(O) Omelete
Ain't It Cool
Eupodo
HQ Maniacs
Indie Nation
IsFREE
Judão
Lágrima psicodélica
Last.fm
Lúcio Ribeiro
Musecology
Na Cabeça
NME
One Died Simply
Orkut
Pipoca Reluzente
Pitchfork
Una Piel de Astracán
UOL Quadrinhos
Wikipédia
Yes! We Have Bananas

Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Março 2007
Abril 2007
Maio 2007
Junho 2007
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007
Outubro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007
Janeiro 2008
Fevereiro 2008
Março 2008
Abril 2008
Maio 2008
Junho 2008
Julho 2008
Agosto 2008
Setembro 2008
Outubro 2008
Janeiro 2009
Fevereiro 2009
Março 2009

Ingressos para ver Oasis
Vitrine Cultural
o pequeno prazer das coisas
Los Hermanos confirmados no Just a Fest Festival
Franz Ferdinand e novo álbum
Planeta Terra 2008
Tim Festival 2008 - Programação
Lestics
Skol Beats 2008
Um Ensaio Além da Cegueira.


13 de Julho de 2008

Persepolis

Baseado na graphic novel (autobiográfica) e de mesmo nome de Marjane Satrapi, Persepolis conta a história de uma garota que cresceu durante um período caótico para o Irã, período esse que coincidiu com o fim da revolução iraniana e o início da tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos.

Quase toda rodada em preto e branco, a animação segue a trajetória de Marji desde que ela tinha 10 anos e ainda era apenas uma garotinha que inocentemente sonhava em ser profeta e em imitar seu grande ídolo, Bruce Lee.

Assim como a revolução, os sonhos também chegam ao fim e a já adolescente Marji passa a se sentir cada vez mais aprisionada em um país que está em guerra e é governado por um regime fundamentalista que mata aqueles que se opõem as suas idéias (como seu tio Anouch) e que censura a liberdade do indivíduo utilizando a força bruta e o medo como formas de repressão.

Temendo que ela pudesse vir a ser presa, Marji é enviada para uma escola em Viena por seus pai, mas ao mesmo tempo em que garantiam a segurança de sua filha, eles também a mandaram para um lugar onde ela viria a se sentir ainda mais isolada por ser uma estrangeira perdida entre pessoas que não a entendiam, que não partilhavam de seus ideais e que a faziam sentir vergonha de ser Irãniana.

Marji sofre para se adaptar a essa nova situação e quando tudo parece que vai começar a entrar nos trilhos, ela se perde no meio do caminho e sem ter a quem recorrer, volta a morar com seus pais e novamente tem que lidar com seus medos e frustrações em um Irã que nem de longe lembra seus tempos de infância e que na verdade está ainda pior do que quando ela fora para Viena.

Essas situações, bem como as atitudes e os conflitos da personagem, são sempre tratados de forma honesta, realista e sensível (seus diálogos com a avó são maravilhosos) e acho que é justamente essa sensibilidade ao tocar em certos assuntos que faz com que Persepolis se torne uma fábula moderna que fala sobre o amuderecimento e a busca por identidade, mas que ao mesmo tempo também nao deixa de ser uma forte crítica ao Irã de hoje e uma linda homenagem ao Irã de um tempo que não volta mais.

Marcadores:

1 de Julho de 2008

Sex and the City no cinema


Nada mais justo do que eu, a única presença feminina deste site, escrever sobre um filme típico de mulher.

Sex and the City chegou aos cinemas brasileiros no dia 6 de junho e já bateu recordes, inclusive desbancando a nova versão do velho Indiana Jones.

O longa dá continuidade a série americana transmitida originalmente pela HBO entre 1998 e 2004. Baseado em um livro, o seriado se passava em Nova Iorque e fez sucesso mostrando a vida íntima de quatro amigas.

Já o filme mostra o que aconteceu com Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) 4 anos depois do último episódio.

Com menos sexo, a versão para o cinema trata dos conflitos pessoais de cada uma. Claro que a cidade de Nova Iorque ainda está muito presente, mas desta vez, a vida, os sentimentos e as frustrações das quatro mulheres ganham destaque.

O fato de ser uma continuidade deixa um pouco a desejar para quem não viu ou não acompanhou a série. É difícil saber em certos momentos do que as atrizes falam ou até mesmo qual a relação de determinados nomes citados de antigos personagens.

Nas últimas criticas que li, o longa foi praticamente massacrado. Claro que não concordo. Assisti quase todas as temporadas e tenho diversos grupos de amigas que me fazem lembrar a relação do quarteto. Me identifico e tenho certeza que muitas mulheres mundo a fora também. Mas é óbvio que você não deve levar seu namorado para assistir a sessão com você. Lembre-se, é um filme feminino.

A trilha sonora também merece destaque. Com canções meio babinhas e algumas versões lentas de grandes sucessos, as músicas casam perfeitamente com as cenas. Eu particularmente acho que a música é a vida de um filme. Sem ela, o filme seria sem graça, branco e preto, não importando muito a densidade e complexidade da história narrada.

Mesmo muita gente achando que o filme trata da história de 4 fúteis mulheres, que gastam todo seu dinheiro com roupas, bolsas e sapatos caros, creio que seja válido assistí-lo. Apesar disso, todas retratam bem o novo rumo que a modernidade deu à vida feminina. Desde a independência financeira, até o comportamento mais ousado, que ante então era típico do sexo masculino.

Portanto, assista ao filme e se encha de feminilidade, mas claro, sem muito rosa e sem soutiens queimados, por favor!

Marcadores:

24 de Junho de 2008

Go Speed Racer Go

Como nostalgia é algo bom. Um ser nostálgico é um ser feliz. Nada melhor do que ficar recordando desenhos, filmes, séries, baladas e outras tantas coisas que nos fizeram em algum momento felizes.

E ainda bem que tem gente competente que sabe disso. Falo dos irmãos Wachowski, que estão de volta. Após o sucesso arrasa quarteirões de Matrix, qualquer filme que traga o sobrenome da dupla é motivo de alvoroço, afinal Matrix foi uma produção quebra paradigmas, com um conteúdo tão complicado que até hoje há diversas teorias para entendê-lo.

E não é para menos, afinal a dupla devora livros e revistas que tratam de temas como física, religião, filosofia, história, entre outros, todos estes expostos na trilogia acima citada. Porém, dessa vez o conteúdo altamente cabeça foi substituído pela ação e entretenimento dos desenhos, mas sem deixar marcas que tragam o toque cinematográfico peculiar dos irmãos.

Speed Racer é a nova produção dos Wachowski. Baseado na série Maha Go Go Go, de Tatsuo Yoshida, Speed Racer, nome internacional do personagem Go Mifune, ganhou as telinhas no final dos anos 60, virando um fenômeno na década de 70 e tendo bastante destaque na década seguinte.

O animê coqueluche, após muitos anos divertindo ao menos duas gerações, ganhou sua primeira versão nas telinhas e o resultado foi um dos melhores possíveis. Com um visual altamente psicodélico, com cores tão intensas que é difícil acreditar que possam ser criadas, bastante ação e adrenalina, o filme diverte e tira o fôlego do expectador.

O filme agrada tanto crianças, que nunca ouviram falar de Speed Racer, quanto adolescentes que já tiveram contato com o desenho e principalmente o pessoal com 40, 50 anos de idade, público que cresceu se divertindo com a família Racer.

Speed Racer (Emile Hirsch) é filho de um projetista de carros, conhecido como Pops (John Goodman), e desde cedo se interessa por carros de corridas. Sonha em seguir os passos do irmão mais velho, Rex, detentor dos principais recordes e que tem uma morte cercada de mistérios em uma das duras provas das quais disputou.

Racer demonstra um comportamento compulsivo por velocidade, como é demonstrada em umas das cenas inicias do filme, uma das mais divertidas, aliás, quando ele demonstra desinteresse por uma prova na escola e começa a se imaginar pilotando um carro em alta velocidade.

Atingindo a adolescência, Speed torna-se um piloto competente, como seu irmão e ingressa no mundo da velocidade. Vindo de uma família ligada intimamente com as corridas e tendo um talento nato, o jovem é logo sondado pelo milionário Royalton (Roger Allam), que oferece patrocínio e apresenta sua poderosa indústria.

Recusando a oferta, Speed conhece o lado obscuro das corridas, que envolvem trapaças, dinheiro e tramóias de diversos gêneros. Apoiado por seu pai, mãe (interpretada pela grande Susan Surandon), sua namorada Trixie (Christina Ricci) irmão mais novo Gorducho (Paulie Litt) e sue fiel escudeiro, o macaco Zequinha — dupla que mais de uma vez tomou a cena do filme literalmente, como se fossem os protagonistas — e o amigo da família e mecânico Sparky (Kick Gurry), Speed inicia uma batalha contra a sujeirada que impera nos bastidores das corridas.

Antes de começar a enfrentar os poderosos, os cartolas das pistas, Speed foi procurado por um investigador e por um tal Corredor X (Matthew Fox), que pilota de forma tão competente quanto ele. O pai do rapaz, Pops, se declara contra a ida do filho as essas corridas, para aplicar uma espécie de vingança, mas quando se dá conta que a decisão do filho é irrevogável, ele, junto com sua família, projeta o carro que dará a Speed a precisão que ele precisa nas pistas, o Match 5.

Apesar de não ter nenhum conteúdo profundo, de contestação, essa guerra contra as grandes corporações e manipulação de esportes mostrada no filme é algo atual e que acontece há muitas décadas e não por menos deu origem ao animê em questão. Basta fazer uma simples procura pela internet para se ver um sem número de escândalos envolvendo profissionais de todos os tipos e em diversos esportes.

Mas não é isso o importante no filme. A ação e o divertimento é o que dita as regras no longa. Os irmãos Wachowski são muitos felizes em transpor elementos e utilizar certas artimanhas que trazem uma aproximação incrível do filme com o desenho original. As imagens bidimensionais dos rostos da família de Speed durante as corridas, a trilha sonora que traz músicas iguais ao do desenho, as passagens cartunescas, principalmente as que envolvem Gorducho e Zequinha, além das inimagináveis e surreais pistas de corridas, que trazem os carros com colméias de abelhas, escudos, lanças e outras armas.

Os personagens são todos caricaturais, revelando a preocupação dos diretores em serem ao máximo fiel ao desenho. No entanto, é possível que algumas pessoas estranhem as pistas e os carros dirigidos pelos personagens. Speed é um herói, mas não dotado de super poderes. É uma pessoa comum, com um carro e um talento incomum. E por isso é difícil conceber, para quem se preocupa com detalhes em um filme, que uma pessoa comum consiga quebrar todos os preceitos da física. E aí vai a dica: se atenha ao desenho, a imaginação, não a realidade com a qual convivemos. Afinal, estamos falando sobre um filme extraído de um desenho e não de uma história “baseada em fatos reais”.

Speed Racer é, por fim, um ótimo filme, que atinge seu principal objetivo, que é divertir. Os Wachowski demonstram novamente seu talento. Claro, não há aqui uma obra daquelas que mudaram o rumo do cinema, como foi Matrix, mas há uma obra competente e bem realizada, que traz as telas dos cinemas um dos desenhos mais queridos de todos os tempos e que fará parte dos bons filmes da longa filmografia que a dupla, esperemos, executará.

Há uma curiosidade para o público brasileiro. Há uma escuderia no filme que leva a marca de uma grande empresa nacional, portanto, preste atenção e descubra qual é.

Assistir a Speed Racer é ter uma experiência visual incrível, além de desfrutar de uma agradável história. O ditado diz que a pressa é inimiga da perfeição. Nem sempre é verdade, como prova o filme, então não se preocupe e vá rápido conferi-lo!


Marcadores:

2 de Junho de 2008

O Homem de Ferro

As adaptações de quadrinhos estão ficando cada vez melhores. Os responsáveis pela transposição de HQ’s para o cinema se deram conta de que fórmulas utilizadas em filmes como O Demolidor e Elektra são um erro, pois destroem a imagem dos personagens em quadrinhos e arrasam os fãs do gênero, que esperam em qualidade e criatividade não menos do que lhes é apresentado nas revistas.

Outro problema constante para os profissionais do cinema que se aventuram com adaptações é a fidelidade com que tratam à história e as características dos personagens. Neste quesito, podemos citar o exemplo de Batman, que antes da última adaptação com
Christian Bale no papel do morcego, não havia sido alcançado por nenhum de seus antecessores o grau de obscuridade e aspectos psicológicos como o da atual aventura.

E Homem de Ferro é, partindo das observações acima, um filme competente. Principalmente pela atuação de Robert Downey Jr., que após afundar-se nas drogas e virar notícia pelos embates com a polícia, resolveu tornar-se novamente o centro das atenções trabalhando, e muito bem.

Homem de Ferro foi dirigido por Jon Favreau e roteirizado por Art Marcum, Hawk Ostby, Mark Fergus, e Matt Holloway. O filme narra à história de Tony Stark (Downey Jr.), bilionário responsável por uma indústria bélica — herança de seu pai, fundador da companhia —, figura carimbada nos tablóides e noticiários norte-americanos e que goza de bastante influencia na sociedade. È o típico playboy, preocupado apenas com algazarras, mulheres e dinheiro, sem dar importância ao caos e destruição que as armas da companhia por ele comandada causam, até o momento em que sua vida sofre uma reviravolta.

