bichos, cantado pelas personagens do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell.
Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Nascido em 1903, na Índia, passou a maior parte da sua vida na Inglaterra. Morreu em Londres, no ano de 1950, acometido por uma tuberculose, estando numa situação deplorável, miserável.
E é exatamente por este motivo, somados a outros, que seu livro deve ser lembrado e ovacionado. Não é à toa que é considerado um best seller. O grande problema é que o livro, na época de sua publicação — 1945 —, foi utilizado como instrumento político (claro, o livro é altamente politizado) contrário ao pensamento de seu escritor.
Em Revolução dos Bichos, um grupo de animais, comando pelos porcos, os mais inteligente da granja, expulsam seu dono, o alcoólatra Senhor Jones. Cansados de ser explorados, os bichos, com o poder nas mãos, tomam conta da granja, criando novas leis, regras, dividindo o serviço entre todos e compartilhando os mesmos benefícios, e é claro, não fazendo nada que os humanos faziam.
Cada animal — porco, cavalo, gato, rato, burro e etc — é uma alegoria de um ser humano. Possuem características psicológicas idênticas a certos tipos de indivíduos, fazendo com que nós, leitores, possamos percorrer o caminho contrário: ao invés de ligarmos um bicho a algúem, ligamos alguém ao bicho, do modo que este é descrito por Orwell. È um exercício legal.
Deixando as brincadeiras de lado, continuemos com o livro. Os bichos, motivados pelos discurssos do porco Bola de Neve, se revoltam contra o tirano Senhor Jones e assumem o controle da granja. Feito isso começam a criar regras, Mandamentos, e a mudar a rotina do lugar.
Como não eram suficientemente preparados para desenvolverem todas as atividades do lugar, começam a sentir problemas para plantar, construir muros e trincheiras (os homens poderiam voltar a qualquer momento!) e etc.
Esse despreparo começa a distanciar certos grupos de animais, que se enxergam melhores por saberem elaborar, pensar e principalmente liderar (na base da demagogia) alguns planos.
A maioria dos animais é semi ou completamente analfabeta, sendo incapazes de descobrir ou questionar o que estava acontecendo. A comida fica escassa, não a mais aulas para todos, um pequeno grupo não trabalha mais e... pronto! Está armado o estopim para uma revolta dos já revoltosos bichos. Muitos querem mudar, outros, alienandos como são, acreditam estar tudo bem.
O ponto principal é: o poder obtido mediante a revolta, por um grupo de pessoas (animais, no caso) despreparados, apoiados apenas em ideais formentados por discurssos, é benéfico?
Em Revolução dos Bichos fica claro que pode não ser. As alegorias retratam o quadro social da época em que viveu Orwell. O Senhor Jones pode ser comparado aos Czares russos. Os porcos, ao grupos comunistas que inflamavam as massas até o ponto de estourar uma Revolução. Os outros bichos, no geral, são a massa.
O fato é que o livro foi utilizado pelos americanos (como sempre...) como propaganda anti-comunismo, na época da Guerra Fria — o termo Guerra Fria é atribuído à Orwell.
Ele se definia como um socialista de convicções profundamente democráticas. Seu livro pode ser considerado um ataque ao poder totalitário, enganador, mas não um planfleto contra o socialismo ou comunismo. O escritor, em algum momento, deve ter tido algum desgosto contra alguém em quem acreditava, mas não contra o movimento em que acreditava.
Fato melancólico, tão quão sua morte, este desvio de sentido que deram ao seu livro. O governo americano fez até um desenho do livro para atacar o comunismo, mas o final foi modificado... (Não falarei como é o final, óbvio).
Mas por estes e tantos outros motivos, Revoluçao dos Bichos é leitura obrigatória para quem gosta de polêmica. E para encerrar nada melhor do que uma frase do livro para reflexão: Todos animais são iguais, mas alguns são mais parecidos que os outros.
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Mais Pesado Que o Céu
 Mais Pesado Que o Céu foi escrito em 2001 pelo jornalista e crítico musical Charles R. Cross e conta em detalhes a polêmica e conturbada vida de Kurt Cobain, cantor, guitarrista e compositor de um dos mais influentes e consagrados grupos de rock dos anos 90, o Nirvana. O jornalista foi um dos primeiros a ter acesso aos hoje já conhecidos diários de Kurt (Journals) e foi baseado nesses relatos pessoais, em entrevistas com amigos, parentes, companheiros de banda e da própria viúva do cantor, Courtney Love, que ele construiu sua narrativa sobre a vida de Kurt e sobre os fatos que levaram ao suicídio do cantor em 1994. Página após página vemos todas as transformações que ocorreram em uma criança feliz, inteligente e até mesmo "popular", que já demonstrava interesse pelas artes e principalmente pela música, quando fazia seus desenhos, tocava o seu pequeno tambor e ouvia todos os discos dos Beatles de sua tia, mas que após a separação de seus pais acabou se transformando em um adolescente deslocado, com problemas de adaptação, que não conseguia se estabilizar em nenhum lugar e que passou toda a sua juventude perambulando de lugar em lugar sem nunca ter conseguido se "encaixar". O autor passa por todo esse período conturbado até a criação da banda, os primeiros shows, a gravação do 1º disco, as constantes trocas de baterista, a chegada de Dave Grhol, o sucesso estrondoso de Nevermind, os problemas crônicos no estômago de Kurt, o uso abusivo de drogas, o tempestuoso relacionamento com Courtney, as internações, as tentativas de suicídios, as turnês, os shows antológicos e aqueles que a própria banda preferia esquecer. Ao final da leitura você irá perceber que Mais Pesado Que o Céu não é só um livro qualquer feito p/ os fãs da banda, mas que é daqueles livros que chegam a ser essenciais na prateleira de qualquer um que seja amante de música e literatura, pois conta a história da vida de um artista, de um ser humano excepcional e que assim como todos nós, também era cheio de contradições e problemas. Marcadores: Literatura, Livros
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