O filme começa justamente com um ataque ao carro no qual Stark se encontra, no Oriente Médio, local onde ele foi negociar o armamento. Após o rapto, o protagonista é levado a um local isolado, controlado por uma milícia armada justamente com as armas de sua companhia. Depois de dopado e de recobrar sua consciência, Stark se depara com um aparelho em seu peito e logo descobre que sem ele não poderá mais viver. Obrigado a construir um míssel poderoso por ele desenvolvido, Stark encontra apenas uma maneira de fugir dali e assim tem início a trajetória do Homem de Ferro.

Downey Jr. encarna perfeitamente o personagem. O Homem de Ferro é um herói, digamos, um pouco diferente dos outros. Ele ajuda as pessoas somente no momento em que percebe ter feito algo errado. Sua necessidade de sobrevivência aliado a ambição de construir um projeto antigo fez com que Stark se transformasse no Homem de Ferro. Stark e Downey Jr. são parecidos, são pessoas polêmicas, envolvidas em escândalos com a mídia e etc. A escolha do ator foi tão satisfatória quanto inusitada.

A primeira parte do filme se encarrega de mostrar quem é Tony Stark. Em seguida, começa todo o processo de surgimento do Homem de Ferro. Uma das partes mais importantes é a montagem da armadura. Além de algumas passagens cômicas, a cena mostra toda a evolução do projeto, o início da montagem, os testes, ajustes e toda a perfeição que a vestimenta atinge, elucidando de forma bem concreta a evolução do personagem.

Além de Downey Jr., há também as agradáveis atuações de Jeff Bridges e Gwyneth Paltrow, o primeiro como sócio das indústrias Stark, que após algumas reviravoltas se transforma em vilão e a segunda como a fiel escudeira de Tony.

Homem de Ferro é um ótimo filme, é entretenimento do bom. Há no filme conteúdo cômico, de reflexão, com o uso de temas políticos, como nos quadrinhos e que se adequa perfeitamente nos dias atuais — política americana do Big Stick: invasão Iraque, Afeganistão e etc — e, é claro, ação.

Homem de Ferro pode não ser um dos personagens mais famosos dos quadrinhos, comparados a Batman, Super-Homem e Homem-Aranha, mas no cinema, graças à atuação envolvente e bem realizada por Robert Downey Jr., já está entre os melhores. A continuação, que foi adiantada após os créditos finais do filme, com certeza será empolgante, se seguir a mesma linha deste.

Vale a pena conferir a superprodução. Sendo fã ou não de quadrinhos, o filme atende a qualquer pessoa que busca entretenimento e um bom motivo para não se envolver com armas.


Marcadores:

5 de Maio de 2008

Cloverfield

Passado já um bom tempo do lançamento e já fora de cartaz de praticamente todas as salas, Cloverfield pode ser considerado um sucesso comercial e de crítica. È um filme experimental, que possui uma linguagem peculiar e sabiamente conduzida.

J.J. Abrams já se mostrou um produtor de talento com o seriado Lost, um dos maiores sucessos da TV americana e em Cloverfield ele reafirma seu potencial criativo e mostra que tem muito talento para gastar ainda. Além dele, há também a mão do diretor Matt Reeves, que conseguiu criar uma atmosfera de caos e destruição bem real, prendedo o expectador como poucos filmes conseguiram.

O filme se passa — como não poderia deixar de ser — na cidade mais atacada da história do cinema, Nova Iorque. Um grupo de amigos se reúne para a despedida de Rob (Michael Stahl-David), jovem empresário que conseguiu uma vaga de trabalho no Japão. Para registrar o encontro, foi dada a Hud (T.J. Miller) uma câmera, que por acaso é de seu melhor amigo e homenageado da festa, Rob. Na fita havia uma gravação feita por ele, Rob, de um fim de semana com sua amiga Beth (Odette Yustman), por quem ele nutria uma atração antiga.

Durante a festa, ocorrem certos tremores de terra e explosões. Bolas de fogo voam e até a cabeça da Estátua da Liberdade (como se observa no cartaz publicitário) rola pelas ruas perto do apartamento onde acontece a comemoração de despedida. Sem saber exatamente o que está acontecendo, milhares de pessoas, incluindo o grupo de amigos, começam a procurar o motivo do caos instaurado e como escapar dele.

O ponto de vista adotado é justamente o de Rob e seus amigos, através da câmera que está nas mãos de Hud. A primeira parte do filme é a apresentação dos personagens e a criação da tensão que será mantida por todo o longa. Feito isso, a ação toma conta da narrativa, com os atordoados nova-iorquinos correndo para lá e para cá, tentando escapar sabe se lá de que.

Durante o corre-corre, a defesa civil dá uma ordem de evacuação imediata, porém o grupo resolve acompanhar Rob, que vai resgatar Beth em seu apartamento. Durante o trajeto, o grupo fica próximo ao monstrego e acompanha o bombardeio do exército para cima dele.

Obviamente, o que mais chama a atenção no filme é ponto de vista utilizado. A história se concentra a partir dos fatos ocorridos com o grupo de amigos, tendo sido toda a trajetória destes gravada. Além de ser curiosa, essa abordagem deu o que falar, pois por ser uma câmera com “ares amadores”, com imagens borradas e tremidas, devido a correria, as cenas do filme causam certa vertigem (em alguns casos náuseas mais fortes...) nos espectadores.

Além do mais, o filme foge de outros clichês. O primeiro dele é que não há um super-herói que salva a cidade das pessoas. Segundo, o monstro não cai morto no meio da cidade, com algumas pessoas ao redor dele com olhares de consternação. Terceiro, o monstro, no fim, é o elemento chave do filme, mas não o principal, uma vez que a aparência física do bicho mal é revelada e que o que conta mesmo é a impotência das pessoas, representadas por Rob e seus amigos, diante de uma ameaça inesperada — assim como ocorreu no 11 de setembro, por exemplo. Outros fatores importantes foram a escolha de um elenco novo, que fortalece a idéia de amadorismo e o tempo de duração do longa, igual ao de um fita de vídeo “caseira”.

E claro que nem tudo sai imune a comentários. Assim como as imagens da câmera amadora deram o que falar, o fato da câmera, no filme, não ter quebrado após várias quedas e a fita e a bateria não ter acabado, renderam muito bafafá, do tipo: “preciso descobrir onde eles compraram essa super câmera!” ou “nem a câmera do Peter Parker era tão boa”. Enfim, é um exagero, mas que em nada atrapalha o filme e, analisando bem, esse exagero cai é bem a ele. Houve, também, certo exagero quanto a condição física de Beth após o acidente que sofreu. Como a ferida causada era grave, sua fuga junto ao grupo pareceu exagerada. Porém, pessoas envolvidas em situações extremas conseguem arrumar mais força do que eventualmente possuem. Mas isso é só uma observação, nada muito relevante.

Há ganchos claros no filme que indicam uma segunda produção. E o site Omelete já adiantou isso, com uma nota que continha o seguinte comentário do produtor J.J. Abrams: “Neste momento o roteirista Drew Goddard e o diretor Matt Reeves estão pensando em algo, então esperamos que saia mais um filme daí”.

Olhando para o histórico do diretor e do produtor de Cloverfield, há diversas razões para apostar que a continuação do filme seja muito boa. E para quem é cinéfilo, há muitas outras razões para aguardar a segunda parte do filme, pois a campanha de marketing viral feita para Cloverfield, utilizando diversos sites, entre eles o Youtube, foi de extrema inteligência e essencial para o êxito do filme.

Vamos aguardar, então, que a continuação seja algo interessante e inteligente, ao contrário de seu título nacional “Cloverfield – O Monstro”, afinal ninguém deve ter ido ao cinema pensando que Cloverfield fosse um cachorro, um planeta ou um super-herói novo da Marvel.

Marcadores:

8 de Março de 2008

A Bússola de Ouro

A mega-produção A Bússola de Ouro é muito mais do que uma simples fábula. É um filme com temática forte, abrangente, e até certo ponto polêmico, voltado — apesar dos efeitos especiais e outros chamarizes infantis — para o público adulto.

Dirigido e roteirizado por Chris Wietz, o longa é uma adaptação do livro homônimo do escritor Philip Pullman, que foi rotulado na época em que o escreveu de satanista, ateu, e outros adjetivos que evidenciam o conteúdo pesado da narrativa.

A história de A Bússola de Ouro se passa em universo paralelo ao que vivemos. Neste lugar, as almas das pessoas, ao contrário das nossas, são visíveis e assumem a forma de animais. A cor, tamanhos, gênio e comportamento destes pequenos animais chamados de “dimons”, revelam muito sobre a personalidade de seus donos.

E é neste lugar que vive a garotinha Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards). Órfã, acolhida por seu tio-cientista Lord Asriel (Daniel Craig), Lyra estuda na Faculdade/Colégio Jordan, situado na cidade de Oxford, Inglaterra, que é administrado por catedráticos que formam o poderoso Magistério.

Lyra é uma criança inquieta. Sua orfandade talvez explique seu espírito selvagem e aventureiro e sua falta de feminilidade. Sabendo que seu tio iria partir para uma viagem as terras gélidas do Norte para pesquisar uma substância chamada de “Pó”, a garotinha logo se anima em acompanhá-lo. No entanto, Asriel veta a companhia e Lyra fica inconformada.

Em certo jantar no Colégio, surge uma misteriosa Sra. Coulter (Nicole Kidman) que por motivos não esclarecidos convida a garotinha para viajar as terras dos grandes ursos polares. Sem pensar duas vezes Lyra aceita o convite. Antes de partir, a menina é abordada por um dos tutores do colégio e recebe dele uma bússola dourada.

Ao partir para a viagem, a vida de Lyra muda radicalmente e sem possibilidade de volta. Ela descobre as intenções da Sra Coulter e descobre também ter um dom que ninguém mais tem: o de “ler” e “entender” a bússola. Ela é a única pessoa que pode enxergar o que o objeto tem “a dizer” sobre quem quer que seja.

A viagem é repleta de aventuras. Ela descobre novos lugares e novos povos como os gipcios, caubóis, bruxas e lendários ursos polares guerreiros. Junto desta turma Lyra descobre uma trama cruel que coloca em risco o futuro de muitas crianças e cabe a ela e companhia dar um fim ao plano cruel.

O que mais chama atenção no filme são sem sombra de dúvidas os efeitos especiais, com destaque ao grande Urso guerreiro. É de deixar de boca aberta muitos especialista do ramo a perfeição dos movimentos, gestos e expressões do grande Urso. E não por acaso o filme foi premiado com o Oscar este ano na categoria de efeitos especiais.

Tirando isso, o filme sofre com certos problemas. O trabalho de adaptação de roteiro em cima de um livro sempre é complexo, ainda mais para narrativas como a de A Bússola de Ouro. O filme sofre por excessos. Há muitos personagens secundários e grande parte deles tem participação apagada ou são pouco aproveitados. A protagonista, a pequena Dakota Blue, é o centro da trama. Apesar de uma atuação satisfatória, o papel a ela delegado carrega bastante responsabilidade e exige muito mais do que ela pôde dar.

O segundo ponto é o excesso de informações. A trama é complexa, como já foi dito, por mexer com questões religiosas e existenciais. O chamado “Pó” é conhecido pela possibilidade de ligar esse universo de dimons a outros paralelos. Os catedráticos mais conservadores (são membros da Igreja Católica, claramente) não querem que o fenômeno se confirme, pois o fato destruiria as crenças e valores conhecido pelas pessoas (pouca coincidência com nosso mundo....).

Ademais, os seres místicos, dramas existências, tentativas de assassinatos são recorrentes no filme, o que vai a total desacordo com valores de qualquer instituição religiosa.

O filme é uma excelente aventura, que se supera nos efeitos visuais. Porém, a história não tem o mesmo fôlego da produção técnica. Há muitos personagens, muita aventura e muito assunto indigesto tratado ao mesmo tempo. Faltou, talvez, um pouco mais de simplicidade, de objetivo ao longa.

O projeto cinematográfico de A Bússola de Ouro previa uma trilogia. Porém, o desempenho da primeira parte do projeto colocou em xeque a possibilidade da continuidade da saga. Seria uma pena não dar prosseguimento a uma produção como esta. Entre erros e acertos, o filme é bom e as continuações podem com certeza salvar o fraco desempenho comercial do primeiro filme, que conta com a presença de astros como Kidman e Craig.

A Bússola de Ouro é um bom blockbuster de aventura. Digamos que o filme possui um dimon ainda indefinido, imaturo, mas promissor. E quando você leitor acabar de ver o filme faça uma brincadeira bacana: imagine qual animal representaria sua alma. Mas é melhor não contar a ninguém, pois lembre-se bem de que os dimons revelam a fundo quem você é.

Marcadores:

1 de Março de 2008

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Tim Burton é um diretor singular. Sua habilidade em construir filmes irreais, fantasiosos e com leves toques de humor (negro) é sensacional. Além disso, o diretor se destaca pelo visual de seus trabalhos, marca registrada de sua filmografia, e que se vincula intimamente as fábulas por ele criadas.

E Sweenwy Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet segue novamente a mesma receita, mas com um ingrediente a mais: trata-se do primeiro musical legitimamente dirigido por Burton. O filme é baseado em um musical homônimo da Broadway, criado por Stephen Sondheim e Hugh Wheeler, adaptado por Christopher Bond. O longa narra a história de Benjamin Barker (Johnny Depp), um homem que viveu em Londres, no século XIX, era degradante e obscura da famosa cidade.

Barker era casado e tinha uma filha pequena. Um dia, enquanto passeava com sua família, foi vítima de uma emboscada armada pelo Juiz Turpin (Alan Rickman), que se encantou com a beleza da esposa de Barker, e por seu escudeiro Bamford (Timothy Spall).

Preso injustamente, exilado por mais de uma década, sem esposa e filha, Barker retorna a Londres com uma aura cinzenta, sedenta por vingança. Entre uma música e outra, já é possível observar o cenário exótico incorporado por Burton e que leva a assinatura de Dante Ferretti: uma Londres sombria e melancólica, que traduz o espírito sofredor de Barker perfeitamente, muito graças à fotografia em preto e branco.

Benjamin retorna a sua antiga casa, onde se depara com Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), que mantinha uma casa de tortas abaixo da sua. Esta reconhece Barker, por quem mantinha uma admiração antiga e resolve lhe ajudar a se estabelecer novamente em seu antigo lar. Ao ter em suas mãos uma navalha guardada pela Mrs. Lovett, Barker assume a figura de Sweeney Todd e começa planejar sua vingança.

Deste ponto em diante está formado o núcleo que conduzirá o filme. Todd abre uma barbearia e busca sua vingança matando as vítimas que lá freqüentam. Os alvos principais são os dois homens que acabaram com sua vida, Bamford e o Juiz Turpin, que ainda mantém a filha de Barker presa sobre seus cuidados.

Assassinando seus clientes, Todd vai se vingando da injustiça que sofreu por parte dos dois homens cruéis e de toda a população que nada fez para ajudá-lo. Mrs. Lovett acoberta a carnificina provocada por Todd e ainda tem, junto com ele, uma idéia macabra: usar a carne das vítimas como recheio de suas tortas, que não agradavam a ninguém. O quitute vira unanimidade entre os londrinos e a fachada da loja ajuda manter a matança de Sweeney. Porém, sua vingança lhe trará conseqüências graves e sua amargura aumentará proporcionalmente ao sangue por ele derramado.

Para contrabalancear a matança, Anthony (Jamie Campbell) e Johanna (Wisener) contracenam um par romântico, mas que não possuem muita relevância na trama, já que seus papéis não foram explorados da forma que poderiam ser.

Sweeney Todd é um filme dinâmico, com boas atuações de Depp (já virou rotina falar isso sobre ele) e Helena Carter. No entanto, como todo experimento (é o primeiro musical de Burton, depois de flertes com a Fantástica Fábrica de Chocolates) sofre com algumas falhas. A primeira é clara: Depp e Carter, apesar de desempenharem bons papéis, não são os atores mais apontados para um musical. Claro, não foram ruins, mas não puderam alcançar a excelência por fugir do escopo deles. Johnny Depp, para quem não sabe, começou sua carreira de artista como músico, tocando em uma banda chamada Kids, ao lado dos músicos Joe Malone e Bruce Witkin e chegaram a abrir shows para os Ramones, Pretenders e Iggy Pop. Além disso, Depp chegou a tocar ao vivo com o Oasis. Mas nada disso o fez alcançar um patamar perfeito para atuar em musical, apesar — reforço — de estar muito bem no papel.

Fora isso, o filme sofre com um outro problema recorrente nos filmes de Burton: a baixa emotividade transferida pelos personagens. O enredo de Sweeney Todd é forte e a carga de emoções sofridas pelo protagonista não conseguem atingir em cheio os expectadores. Quem assiste ao filme é capaz de entra na história e interagir com os personagens, mas não ficar compadecidos com o sofrimento de Todd. O expectador vai querer é sim ver muito sangue. E é exatamente aí que surge o melhor do filme.

A direção de arte é excepcional e não à toa foi vencedora do Oscar 2008 . Além do mais, a parceira entre Burton e Depp, já famosa, se consolida cada vez mais. É clara a química entre o diretor e seu protagonista preferido.

É possível dizer que o longa tem como força motora as parte técnicas. Além da já citada direção de arte, há também a fotografia, figurino, montagem (a cena em que Todd encontra o Juiz é notória).

Tim Burton fez mais um ótimo filme. Sweeney Todd, em seu saldo positivo, pode-se enquadrar em um dos bons musicais produzidos para o cinema. Porém, como uma obra de Tim Burton não pode ser considerada a melhor. E quem viu Ed Wood e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas há de concordar comigo.

Confira Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e quando sair da sala de cinema e for comer alguma coisa procure visitar a cozinha para não ter nenhuma surpresa desagradável.


Marcadores:

29 de Fevereiro de 2008

Juno

Definitivamente não sou bom com Oscars. Dificilmente ganha o filme que mais gostei, não que isso tenha alguma importância, mas... Esse ano não poderia ser diferente, apesar do meu predileto ser Juno, a briga era pesada, todos os filmes eram muito bons. Melhor roteiro, esse foi o único prêmio que o filme ganhou. Único, mas merecidíssimo prêmio foi para uma blogueira e ex-stripper, Diablo Cody.

O filme se passa em torno de uma adolescente de 16 anos, Juno MacGuff (Ellen Page), que descobre está grávida de seu melhor amigo e companheiro de banda, o desajeitado Paulie Bleeker (Micheal Cera). A garota se ver então num dilema, mas decide ter o filho e entregar para adoção. É nesse momento que a garota conhece Mark e Vanessa Loring (Jason Bateman e Jennifer Garner).

Vanessa sonha em ser mãe, mas não pode ter filhos e vê em Juno a grande chance de ser mãe. Mark, por sua vez, é um compositor que trabalha com comerciais e vive sufocado por sua mulher. Amante de gibis, filmes trashs, e com um ótimo gosto músical, um típico “nerd moderno”, Mark logo se aproxima de Juno, que por sua vez adora as bandas punks dos anos 70 e filmes sangrentos. A amizade dos dois geram momentos memoráveis, que certamente muitos de nós irão querer estar lá, sessões de Sonic Youth e filmes trash em meio a pilhas de gibis e muito mais...

Page está perfeita no papel da garota, consegue trazer para a telona todo o potencial da personagem escrita por Cody... Jason Reitman (Obrigado Por Fumar), em seu segundo filme, consolida seu estilo mostrado no primeiro filme trazendo um equilíbrio perfeito entre drama e humor. No elenco ainda temos o sensacional J.K. Simmons (Homem-Aranha) como pai da garota, Allison Janney (The West Wing), Olivia Thirlby, melhor amiga da protagonista...

Outro grande destaque do filme sem dúvida é a trilha sonora que vai de clássicos como The Kinks, Velvet Underground e Budy Holly a grandes nomes do alternativo da atualidade como Sonic Youth, Belle & Sebastian e Cat Pawer, mas o maior destaque fica por conta de Kimya Dawson que participa de 8 faixas no disco, seja sozinha, com sua banda The Moldy Peaches ou ainda seu projeto paralelo Antsy Pants.

Juno, sem exagero, é um daqueles filmes que você quer ver todo dia, inteligente, sensível e engraçado como poucos.

Juno - Original Soundtrack

Marcadores:

11 de Fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Tem Vez

A violência desnecessária e gratuita que vemos nos dias de hoje apenas demonstra o quanto nos distanciamos dos ideais e valores que formaram nossos ancestrais e que hoje são vistos apenas como uma lembrança pálida na cabeça dos que viveram naqueles tempos.

Adaptado do romance de mesmo nome escrito por Cormac McCarthy, Onde os Fracos Não Tem Vez foge do lugar comum e propõe uma reflexão sobre temas como esse utilizando como pano de fundo uma negociação de drogas que deu errado em Junho de 1980 no Oeste do Texas.

O caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra por acaso o local onde tal negociação se desenrolou e em meio a uma série de corpos e rastros de sangue, ele acha uma maleta cheia de dinheiro e decide levá-la para casa. Essa decisão começa a se mostrar totalmente errada quando em meio a uma súbita crise de consciência, ele resolve voltar ao mesmo local e por conta disso, acaba se tornando o alvo principal de uma caçada humana empreendida pelo já "clássico" assassino profissional Anton Chigurh (Javier Bardem).

O violento jogo de gato e rato em que se transforma a perseguição de Chigurh à Llewelyn é pontuado por momentos mais instrospectivos sempre que o xerife local Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) entra em cena para investigar e até mesmo tentar entender o que está por trás da trilha de cadeveres que vai ficando pelo caminho desses dois homens determinados a alcançar seus objetivos, custe o que custar.

Se seguissem a cartilha, os irmãos Joel e Ethan Coen poderiam até ter entregue mais um competente filme policial, mas desde sua abertura com uma belíssima fotografia do Oeste americano acompanhada pela narração lacônica e sentimental do xerife brilhantemente vivido por Tommy Lee Jones, até o seu desfecho anti-climático, fica claro que a história é apenas uma ponte que nos conduz a uma reflexão bem mais profunda, que envolve temas como destino, escolhas, esperança, humanidade e ingenuidade, culminando em um único sentimento de deslocamento que é inerente a todos aqueles que não encontram mais lugar diante da degradação de uma sociedade cada vez mais violenta e sem sentido.

Marcadores:

7 de Fevereiro de 2008

A Lenda de Beowulf

O mundo precisa de heróis. Não importa se eles usam capas, roupas coladas, se voam, se possuem visão de raio X, cuspam fogo ou sejam extremamente fortes e praticamente indestrutíveis. O fato é que o imaginário humano se alimenta com grandes epopéias e grandes feitos protagonizados por pessoas ou seres “especiais”.

Não é diferente com Beowulf. Inspirado em um poema inglês da Idade Média, o filme narra os feitos do lendário guerreiro, que se julga invencível e que busca, incessantemente, poder e glória. Narrando seus feitos com grande eloqüência, Beowulf (Ray Winstone) se tornou conhecido pelas terras por onde passou. E devido a essa fama, foi atraído para o reino do fanfarrão Hrothgar (Anthony Hopkins), com a missão de derrotar o terrível Grendel (Crispin Glover).

Até aí, para um guerreiro derrotar um monstro não há nada de tão especial. A narrativa começa a ficar mais interessante quando Beowulf, após lutar com Grendel, vai atrás deste na caverna onde ele habita. Lá, no esconderijo, ele conhece a mãe do monstro (vívida por Angelina Jolie) e sua vida vira de cabeça para baixo.

O filme é interessante primeiro pelos efeitos especiais. Segundo pelo roteiro acurado e bem desenvolvido. A história não é mais uma que fala apenas sobre os grandes feitos de um grande herói. Pelo contrário, ela pega justamente os pequenos erros que transformam essas grandes figuras em pessoas comuns, em meros mortais como qualquer outro. Demonstra também, que grandes feitos vêm acompanhados de enganos que norteiam o destino de quem os vive.

Escrito por Neil Gaiman e Roger Avary, o roteiro de A Lenda de Beowulf já é muito bom por ser uma adaptação de um poema. E é melhor ainda por conseguir ser denso, atrelando as aventuras do herói com seus problemas morais e toda a fábula envolvida. Apesar da linearidade, o roteiro é forte devido os diálogos de Beowulf e o intenso apelo sexual do filme (levado ao extremo pelo próprio protagonista e pela personagem de Angelina Jolie), disfarçado entre pequenas artimanhas textuais.

Fora isso, o diretor Robert Zemeckis levou ao extremo a digitalização do filme. Ele já havia feito incursões neste terreno em filmes como O Expresso Polar e A Casa Monstro, mas conseguiu em Beowulf se superar, graças também aos avanços tecnológicos hoje disponíveis. As imagens são um deleite para os expectadores que gostam deste estilo de filme. O curioso é que o longa foi considerado por muitos como infantil, por ser uma animação. Mas o teor contido nele com certeza não é.

Para quem assistiu ao filme em uma sala digital com certeza aproveitou mais o conteúdo digital do filme. Até porque, sem os óculos 3D, a animação, apesar de excelente, causa uma certa estranheza, pois o expectador acostumados a ver os rostos de Angelina Jolie, Anthony Hopkins e companhia se depararam com algo meio mórbido, impossível de não haver em uma experimentação desta.

É possível concluir que a Lenda de Beowulf entrou para o hall de bons filmes. Não só de animações, que é o grande diferencial, mas também do gênero de aventura/épico. É um filme ousado, bem produzido e acima de tudo feito com bastante cuidado.

A Lenda de Beowulf é um ótimo filme, principalmente para quem gosta de contar muita história.

Marcadores:

24 de Janeiro de 2008

A morte do Coringa

No início da semana, Heath Ledger foi encontrado morto em seu apartamento.

Essa notícia foi um choque pro mundo todo e pra mim também. O ator de 28 anos estava no auge de sua carreira e no momento filmava o longa The Imaginarium of Doctor Parnassus, previsto para estreiar em 2009.

Ledger também interpretou de forma peculiar o Coringa do filme Batman - The Dark Knight, que segundo crítica, pode ser considerado o melhor Coringa da história do cinema, muito mais sádico e sombrio. O filme será lançado em julho deste ano.

Com atuação em mais de 20 filmes, Ledger teve seu talento reconhecido principalmente em O Segredo de Brokeback Mountain, de 2005, onde interpretou um cowboy homosexual e contracenou com sua ex-esposa Michelle Williams.

O ator deixa uma filha, Matilda, de dois anos e a certeza de que foi um talento pouco aproveitado.

As causas de sua morte ainda são desconhecidas. Os resultados dos exames feitos no corpo do ator só saem daqui 10 dias.

Filmografia

2009 - The Imaginarium of Doctor Parnassus
2008 - The Dark Knight
2007 - I´m Not There
2006 - Candy
2005 - Casanova
2005 - O Segredo de Brokeback Mountain
2005 - Os irmãos Grimm
2005 - Os Reis de Dogtown
2003 - O Devorador de Pecados
2003 - Ned Kelly
2002 - As Quatro Plumas
2001 - A última Ceia
2001 - Coração de Cavaleiro
2000 - O Patriota
1999 - Two Hands
1999 - 10 Coisas que eu Odeio em Você
1997 - PC - Digitando Confusões (Paws)
1997 - Blackrock

Marcadores: ,

22 de Janeiro de 2008

Oscar 2008

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas acaba de divulgar a lista de canditatos ao Oscar 2008 e esse ano os grandes destaques foram Sangue Negro e Onde os Fracos Não Tem Vez, ambos com oito indicações e Desejo e Reparação, que vem logo atrás com sete indicações.

Mais uma vez o Brasil ficou de fora, já que O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, que chegou até a figurar entre os nove finalistas ao prêmio de Filme Estrangeiro, acabou não entrando na lista dos cinco finalistas.

As quatro indicações de Juno (filme, roteiro, diretor e atriz), que é um filme indie que vem fazendo grande sucesso de público e crítica lá nos EUA e que posso garantir que vale o hype que o cerca, foram a grande surpresa da noite.

Já a decepção ficou por conta do completo esquecimento da Academia para Na Natureza Selvagem e para o diretor Sidney Lummet e o seu ótimo Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto. Isso sem contar a desqualificação da fantástica trilha sonora composta por Johnny Greenwood (Radiohead) p/ Sangue Negro devido a utilização de "elementos" de outras canções (sic).

Bom, levando em conta a caretice inerente à Academia, pode-se considerar que a lista de indicados desse ano até que foi muito boa e que tirando uma injustiça aqui e outra ali, ela acabou mesmo trazendo o que de melhor foi produzido lá fora no ano de 2007.

Veja os indicados:

Melhor Ator
George Clooney - Conduta de Risco
Daniel Day-Lewis - Sangue Negro
Johnny Depp - Sweeney Todd
Tommy Lee Jones - No Vale das Sombras
Viggo Mortensen - Senhores do Crime

Melhor Ator Coadjuvante
Casey Affleck - O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
Javier Bardem - Onde os Fracos Não Têm Vez
Philip Seymour Hoffman - Jogos do Poder
Hal Holbrook - Na Natureza Selvagem
Tom Wilkinson - Conduta de Risco

Melhor Atriz
Cate Blanchett - Elizabeth: A Era de Ouro
Julie Christie - Longe Dela
Marion Cotillard - Piaf Um Hino ao Amor
Laura Linney - The Savages
Ellen Page - Juno

Melhor Atriz Coadjuvante
Cate Blanchett - I'm Not There
Ruby Dee - O Gângster
Saoirse Ronan - Desejo e Reparação
Amy Ryan - Gone Baby Gone
Tilda Swinton - Conduta de Risco

Melhor Animação Longa-Metragem
Persepolis
Ratatouille
Tá Dando Onda

Melhor Direção de Arte
O Gângster
Desejo e Reparação
A Bússola de Ouro
Sweeney Todd
Sangue Negro

Melhor Fotografia
O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
Desejo e Reparação
O Escafandro e a Borboleta
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Figurino
Across the Universe
Desejo e Reparação
Elizabeth: A Era de Ouro
Piaf Um Hino ao Amor
Sweeney Todd

Melhor Direção
O Escafandro e a Borboleta
Juno
Conduta de Risco
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Documentário
No End in Sight
Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience
Sicko
Taxi to the Dark Side
War/Dance

Melhor Documentário Curta-Metragem
Freeheld
La Corona
Salim Baba
Sari's Mother

Melhor Montagem
O Ultimato Bourne
O Escafandro e a Borboleta
Na Natureza Selvagem
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Filme Estrangeiro
Beaufort - Israel
The Counterfeiters - Austria
Katyn - Polônia
Mongol - Cazaquistão
12 - Rússia

Melhor Maquiagem
Piaf Um Hino ao Amor
Norbit
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

Trilha Sonora Original
Desejo e Reparação
O Caçador de Pipas
Conduta de Risco
Ratatouille
Os Indomáveis

Melhor Canção Original
"Falling Slowly" - Once
"Happy Working Song" - Encantada
"Raise It Up" - August Rush
"So Close" - Encantada
"That's How You Know" - Encantada

Melhor Filme
Desejo e Reparação
Juno
Conduta de Risco
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Curta Animado
I Met the Walrus
Madame Tutli-Putli
My Love
Peter & the Wolf

Melhor Curta Live-Action
At Night
Il Supplente
Le Mozart des Pickpockets
Tanghi Argent-i
The Tonto Woman

Melhor Edição de Som
O Ultimato Bourne
Onde os Fracos Não Têm Vez
Ratatouille
Sangue Negro
Transformers

Melhor Mixagem de Som
O Ultimato Bourne
Onde os Fracos Não Têm Vez
Ratatouille
Os Indomáveis
Transformers

Efeitos Especiais
A Bússola de Ouro
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
Transformers

Melhor Roteiro Adaptado
Desejo e Reparação
Longe Dela
O Escafandro e a Borboleta
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

Melhor Roteiro Original
Juno
Lars and the Real Girl
Conduta de Risco
Ratatouille
The Savages

Marcadores: ,

9 de Janeiro de 2008

Hitman — Assassino 47

Hollywood resolveu novamente apostar na adaptação de um jogo para as telas. A bola da vez foi Hitman — Assassino 47, personagem concebido por Rasmus Guldberg-Kjaer. E novamente a adaptação foi mediana, para não dizer ruim.

Hitman foi treinado desde pequeno para ser um matador de aluguel e acabou tornando-se o mais letal. 47, como é conhecido pela agência que o treinou, é frio e calculista, exibindo movimentos robóticos e nenhuma emoção. Careca, com uma tatuagem de código de barras na cabeça, ternos impecáveis e uma cara que parece ter sido esculpida por alguém que estava bravo no dia, é extremamente hábil com qualquer tipo de arma que tire a vida de alguém.

No filme, 47 é contratado por uma voz misteriosa, através de seu laptop, para matar pessoas. Com bastante eficácia, ele executa os serviços de maneira rápida, sem nunca errar. Há apenas um agente da Interpol que sabe sobre sua existência e corre mundo afora para prendê-lo. O filme passa por Inglaterra, Turquia e Rússia e é neste último país, exatamente na cidade de São Petersburgo, que o assassino encontra problemas.

Contratado para executar o presidente russo, novamente Hitman executa o trabalho com eficácia. No entanto, a voz misteriosa anuncia que o pagamento não será feito porque ele não completou o serviço. Roboticamente ele acompanha na televisão que o presidente permanece vivo. A partir daí, 47 corre em busca de explicações e vingança e, então, desenrola-se uma trama que envolve traições, politicagem, clones, armamentos pesados e mortes, muitas mortes.

O filme possui boas cenas de ação, mas é fraco. Para quem não conhece o jogo este é mais um filme de ação. Para quem conhece ficará uma sensação de que o jogo é infinitamente mais interessante. Há muitas fórmulas gastas, como a briga Interpol e polícia russa, remetendo à Guerra Fria; vozes que mandam e desmandam a morte de milhares de pessoas sem mais nem menos, clones....

Além do mais, o jeito robótico do agente (interpretado por Timothy Olyphant) é convincente, quando observamos o seu modo de andar sem balançar o braço, o seu rosto que parece de pedra. Mas a exagerada falta de sentimento, com relação à garota que tenta seduzi-lo e na aparentemente calma durante tiroteios explosões, acaba por dar um caráter plastificado, um tanto exagerado ao personagem.

O longa dirigido por Xavier Gens é um filme de entretenimento e só. Entre, sente na sala, assista ao filme e ao sair você já terá o esquecido. O gênero precisa de filmes renovados e não foi o careca com código que o salvou. Aliás, acabou ajudando a matar.

Marcadores:

7 de Janeiro de 2008

Control

Estreiando por aqui com o costumeiro atraso de mais de um ano, Control foi dirigido pelo fotografo e também diretor de video clipes Anton Corbijn e teve seu roteiro adaptado do livro Touching From a Distance, escrito por Deborah Curtis, que também assinou a co-produção do filme.

Todo rodado em belíssima fotografia preto e branco, o filme conta a história de Ian Curtis (Sam Riley), vocalista do hoje mítico Joy Division e que se suicidou aos 23 anos, pouco antes da banda embarcar em sua primeira turnê pelos EUA.

No filme, Ian é retratado como uma pessoa reclusa e instrospectiva, que vive com seus pais e sua irmã em um apartamento em Macclesfield, Inglaterra. Sem nenhum interesse pelos estudos e mais preocupado em aplicar pequenos golpes p/ conseguir drogas, ele passa a maior parte do tempo ouvindo Bowie e escrevendo poesias.

Em meio a toda essa "agitação", ele conhece Debbie Woodruff (Samantha Morton) e sem se importar com o fato dela ser namorada de seu amigo Nick e de ambos serem muito jovens, eles acabam ficando juntos e se casam após poucos meses de convivência.

A vida de casados de Ian e Debbie cai na rotina, com ele trabalhando em uma agência de empregos e ela vivendo como uma dona de casa, mas esse quadro começa a mudar quando em meio a uma conversa despretensiosa com Bernard Sumner, Peter Hook e Terry Mason após um show do Sex Pistols de 1976, ele se candidata a vaga recém-aberta de vocalista da banda, a princípio chamada Warsaw.

Depois do encontro, logo vemos o nervossismo do primeiro show, a gravação do EP An Ideal for Living já sob o nome Joy Division, a histórica apresentação que fez o "malandro" Rob Gretton tornar-se empresário da banda e que também levou o lendário Tony Wilson a chamá-los p/ tocar Transmission em rede nacional e logo em seguida assinar um contrato usando seu próprio sangue como tinta.

Em meio a uma série de turnês, Ian passa a negligenciar cada vez mais sua mulher e a filha recém-nascida do casal e também descobre ser epilético, passando a ter que tomar remédios que o tornam cada vez mais depressivo, principalmente quando misturados a bebidas alcoolicas, o que ele costumava fazer com frequência.

Em Londres ele conhece Annik Honoré (Alexandra Maria Lara) e os dois logo se tornam amantes, o que de certa forma também acaba trazendo mais um conflito para a cabeça de alguém que já se encontrava debilitado pela doença e pelos remédios e que agora também passa a ser assombrado por seus próprios medos e inseguranças.

Seguindo dai até o seu trágico desfecho, o roteiro mostra algumas falhas e o filme perde um pouco de sua força ao tratar esses problemas de uma forma um tanto quanto simplória e superficial, sem assumir riscos e ao preferir dar mais ênfase a indecisão de Ian entre as mulheres de sua vida, cai um pouco no melodrama e deixa de lado temas mais pesados e talvez até mais interessantes e profundos.

Se esses temas tivessem sido melhor explorados o filme seria perfeito, mas mesmo com essa quebra de ritmo e com a falta de coragem de em certos momentos "colocar o dedo na ferida", Control se mantem nos trilhos a maior parte do tempo e presta uma justa homenagem a memória do genial Ian Curtis e seu Joy Division.

Marcadores: ,

5 de Dezembro de 2007

O Passado

O passado para muitas pessoas é algo incômodo. Que o diga Rimini, personagem interpretado por Gael Garcia Bernal no filme O Passado, dirigido pelo argentino erradicado no Brasil Hector Babenco.

O filme tem origem no romance homônimo do escritor argentino Alan Pauls e narra a história do já citado Rimini e Sofia, que se casaram ainda adolescentes e após mais de uma década de união resolvem se separar. A partir daí, ele tenta recompor sua vida, se envolvendo em novos relacionamentos, mas nunca sem conseguir de vez se desvincular de sua ex-mulher.

O longa flui entre a comédia e melodrama, explicitando através do personagem de Bernal um tipo de homem que se revela fraco, acuado quando o assunto é mulheres. É um tipo irritante (para o público masculino), que sofre demais a cada separação, que não consegue fugir do ciúmes de suas parceiras, nem das chantagens e provocações.

Sofia, sua ex-mulher, sofre de uma obsessão que beira a loucura. Vera, a namorada de Rimini pós-separação possui um ciúme doentio, que acarreta numa das cenas mais curiosas do filme, quando ela revela de forma chocante não tolerar que mulher alguma chegue perto dele, nem mesmo uma menina com cerca de dez anos.

Ele, que é um tradutor-intérprete, começa a ter problemas com sua memória. Casa com Carmem, sua terceira parceira, e é ajudado por ela, já que os problemas com a memória se agravam e ele não consegue mais trabalhar. A fraqueza de Rimini aumenta, pois passa a ser sustentado pela mulher.

Separa-se novamente e após uma confusão não pode mais se aproximar do filho que teve com Carmem. Chega ao fundo do poço, tentando recomeçar novamente sua vida, mas a prisão psicológica e física que Sofia impõe a ele impede seu “vôo para novos ares”.

Babenco, acostumado com filmes de temáticas socias, como Carandiru (2003), Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) e Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981) tornou O Passado num filme consistente, sincero e cativante. Obviamente as atuações de Gael Garcia e Analia Couceyro (Sofia) são grandes vetores para a qualidade do filme. Mas não só. Babenco consegue extrair de ambos os personagens muito realismo, mostrando que Rimini e Sofia são pessoas que convivem conosco todos os dias. Mostra, também, com sagacidade que a separação é uma etapa difícil, mas que pode ser superada (após muito sofrimento, é claro...).

O slogan do filme “a separação também pode ser parte de uma história de amor” sintetiza muito bem o espírito do longa. É um filme suave, mas que faz com que os expectadores reflitam bastante sobre sua própria condição, sobre seus amores e envolvimentos. Babenco realizou um ótimo filme. E fica o recado: se o amor não for suficiente para manter um relacionamento, tenha bastante fotos nas mãos.

Marcadores:

6 de Novembro de 2007

Não Por Acaso

Não Por Acaso marca a estréia de Philippe Barcinski (Palíndromo) na direção de longa-metragens e traz em seu elenco principal Rodrigo Santoro (Pedro), Leonardo Medeiros (Ênio), Letícia Sabatella (Lúcia), Branca Messina (Teresa), Rita Batata (Bia) e Graziella Moretto (Mônica).

O filme conta as histórias de Pedro e Ênio, dois homens meticulosos e obcecados pelo controle de tudo o que acontece em volta deles, seja na vida pessoal ou na profissional. O primeiro é um especialista na construção de mesas de sinucas, enquanto que o segundo é um engenheiro de trânsito que controla o fluxo dos faróis da cidade de São Paulo.

Pedro namora com Teresa, uma jovem estudante de "classe alta" que decide abrir mão de tudo para ir morar com ele. Já Ênio tem uma filha com Mônica e passados mais de 16 anos nunca sequer se interessou em conhecê-la. Essas histórias a princípio tão distintas acabam por se cruzar em uma tragédia que faz com que ambos percebam que certas coisas não podem ser previstas e nem tão pouco controladas, fazendo com que eles tenham que lidar com uma dessas situações que a vida de vez em quando nos apresenta, sem aviso e de uma hora pra outra.

Partindo desse argumento, a história pode até parecer simples e previsivel, mas se engana quem pensar isso, pois as atuações minimalistas, contidas e pra lá de competentes de todo o elenco principal, uma escolha de trilha sonora mais do que acertada e uma fotografia lindíssima da cidade de São Paulo, transformam o filme em algo absurdamente belo e poético, que acaba tocando o espectador pela sensibilidade e delicadeza com que trata a jornada desses dois homens em busca do renascimento.

Quem não pôde assistir ao filme nos cinemas, reserve um tempinho na agenda e corra para a locadora mais próxima, pois hoje em dia é difícil encontrar um filme que consiga emocionar sem ser piegas ou apelativo e que ao mesmo tempo também te faça parar para pensar, refletir e quem sabe até perceber que nada é mesmo por acaso.

Marcadores:

24 de Outubro de 2007

A Prova de Morte

Grindhouse é um termo usado pelos americanos para definir os cinemas nos quais são exibidos filmes da chamada "exploitation", que tem como marcas registradas as tramas recheadas de sexo, violência e temas bizzaros, além de ainda contar com o fato de que em uma mesma sessão podem ser exibidos dois ou até mesmo três filmes na sequência.

Partindo dessa idéia, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez decidiram fazer uma homenagem a esse gênero de filme e criaram respectivamente A Prova de Morte e Planeta Terror, que são dois filmes com histórias completamente diferentes, mas que assim como nos velhos cinemas dos anos 70, seriam exibidos na sequência e teriam apenas alguns trailers falsos os separando.

Os filmes estrearam lá nos EUA em 06 de Abril sob o título de Grindhouse, mas em quase todo o resto do mundo eles tiveram suas versões extendidas e foram lançados como se fossem dois filmes diferentes.

A Prova de Morte apareceu só agora aqui no Brasil e conta a história de um dublê psicopata que mata mulheres com seu carro literalmente "A Prova de Morte". O sujeito atende apenas pelo nome de dublê Mike e é vivido por Kurt Russell, que continua canastrão como sempre e por isso mesmo foi a escolha perfeita para o papel. Para não fugir da premissa, as vítimas do dublê Mike teriam que ser mulheres sexy e fortes e essa tarefa fica a cargo do time de beldades formado por Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead, Zoë Bell e Rose McGowan.

Como o intuito do filme era de homenagear um determinado gênero e tentar divertir os espectadores, a história em si não merece nem uma análise mais detalhada, mas ainda assim vale dizer que o diretor conseguiu colocar sua marca registrada na película e novamente nos traz aqueles ótimos diálogos, cheios de referências e daquele seu humor peculiar, além de personagens sempre envolvidos em situações que vão do corriqueiro ao bizzaro em questão de segundos e quase sempre de forma original e até mesmo hilária de tão trash.

Aliás, não estranhe se durante as quase duas horas de projeção você notar que cenas são cortadas abruptamente enquanto outras simplesmente perdem a cor ou são rapidamente substituídas por um pedaço de outro filme, já que se isso acontece é apenas porque tanto Tarantino quanto Rodriguez usaram diversas técnicas para fazer com que seus filmes se parecessem com os que eram exibidos naqueles cinemas americanos nos anos 70 e isso logicamente inclui seus diversos defeitos.

Quem espera um novo Cães de Aluguel ou quem sabe um outro Pulp Fiction talvez não vá se satisfazer com A Prova de Morte, mas pra quem está a fim de ir ao cinema e se divertir sem preocupação com uma justa homenagem aqueles filmes que foram e que ainda são feitos com pouco dinheiro e apenas para entreter, tá ai um prato cheio.

Marcadores:

17 de Outubro de 2007

Kurt Cobain About a Son

Kurt Cobain About a Son é um documenário dirigido por AJ Schnack que estreou no Toronto International Film Festival do ano passado e que traz o audio das entrevistas que o jornalista Michael Azerrad fez com Kurt Cobain para o lançamento do livro Come As You Are: The Story of Nirvana.

O filme irá estrear oficialmente só em Outubro desse ano e é importante dizer que não trará nenhuma performace musical do Nirvana, já que o intuito aqui é tentar mostrar um pouco mais desse ser humano excepcional e cheio de contradições, mesclando seus depoimentos, que transitam entre engraçados, percepitivos, paranoícos, raivosos e depressivos, a uma trilha sonora composta por bandas que o influenciaram (Queen, Black Sabbath, David Bowie, Big Black, The Melvins, The Vaselines, Bad Brains e Mudhoney) e a imagens dele, da banda, de fases de sua vida e até mesmo de pessoas e lugares de sua cidade natal.

Em tempos de mostra de cinema aqui na sempre nublada e maravilhosa São Paulo, tá ai uma ótima dica para todos aqueles que curtem arte, musica, cinema e logicamente, Kurt Cobain e o Nirvana.

Marcadores:

27 de Setembro de 2007

Tropa de Elite

Tropa de Elite talvez seja o filme nacional mais discutido dos últimos tempos, só que toda essa discussão não se deu pelos méritos ou defeitos artísticos da película e sim pela venda de cópias piratas por camelôs e pela sua distribuição através da internet quase dois meses antes de sua estréia nos cinemas.

O filme dirigido por José Padilha (Ônibus 174) foi escrito por ele e pelo ex-capitão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) Rodrigo Pimentel e conta a história de Nascimento (Wagner Moura), um capitão de uma unidade do BOPE do Rio de Janeiro que está prestes a ser pai pela primeira vez e que se vê no dilema de encontrar um substituto a altura para comandar sua unidade.

Praticamente todo narrado em off, pouco a pouco vamos conhecendo a história do capitão e também dos aspirantes Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro), dois amigos de infância que entraram juntos para a polícia militar e que acabam chegando ao BOPE devido a sua honestida e até mesmo inocência diante de um batalhão de policiais corruptos.

O trio de atores principais está impecável, mas o destaque absoluto é mesmo Wagner Moura. Ele consegue demonstrar como poucos todas as nuances e conflitos pelos quais seu personagem passa, tendo que ser frio e sanguinário quando está no comando, porém frágil e até mesmo amedrontado quando está ao lado de sua esposa e de seu filho recém-nascido. Caio Junqueira e André Ramiro não ficam atrás e representam respectivamente a força e o cérebro, sendo um mais atirado e o outro (a princípio) bem mais contido.

No meio dessas histórias paralelas e que fatalmente acabarão por se cruzar, o BOPE age de forma bruta, desumana e eficaz, sendo mostrado como uma força acima de qualquer outra e como a solução (para o bem ou para o mal) de todos os problemas no Rio de Janeiro, sejam eles causados por policiais corruptos, traficantes ou até mesmo por "playboys" com segundas intenções.

Não há como negar que o filme certamente irá desagradar aos socialmente mais antenados tanto pela chamada "violência necessária" quanto pelos personagens estigmatizados, mas se você não for daqueles que fica reparando nisso o tempo todo, irá se deliciar com um filme policial de ação ininterrupta, com ótimos efeitos, atuações impecáveis e que dessa forma, se coloca fácil lado a lado das boas produções estrangeiras do gênero.

Marcadores:

12 de Setembro de 2007

Indiana Jones And The Kingdom Of The Crystal Skull


Segundo o site oficial da franquia, Indiana Jones And The Kingdom Of The Crystal Skull será o título do quarto filme que trará novamente as telas o nosso arqueólogo favorito, sendo que o mesmo será lançado no meio do verão americano do ano que vem.

Por tudo o que se tem lido a respeito, parece que o script se manterá bem proximo daquele escrito por Frank Darabont tempos atrás, por isso, tudo leva a crer que Steven Spilberg e George Lucas não mexeram nele tanto quanto deram a entender e que agora só nos resta esperar por mais uma grande aventura do Dr. Jones.

Marcadores: ,

6 de Setembro de 2007

Trailer do Homem de Ferro: 10/09

O filme do Homem de Ferro é um dos mais aguardados por todos nós aqui do doidos, a ansiedade nos corrói a cada dia hehehe...

Bom, esse final de semana vai ser longo para nós... Isso porque Jon Favreau, diretor do filme, anunciou em seu blog que o primeiro trailer do filme será lançado no dia 10 de setembro! Sim, isso mesmo, segunda-feira...

O trailer deve trazer muitas das cenas que já foram apresentadas no painel do filme na Comic-Con 2007 e algumas novas. A adaptação da HQ da Marvel é estrelado por Robert Downey Jr. e estréia em 2 de maio de 2008.

Confira o vídeo apresentado na Comic-Con 2007:

Marcadores: ,

30 de Julho de 2007

Across the Universe


Across the Universe é um musical dirigido por Julie Taymor que deverá estrear em 28 de Setembro desse ano lá nos EUA. O filme se passa no final dos anos 60, começo dos anos 70 e irá incorporar as músicas dos Beatles a história de amor escrita por Ian La Frenais e Dick Clement.

O filme parte das docas de Liverpool e vai até a psicodelia criativa do Greenwich Village, passando pelos protestos nas ruas de Detroit e pela matança nos campos do Vietnã. No meio de tudo isso, conhecemos o casal formado por Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood), que juntamente com um pequeno grupo de amigos e musicos são jogados dentro dos emergentes movimentos contra-cultura e anti-guerra, tendo Dr. Robert (Bono) e Mr. Kite (Eddie Izzard) como seus mentores. Essa vida tumultuada aliada a algumas situações que acabam fugindo ao controle de ambos, acaba separando o jovem casal e os força a lutar contra as dificuldades, a fim de encontrar uma forma de voltarem um para o outro.

Assim como aconteceu em Moulin Rouge, me parece que essa é mais uma ótima tentativa de modernizar o já batido gênero dos filmes musicais e levando em conta o material que será usado, sem dúvida nenhuma esse deverá ser um filme no mínimo muito interessante p/ todos os amantes de cinema, musica e claro, dos Beatles! Por isso, aproveitem a dica e desde já fiquem de olho nas futuras datas de estréia do filme aqui em terras tupiniquins.

Marcadores: ,

28 de Julho de 2007

Muito Mais do que Máquinas

Que o planeta Terra vive sobre ameaça de destruição, todo mundo sabe. Que os Estados Unidos são alvos preferidos por forças alienígenas, não é segredo algum. Que a raça humana é burra e existe um número bem finito de pessoas “boas” é bater na mesma tecla.

Que Transformers é mais um Blockbuster é senso comum, o que poucas pessoas talvez saibam é que o filme é bom sim, muito bom. Com o intuito único de entreter os espectadores, o diretor Michael Bay (Bad Boy, Pearl Harbor, Armageddon) fez um filme certeiro, para um projeto ousado e, muitas vezes, desacreditado.

Os Autobots e os Decepticons são personagens famosos da década de 80. Há uma legião de fãs fiéis aos robôs, que se popularizaram em desenhos e brinquedos. E este foi um dos grandes desafios para os envolvidos com o longa: agradar o público em geral e, principalmente, os fãs.

Transformers sofre com alguns probleminhas. Cenas previsíveis entre os protagonistas, pequenas mudanças com relação ao projeto original e dúvida na montagem do filme (muitas cenas cortadas estarão disponíveis apenas no DVD). Porém, tem muitos méritos, o que torna o filme uma das melhores produções do ano.

Para começar — e como não poderia ser diferente — os robôs dão um show. O layout, com os rostos que expressam os sentimentos das máquinas, as transformações, as cenas de ações, tudo muito bem executado. E fica muito melhor com a direção de Bay, acostumado com explosões, perseguições e com filmagens na rua — nada de sets.

Outro ponto positivo é o tom de humor que permanece por todo o filme. É um humor leve, sutil e que cai bem ao longa. Para completar, um dos fatores determinantes para o sucesso de Transformes foi, sem dúvida, a direção executiva do mago Steven Spielberg. O produtor Tom DeSanto teve que batalhar muito para tirar o projeto do papel e valeu a pena. Spielberg com seu conhecimento e dinheiro, deu o toque necessário ao filme.

Tudo começa com Sam Witwicky (Shia LaBeouf) tentando vender quinquilharias de seu tataravô no site Ebay para juntar uma quantia necessária para ganhar um carro do pai. O que ele não sabia é que seu tataravô havia descoberto um dos maiores segredos da raça humana. As coordenadas do local onde está o Cubo, objeto de disputa dos robôs, estão inscritas nos óculos do Senhor Witwicky.

Rastreando pela Internet, Optimus Prime, líder dos Autobots, chega até o jovem Sam, que acompanhado de Mikaela Banes, sua amada, e de Bumblebbe, Jazz, Ratchet e Ironhide, os subordinados de Optimus, defenderão a Terra do ataque dos Decepticons.

Apesar do enredo simples, o filme ganha contornos políticos e clara alusão ao militarismo americano. Quando os primeiro Decepticons atacam soldados americanos, o serviço secreto começa a trabalhar os possíveis responsáveis pela onda de ataques: chineses, iraquianos...

Mas isso fica em segundo plano. O que realmente conta é que Transformers é um ótimo entretenimento. O Blockbuster é apontado como um dos principais filmes do ano e quem vai conferi-lo sai com essa sensação, de que realmente o que falam por aí não é apenas boato.

Marcadores:

26 de Junho de 2007

Gente muito atormentada


Com certo atraso, chegou às minhas mãos o DVD do polêmico filme coreano Oldboy. Na época de seu lançamento — 2004 — o filme causou um certo frisson nos expectadores. As opiniões, que divergiam entre o brilhantismo e a insanidade do longa, brotavam em discussões acaloradas.

E essa ebulição não foi à toa. O filme realmente é brilhante. E insano. Ou melhor, doentio. Com um roteiro de fazer qualquer psicopata ficar sem ar, uma atuação pra lá de boa do protagonista Choi Min-sik e uma direção certeira, Oldboy virou coqueluche nos círculos alternativos e foi premiado com o Grande Prêmio do Júri, em Cannes, edição 2004.

Em suma, o filme é sobre vingança. Oh Dae-su é um pai de família que em certo dia é detido na delegacia por bebedeira. Ao sair de lá, ajudado por um amigo, vai direto para uma cabine de telefone ligar para sua filha, que completava 3 anos no dia.

Enquanto o amigo falava com a filha de Oh Dae-su, este some, reaparecendo em outra cena em um quarto, onde permaneceu 15 anos de sua vida, sem sequer suspeitar o motivo. Durante sua “estadia” no quarto, acompanhou o noticiário da morte da sua mulher, sendo ele o acusado de ter cometido o assassinato.

Paranóico, após tanto tempo preso, sozinho, Oh Dae-su é libertado, almejando apenas vingança e notícias sobre sua filha. Porém, sua vingança será bem mais amarga do que ele poderia imaginar e as conseqüências de seus atos serão revidadas de modo cruel.

Oldboy tem seu roteiro escrito pelo diretor Park Chan-wook, em companhia de Hwang Jo-yun e Lim Joon-hoon e é baseado em um manga de Tsuchiya Garon e Minegishi Nobuaki, o que explica algumas cenas surreais de violência. Fora isso, a trama armada, o desenrolar da estória, as alternâncias entre drama e humor, e outras bizarrices como polvo vivo sendo engolido por Oh Dae-su fazem de Oldboy um dos melhores filmes já rodados. (O polvo estava mesmo vivo e foi preciso 4 moluscos até se chegar à cena final).

A lição que fica, além da reflexão dos limites a que se pode chegar um ser humano para sobreviver e para se vingar, é de que cinema bom, cinema forte e de impacto está além, muito além das linhas do país que fica entre o Canadá e México.

Oldboy surpreende em todos os sentidos e com certeza ninguém sairá imune ao filme. E eu que pensava que o Tarantino era praticamente insuperável..... Eita gente atormentada.

Marcadores:

25 de Junho de 2007

Half Nelson foi lançado lá fora em Agosto de 2006, mas infelizmente só foi exibido por aqui em festivais de cinema e segundo apurei, ainda não existe uma previsão para o seu lançamento em terras tupiniquins.

Escrito por Anna Boden e Ryan Fleck, que também assina a direção, o filme conta a história de um jovem professor de história idealista (Ryan Gosling) e viciado, que estabelece uma indesejada ligação com uma de suas alunas (Shareeka Epps) quando ela o encontra totalmente chapado após um jogo de basquete.

Durante aproximadamente uma hora e quarenta e cinco minutos de projeção, acompanhamos acontecimentos na vida de ambos que acabam por aproximá-los, transformando o desconforto inicial em uma amizade sem julgamentos, que dá a eles algo que não tinham, ou seja, aquele tipo de companhia e companheirismo que todo ser humano precisa ter e que vez ou outra, faz com que vejamos as coisas por uma nova perspectiva.

Se você é daqueles que procura por ação, perseguições, explosões ou até mesmo pelas famosas reviravoltas mirabolantes, passe longe. Agora, se você gosta de um bom filme "independente" e que ainda por cima irá te fazer refletir por lidar com assuntos como vício, família, amizade e relacionamentos de uma forma delicada e carismática, fazendo um retrato fiel da natureza humana, então, pra você Half Nelson é imperdível.

Marcadores:

22 de Junho de 2007

The U.S. vs. John Lennon

The U.S. vs. John Lennon é um documentário de 2006 escrito e dirigido por David Leaf e John Scheinfeld que mostra um lado de John Lennon que o grande público não estava acostumado a ver nele como um membo dos Beatles, já que aqui o foco é a luta dele pela igualdade de direitos e pelo fim da guerra do vietnã durante o final dos anos 60 e início do anos 70 e a perseguição empreendida a ele pelo governo americano do então presidente Richard Nixon.

O documentário mostra os fatos que levaram a essa perseguição e a quase extradição de Lennon e para isso faz uso de arquivos secretos do FBI, de cenas e fotos nunca antes vistas do ex-Beatle em shows, passeatas, protestos e até em seu dia a dia, mesclados a depoimentos de ex-agentes do próprio FBI, além de personalidades como Angela Davis, Bob Gruen, Bobby Seale, J. Edgar Hoover, John Sinclair e Yoko Ono, entre outros.

Em tempos de internet, talvez seja difícil entender como era ser uma pessoa pública com uma opinião fortemente contrária a um governo que se caracterizou pela corrupção e pelo abuso de força e poder, mas o fato é que o documentário nos mostra que através de seus atos e até mesmo de sua ingenuidade, John Lennon se fez ouvir e foi perseguido por tentar lutar a seu modo pelos seus ideais e convicções.

Os mais céticos podem até reclamar que algumas lacunas não são preenchidas, como o famoso final de semana perdido, ou até mesmo que há um certo endeusamento quanto a pessoa que foi Lennon, mas a verdade é que o documentário cumpre exatamente o que propõe, ou seja, não julgar o homem e mostrar seus defeitos, que não eram poucos, mas sim mostrar que as vezes as atitudes e opiniões de apenas uma pessoa podem sim atingir mutidões e incomodar uma nação.

Give Peace a Chance!


Marcadores: ,

28 de Maio de 2007

Divulgado primeiro poster oficial de Fanboys


Fanboys é uma comédia que conta a história de cinco amigos apaixonados por Star Wars que decidem ir ao Rancho Skywalker, que fica do outro lado do país, com o objetivo de roubar uma cópia de Star Wars - Epsode I antes da estréia. A viagem é motivado pelo fato de um deles descobrir que está com câncer terminal e provavelmente vai morrer antes da estréia.

Já faz um bom tempo que o trailer dessa pérola saiu, mas o filme não chegou a estrear no cinema e foi adiado para 2008. O diretor Kyle Newman disse que houve um bom motivo para isso: A MGM colocou mais grana na produção. Com isso será possível filmar algumas cenas que não entraram antes por falta de grana e quem viu o trailer como eu já sabe o que pode esperar.

Essa semana foi divulgado o primeiro poster oficial sobre o filme que vocês podem conferir na foto desse post.

Outra notícia bacana sobre o filme é a possível participação do nerd master, Kevin Smith.

Veja o trailer aqui:

Marcadores: ,

15 de Maio de 2007

Cantora ataca como atriz

Amanhã, dia 16 de maio, a cantora americana Norah Jones estará na 60ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes, onde o primeiro filme em inglês de Wong Kar Wai, conhecido diretor chinês, abrirá o evento.

Em sua estréia como atriz, a cantora participou como a personagem principal e trabalhou com um grande elenco, que inclui David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte), Rachel Weisz (Jardineiro Fiél), Jude Law e Natalie Portman (ambos de Closer).

My Blueberry Nights foi rodado em Nova York, Memphis, Nevada e na lendária Rota 66 e traz uma história intimista de amor e descobertas. Ele estréia nos cinemas norte-americanos em junho, sem data prevista para o Brasil.

A jovem cantora atualmente está encerrando sua turnê canadense de seu mais recente trabalho, Not Too Late, e em junho começa a turnê americana. Após terminar esta fase, ela seguirá para uma série de show na Europa, que deverão ocorrer entre julho e agosto.

Marcadores: ,

3 de Abril de 2007

Jack White agora como ator


Depois de aparecer no curta Sobre Café e Cigarros, com Meg White e atuar em Cold Mountain ao lado de Jude Law, é a vez de Jack White interpretar Elvis Presley.

O vocalista do White Stripes participará de uma paródia de Johnny & June (cinebiografia de Johnny Cash - 2005), no entitulado Walk Hard, que também se trata de uma cinebiografia, porém de Dewey Cox.

Não conhece Dewey Cox? Não tem problema, até porque ele não existe mesmo. Este é o nome fictício dado ao personagem que misturará histórias de vários famosos cantores como Ray Charles e, inclusive, Johnny Cash. Ao longo do filme, Cox (John C. Reilly) conhecerá outras personalidades, incluindo Elvis.

Os demais atores do longa fazem parte da série The Office, do elenco de Saturday Night Live e até de As Loucuras de Dick e Jane. A direção é de Jake Kasdan (Orange Country – Correndo Atrás do Diploma).

Marcadores: ,

20 de Março de 2007

Programa agora vira filme!


O produtor de Borat (o mesmo dos filmes da Xuca e do Padre Marcelo), Diler Trindade, já voltou ao trabalho. Sua nova missão agora é levar o programa Pânico na TV para o cinema.

A produtora já afirmou que foi fechado um contrato para o longa, onde os principais “atores” serão surpreendentemente Wellington Muniz (Silvio) e Rodrigo Scarpa (Vesgo).

Agora é só esperar a grande repercussão que Pânico no Cinema terá, já que se apenas para programa eles promovem uma balburdia, imagine para as telonas então!

*Ainda no quesito besteirol, segue a dica do Blog do Vesgo para quem se interessar.

Marcadores: ,

9 de Março de 2007

Novos vídeos de 300

Hoje estréia nos EUA 300, adaptação da graphic novel de Frank Miller, e para deixar todos nós ainda mais ansiosos para ver o filme, que só estréia por aqui em 30 de março, encontrei esses dois vídeos do filme.

O primeiro é um novo trailer do filme classificado como "somente para adultos" por ter cenas de sexo e muito sangue. Já o segundo é um apanhado de cenas inéditas, ou nem tanto, que foram cortadas dos vídeos e trilers que já saíram até agora.




Marcadores:

25 de Fevereiro de 2007

The Corporation


As grandes corporações ditam as regras do mundo. E são também as grandes vilãs destes novos tempos. São os alicerces do capitalismo e a base da globalização. Estão em toda parte, em todos os países, criando e produzindo todos os tipos de serviços, dos mais vitais à existência humana aos mais banais e prejudiciais.

O documentário The Corporation, de Jennifer Abbott e Mark Achbar (EUA, 2003), tenta elucidar e questionar um pouco sobre o papel das grandes corporações e as conseqüências sobre os atos destas na vida das pessoas. Apresenta um amplo material sobre a ação de grandes empresas e ilustra de maneira divertida e perturbadora, através de entrevistas, o cenário no qual vivemos.

O mundo é regido pelo dinheiro, guiado pelo lucro. As grandes corporações trabalham em cima de estratagemas e persuasão para captar clientes, sempre visando cifras maiores para seus cofres. E muitas vezes, como se vê no documentário, essas estratégias não são éticas, não são honestas com os consumidores e principalmente com os funcionários e meio-ambiente.

O filme mostra depoimentos de pessoas que se voltaram contra o raciocínio frio de certas empresas e o ponto de vistas de pessoas que cansaram do mundo corporativo e de algumas que o defendem ferrenhamente.

Bem, é praticamente impossível, hoje em dia, escapar das corporações. Tudo o que consumismo é produzido, negociado por elas. Mas é possível observar em diferentes sociedades — e isso está no filme — um movimento contrário as grandes empresas, um movimentos de crítica, de não conformismo com as atitudes de certas empresas. Há atualmente uma nova mentalidade de consumo, um consumidor mais vigilante, ativo, que se preocupa com as grandes questões mundiais.

O reflexo disso é que as empresas precisam enxergar agora um ser humano, uma pessoa que possui sentimentos, posturas. Não há mais aquele posicionamento de se fazer o que quiser e quem quiser que compre. As empresas que agridem o consumidor, meio-ambiente, que trabalham de forma obscura, que exploram as pessoas, estarão em breve fora do jogo. A mentira acabou. Os consumidores buscam empresas transparentes, que se preocupam com o fator humano.

É assustador presenciar em The Corporation o que certas empresas conseguem fazer. Patentear material vivo, burlar leis, explorar pessoas. E mais: observar um corporativista defender de que tudo o que existe no planeta deve ser privatizado. Dificilmente uma idéia dessas vingaria nestes novos tempos. É insano.

E é importante ressaltar o trabalho de grupos, entidades, personalidades que trabalham para a construção de um futuro melhor. Não são as corporações as donas do planeta, somos nós, seres-humanos, consumidores.

Em um futuro breve, não seremos nós consumidores os dependentes das grandes corporações, elas é que serão dependentes de nós. Haverá uma relação mais estreita, mais humana. As empresas enfrentarão uma vigilância constante e a que não seguir este jogo estará fora. Por muito tempo as corporações devastaram o meio-ambiente, desrespeitaram leis e normas morais. Agora precisavam fazer o contrário. The Corporation deixou isso bem claro. Os consumidores cansaram de ser marionetes. Transformaram-se em ventríloquos. As empresas não são deuses, mas terão que agir de modo divino.

Marcadores:

5 de Fevereiro de 2007

Déjà Vu


É um dia de festa para os marinheiros de New Orleans e todos levam suas famílias para um passeio no rio mississippi. Todos estão felizes e festejando, quando derrepente KABUMMMM... Uma bomba explode e vai tudo pelos ares.

Déjà Vu, novo trabalho do Tony Scott (Chamas da vingança), pode ser considerado mais um desses filmes que abordam viagens temporais, realidades paralelas e afins, teorias muito bem abordadas em filmes como Minority Report (2002) e Efeito Borboleta(2004), mas o filme traz com consigo os seus próprios méritos e um deles é deixar essa abordagem às vezes meio que em segundo plano.

Aqui através das maravilhas da física e da tecnologia, é possível enxergar o passado 4 dias e meio antes ao momento atual. É como ver um filme em tempo real de 4 dias atrás, se é que algo que tenha acontecido à 4 dias pode ser considerado "tempo real". Isso é um tanto filosófico demais para esse post, portanto, vamos ao que realmente interessa aqui.

Doug Carlin (Denzel Washington) é o agente da ATF (Alcohol, Tobacco and Firearms) responsável pela investigação da explosão na balsa, enquanto segue a investigação surge no mesmo local da explosão o corpo queimado de uma mulher, Claire Kuchever (Paula Patton), mas que os legistas comprovam ter morrido algumas horas antes da explosão.

Doug acaba convidado pelo FBI para participar da investigação oficial do caso. Com isso ele é apresentado à uma nova tecnologia que está sendo testada pelo governo americano capaz de reconstruir o passado 4 dias antes na linha temporal através de fotos de satélite e tecnologias tridimensionais. Convencido de que a morte Claire está diretamente ligada ao atentado, Doug rapidamente pede que eles observem cada passo de Clarie nos dias que antecedem o desastre.

Quando passa a observar a rotina de Claire, Doug acaba meio que se identificando com àquela mulher que só veio a conhecer depois de morta e mesmo assim senti que há algo de muito familiar naquilo tudo. No entanto, ao perceber que Claire em alguns momentos parece estar interagindo com eles enquanto eles a observam, ele passa a desconfiar que aquilo tudo era muito mais que uma mera máquina que reconstrói o passado através de imagens de satélite e ao questionar os outros agentes sobre isso acaba descobrindo que na verdade se trata de uma janela na linha temporal aberta para o passado.

Vislumbrando a possibilidade de voltar ao passado e impedir todo esse desastre, Doug inicia uma corrida contra ao tempo para salvar Claire e as pessoas da balsa. Essa corrida propociona seqüências eletrizantes e vale citar a perseguição pelas avenidas da cidade onde Doug, no presente, persegue o terrorista 4 dias antes! A ironia nisso tudo é que essa corrida contra o tempo não é contra o tempo no presente ou no futuro e sim o passado, onde os fatos já aconteceram.

O filme foi completamente filmado em New Orleans depois da passagem do furacão Katrina e em alguns momentos as paisagens destruídas da cidade dão um sentimento mais profundo e doloroso às tragédias e de como seria bom se pudéssemos evitá-las antes que acontecessem, ou até mesmo voltar no tempo e mudar tudo.


Marcadores:

31 de Janeiro de 2007

O Homem Duplo


Baseado no livro de ficção científica A Scanner Darkly, do aclamado escritor Philip K. Dick, O Homem Duplo, dirigido e roteirizado por Richard Linklater, é uma filme-animação nada convencional. Utilizando uma técnica de animação singular, atores conhecidos, um roteiro intrigante e muita imaginação, o filme é um prato cheio para fãs de graphic novels e afins.

O Homem Duplo relata a história de um agente da polícia, Fred (Keanu Reeves), que se infiltra num grupo para poder descobrir mais sobre o tráfico de uma droga denominada “Substância D” e sobre o traficante Bob Arctor. Este começa, então, a espionar seus amigos Jim Barris (Robert Downey Jr.), Ernie Luckman (Woody Harrelson), Charles Freck (Rory Cochrane) e Donna Hawthorne (Winona Rider), a fim de encontrar o traficante ou ao menos obter mais informações sobre ele.

No entanto, Fred se encontra, em pouco tempo, numa situação difícil: ele descobre que o traficante Bob é ele mesmo, um duplo criado em sua mente pelo uso da Substância D. Sua neura piora quando ele, incumbido de investigar o tal traficante Bob — que é ele mesmo — se vê em gravações feitas em sua casa e tudo isso acompanhado pelos seus colegas de trabalho. Daí em diante é pura maluquice.

Além disso, a falta de privacidade, a desconfiança de tudo (aquele negócio de terrorismo, de não confiar em ninguém e temer a tudo) e a perda da identidade, contribuem para a degeneração de Bob (ou Fred), que terá mais uma chance de se regenerar e descobrir, de uma vez por todas, o que aconteceu consigo próprio.

A trama é diabólica e vai ficando cada vez mais asfixiante graças à técnica de animação empregada por Linklater. Denominada como rotoscopia interpolada, que consiste em “pintar” as imagens digitais feitas dos atores, a técnica garante uma vivacidade surpreendente das cenas, inclusive as que possuem muita movimentação e contribuem de modo muito positivo com a insanidade do filme. Preste atenção em todos os ganchos e se divirta com o final inusitado.

Para completar, no dia 5 de fevereiro estará disponível nas livrarias o livro de Philip k. Dick, o grande escritor de ficção contemporânea. O Homem Duplo será distribuído pela editora Rocco. Não perca essa dupla oportunidade.

Marcadores:

18 de Janeiro de 2007

Cartas de Iwo Jima


O drama Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, 2007) é o longa-metragem complementar de A Conquista da Honra, ambos dirigidos por Clint Eastwood e produzidos por Steven Spielberg. O ambicioso projeto do diretor, de recriar a sangrenta batalha de Iwo Jima, no Japão, durante a Segunda Grande Guerra, dedicando um filme a cada lado do combate, foi bem sucedido.

A Conquista da Honra trata a batalha sobre a ótica norte-americana, tendo como pano de fundo a famosa fotografia dos soldados estadunidenses hasteando a bandeira na ilha nipônica. O filme demonstra as fragilidades, emoções e conflitos dos combatentes, e todos os mitos e mentiras criadas sobre o conflito.

Desta mesma maneira é conduzido Cartas de Iwo Jima, filme que narra o lado japonês do combate. A partir de um grupo de militares, a história é recontada, baseada nas famosas (a exemplo da foto americana) cartas dos soldados japoneses, encontradas nos túneis onde combateram.

Tadamichi Kuribayashi é o tenente-coronel que lidera a ferrenha defesa nipônica. Com poder de fogo inferior ao americano, número de homens reduzido e tendo que cumprir um plano de guerra traçado pouco antes do combate, o exército japonês se apóia na bravura e disciplina de sua cultura para encarar os soldados ianques.

Kuribayashi viveu nos EUA e possuía uma relação amigável e um carinho pelo país, que só pode ser afetado por seu patriotismo e lealdade ao Japão. Exímio estrategista, ele foi o grande responsável pelos quase 40 dias de defesa da ilha. Conhecia bem seu inimigo e possuía uma relação de respeito com seus colegas combatentes, o que lhe rendeu grande respeito. Ao seu lado estava Baron Nishi, campeão eqüestre olímpico, Saigo, um modesto padeiro que deixou sua mulher grávida em casa para combater, Shimizu, um jovem policial, Ito, militar linha dura que se mataria caso precisasse se render, entre outros.

Cartas de Iwo Jima, assim como a Conquista da Honra, não visa mostrar quem são os vencedores e perdedores deste combate. Tenta e consegue mostrar o lado humano, a lealdade dos soldados com seus amigos, a incerteza, a dúvida com relação à posição em que foram colocados. É mais um filme sobre relações humanas do que sobre guerra. Com algumas digressões sobre as personagens citadas, o filme vai tracejando o destino de cada um durante a luta, expondo seus medos, defeitos e atributos.

O povo japonês é muito convicto de suas ideologias e em Cartas de Iwo Jima isso fica muito explícito. Os suicídios, a dedicação, o silêncio ante uma decisão de vida e morte, a concentração, o empenho, está tudo lá. Não é à toa que o filme já recebeu o Globo de Ouro de melhor filme falado em língua estrangeira (o filme é todo falado em japonês).

É impossível não ficar atônito a essas duas grandes produções. E não será surpresa nenhuma se Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra ser tornarem, juntos, os grandes vencedores dos prêmios do próximo Oscar. Confiram.

Marcadores:

16 de Janeiro de 2007

A Conquista da Honra


Poucos ousam questionar a importância e talento do ator, diretor e produtor Clint Eastwood. Ainda mais os que acompanham rigorosamente seus trabalhos. Clint parece ter encontrado uma fórmula para realizar filmes dignos de salas lotadas por todo o mundo e de elogios por todas as partes. Abordando temas delicados como estupro, eutanásia e guerra, o cineasta, desde 2003, vem realizando verdadeiras obras-primas.

Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, EUA, 2003), que contava em seu elenco com nomes como Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins, é um dos grandes filmes de Clint. O filme relata um fato ocorrido durante a infância dos três amigos: um deles sofreu abuso sexual. O fato teve desdobramentos quando os três já eram adultos. Tema delicado, mas tratado com maestria pelo diretor. Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004), que além do próprio Eastwood, conta com Morgan Freeman e Hilary Swank no elenco, narra a trajetória de uma boxeadora, os preconceitos que ela superou para se tornar profissional e o drama que passa após um acidente no ringue e o dilema que surge sobre a eutanásia. Não foi à toa o vencedor do Oscar de Melhor filme e melhor diretor, entre outros.

Agora o diretor nos presenteia com outro grande filme: A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, EUA, 2006), com previsão de estréia aqui no Brasil em fevereiro próximo. O filme, que tem como produtor Steven Spielberg, fala sobre a cruel batalha do Pacífico, na Ilha de Iwo Jima, entre japoneses e norte-americanos. Mas o filme não parte do convencional. Seu ponto de partida é a famosa foto dos seis soldados fincando a bandeira do EUA em uma montanha da ilha. No filme, a guerra é relatada e desmistificada através dos três soldados sobreviventes que ajudaram a hastear a bandeira, seus pontos de vistas, suas emoções e tudo o que ocorreu por causa da tal foto.

A Conquista da Honra é baseado no best-seller Flags of Our fathers, escrito por James Bradley e Ron Powers. Bradley é filho de um dos três soldados que estava na foto, John “Doc” Bradley, que pertencia ao corpo médico da Marinha estadunidense. A foto tirada por Joe Rosenthal, da Associated Press, é uma das imagens mais marcantes do século XX. Não pelas características técnicas e artísticas da teoria fotográfica, mas pela repercussão política e pelos mitos criados em torno dela. E é justamente em cima destes aspectos que Clint conduz o filme. O longa-metragem intercala cenas que mostram os três combatentes excursionando pelo país como heróis para arrecadar bônus de guerra e toda polêmica que surgiu em torno da foto e faz digressões dos combatentes nos momentos mais insanos e horrendos do combate.

John Doc Bradley (Ryan Phillippe), René Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach), Michael Strank, Harlon Block e Franklin Sousley são os seis combatentes que estão na foto. Destes, os três últimos foram mortos em combate. O filme circunda os aspectos psicológicos e emocionais de John, René e Ira, como cada um reage à supervalorização em torno da fotografia e as mentiras criadas para se arrecadar fundos para a guerra. A primeira polêmica é gerada quando René troca um dos nomes dos combatentes que estavam verdadeiramente na foto (na imagem não aparece o rosto de nenhum). Depois, a mídia questiona se a foto foi ou não encenada. Logo surge a história de que aquela bandeira hasteada na foto era, na realidade, uma substituta de uma outra que já havia sido levantada por outros soldados. E por fim, a parte mais relevante: o governo utilizou aquela imagem para mostrar uma vitória norte-americana, que decerto ocorreu, mas que custou milhares de vidas. Enquanto o país saudava os três combatentes, seus amigos já haviam morrido e muitos outros ainda se sacrificavam sem saber ao certo o porquê.

Sim, é um filme ousado. Primeiro pelas proporções do longa, o número de pessoas envolvidas e por toda a recriação da batalha. Segundo por tocar num tema interessante, principalmente no EUA, que é o impacto da mídia sobre as guerras (afinal eles adoram uma, não é?) e a questão do “herói”. Herói é aquele que mata por uma nação, que assassina sem saber exatamente o motivo? Herói é aquele se sacrifica por seu país ou por seus amigos? Como é citado no filme: “Heróis são criados pelo fato de precisarmos deles”. Os americanos adoram criar e cativar heróis (lembre-se que o Superman, o Homem Aranha, entre outros, são criações dos americanos) para se mostrarem superiores e para ajudar a montar uma imagem de vencedores, mesmo que isso não esteja acontecendo (Vietnã, por exemplo).

A Conquista da Honra é muito feliz quando aponta que os soldados podem até lutar pelo seu país, mas morrem pelos seus amigos, pelos combatentes que estão ao seu lado. È mais feliz ainda quando Ira, um dos combatentes, diz não suportar ser tratado como herói pelo simples motivo de só ter evitado não ter sido morto. Fora isso é impressionante o realismo do combate, as explosões, a câmera frenética transitando entre tanques de guerra, aviões, navios e corpos. É impressionante.

E Clint não para por aí. A ousadia é maior. Ele e Spielberg rodaram um outro filme, que contará o lado japonês do combate, Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima), todo falado na língua do Sol Nascente. É ousado, pois será a mesma história, no mesmo tempo e espaço, o que necessitará de atenção redobrada para não causar distorções entre um e outro.

Clint Eastwood continua preciso como os revólveres que empunhava no Velho Oeste. Mais um belo disparo.

Marcadores:

8 de Janeiro de 2007

A Grande Final


Restrito ao circuito alternativo e com estréia marcada para o dia 19/01, A Grande Final (La Gran Finale, Espanha /Alemanha, 2006) é um filme curioso. Tecnicamente é simples, divertido, mas vai um pouco além do trivial. Gerardo Olivares, diretor, escolheu a final da Copa do Mundo de 2002 para mostrar de uma forma bem humorada a dificuldade do acesso à informação para certos grupos étnicos e o impacto do futebol nos lugares mais austeros do mundo.

Não há praticamente nenhuma semelhança entre uma tribo indígena Amazônica, uma tribo nômade que perambula pelas planícies inóspitas da Mongólia e um grupo de negros no deserto de Niger, a não ser o desejo de acompanhar uma partida de futebol entre Alemanha e Brasil, partida esta que foi acompanhada por bilhões de pessoas.

Cada grupo encontra uma saída para conseguir acompanhar a grandiosa final da Copa. E durante esta aventura, as personagens constroem momentos divertidos, sutis, mas divertidos. Na Floresta Amazônica, ao som de Ari Barroso, quatro índios fazem o impossível para conseguir sinal para a velha televisão. Na Mongólia, os nômades procuram uma rede elétrica para ligarem o aparelho e no deserto o desafio é arrumar uma antena (a televisão é ligada na bateria de um caminhão). Até aí, nada demais, tudo muito “sem graça”. Mas é justamente aí que começa o divertimento. Pessoas tão diferentes, em lugares tão longínquos, criando soluções “alternativas” para assistirem uma partida de futebol é algo que chama a atenção.

Mas a partida, em si, não possui muita importância para o filme. O primordial é observar como o futebol une culturas tão distintas, como os valores destas estão sendo escamoteados pela cultura de massa (e o futebol é, sim, um meio de massificação) e como, ainda hoje, em um mundo globalizado, há comunidades isoladas, ou melhor, quase isoladas.

O humor fica por conta também das rivalidades geradas dentro dos próprios grupos, entre torcedores da Alemanha e do Brasil e da velha e conhecida (o velho clichê) briga entre homens e mulheres, já que elas não conseguem entender essa fixação religiosa por um jogo.

A Grande Final é, por fim, um filme simples, mas que vale a pena ser visto. Seu objetivo principal é entreter. No entanto demonstra que as culturas mais antigas do mundo estão perdendo sua particularidade e entrando, de modo gradual, no universo da cultura de massa. Basta relevar a cena de um dos índios dizendo a seus companheiros que possui uma camiseta original da Nike. Isso enquanto caçam.... Sinais dos novos tempos.

Marcadores:

2 de Janeiro de 2007

Keith Richards, o pirata...


Quando gravou o primeiro Piratas do Caribe, o astro Johnny Depp disse que tinha se baseado em uma lendária figura do rock para compor o seu personagem, o pirata Jack Sparrow, um beberrão quase junkie.

A figura em questão era ninguém menos que o Keith Richards (guitarrista dos Rolling Stones). Para as duas seqüências do filme surgiu a idéia de convidar o eterno junkie para interpretar o pai de Jack, e ele prontamente aceitou tal proposta, porém por dificuldade de agenda não pode participar do segundo.

No entanto na próxima seqüência da cinissérie, Piratas do Caribe - No fim do Mundo, todos poderão conferir a participação de Richards. Aparentemente será uma participação pequena, mas certamente muito interessante.

Dias atrás foi noticiado que as cenas já tinha até sido gravadas e que renderam alguns momentos de tensão e humor no set. Num deles Richards, depois de tomar "várias", estava meio que cambaleando na hora da cena e quando o diretor tentou firmá-lo, o stone soltou a seguinte pérola: "se você queria um cara firme, chamou o homem errado" (hehehe o cara é mesmo foda).

Bom, eis que saiu finalmente a primeira imagem de Richards vestido como o Sparrow pai, confiram acima.

Dica:

Comprei uma camiseta do Radiohead num site de uma galera lá do Paraná muito loka. A malha é bem legal, os preços são justos (hehe) e os caras entregam em tudo quanto é lugar, e eles também vendem bottons. Tudo baseado em bandas, como eles mesmos dizem "Música que veste".

Não é em qualquer lugar que podemos encontrar esses produtos com essa qualidade, principalmente em algumas regiões do país, então fica aí a dica. Pra saber mais sobre eles é só clicar na imagem abaixo e acessar o site.




Marcadores: ,

15 de Dezembro de 2006

O Tigre e a Neve


Depois do sucesso vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, A Vida é Bela (La Vita è Bella, Itália, 1997), Benigni atua e dirige outro surpreendente filme, O Tigre e a Neve (La Tigre e la Neve, Itália, 2005).

Attilio de Giovanni (Benigni) é poeta e professor universitário na cidade de Roma, na Itália. É um verdadeiro sonhador, de espírito livre, otimista e de um bom humor incrível. Com um perfil destes, Attilio não poderia se de outro jeito: é estabanado, esquecido e romântico. Seu grande desafio: conquistar Vittoria (Nicoletta Braschi), mulher pela qual nutre um amor arrebatador e que fará de tudo para ser correspondido.

A história se passa no ano de 2003. O mundo estava tenso com a eminente guerra no Iraque. Na universidade onde o poeta lecionava os ânimos dos alunos já estavam acirrados. Nesta época, Vittoria, que também era do meio literário, estava escrevendo um livro sobre um poeta iraquiano, Fuad (Jean Reno). Este passou por Roma para algumas palestras e, logo que estourou o conflito em seu país, retornou para lá. Querendo finalizar seu livro, Vittoria resolve, para infelicidade de Attilio, ir para Bagdá acompanhar Fuad.

Mas uma ligação no meio de uma madrugada de Fuad para Attilio, muda o destino de todos: Vittoria levou um tiro na cabeça, e encontrava-se em estado crítico. Attilio resolve então viajar o mais breve possível para ajudar sua amada. Após fazer de tudo para salvar Vittoria, Attilio é preso confundido pelos soldados americanos e preso por engano.

O filme tem todos os ingredientes de um grande romance. Mas é uma comédia (estamos falando de Roberto Benigni!) com momentos de romantismo, drama e críticas, de modo cômico, à guerra.

O filme é instigante. Primeiramente pelo tom humorado do “casal” Attilio e Vittoria. Ele, na ânsia de conseguir tê-la, a persegue pelas ruas de Roma, realizando cenas divertidíssimas. Ademais, Attilio é delicado e divertido, o que demonstra em cenas com suas duas filhas, por exemplo.

Somado a isso, a trama é bem montada, toda a narrativa, desde a tentativa de conquista de Attilio até o desfecho pós-viagem. É uma daquelas histórias envolventes, intrigantes e que com sutileza emocionam e agradam os expectadores.

Benigni é um grande profissional. Neste filme ele atuou, dirigiu e escreveu o roteiro em parceria com Vicenzo Cerami. Ele nos dá cenas e de raro valor. Uma delas muito divertida é uma cena em que leva Vittoria, de modo inesperado, ao seu apartamento. O seu modo desastrado de agir é impagável. Algumas pessoas reclamam, apesar de ressaltarem seu talento, que Benigi é muito exagerado, como disse um senhor no cinema, é muito palhaço. Realmente, em certas partes de o Tigre e a Neve, parece ser impossível manter um senso de humor como o de Attilio em meio a tantas coisas negativas. Mas que bom seria o mundo se houvesse muitos Attilios! Ele consegue tornar a vida mais suportável e como ele mesmo disse: “até para sofrer é preciso ser feliz”.

Mas as cenas mais “ricas” do filme ocorrem no Iraque. Apesar de uma comédia, o filme tem seu momento de reflexão quanto ao conflito e sobre até onde pode o amor levar um homem.

Uma das cenas de destaque é no hospital onde estava Vittoria. Havia muitas moscas no lugar e Attilio, ao encontrar um mata-moscas, declara ter encontrado uma arma de “destruição em massa”. Outra acontece no meio deserto quando a moto dele para por falta de gasolina e ele exclama: “eu sem gasolina no Iraque, que ironia...”.

Mas a frase que pode causar mais impacto nos expectadores não foi dita pelo personagem de Benigni, mas pelo poeta iraquiano Fuad ao interrogá-lo: “Você sabe por que existem as guerras? Porque o mundo surgiu sem os homens e acabará sem eles”.

Não deixem de ver esse grande filme!

Marcadores:

12 de Dezembro de 2006

O tiro de Apocalipse Now


Alguns leitores deste blog podem não ter assistido ao épico filme Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola (EUA, 1979), no entanto quase nenhum não ouviu pelo menos uma vez na vida o nome do longa-metragem.

O filme é um retrato da Guerra do Vietnã, a partir da ótica do capitão Willard (Martin Sheen) e de sua saga até chegar ao Camboja, onde ele deveria acabar com o ex-coronel norte-americano Walter Kurtz, interpretado de maneira impecável por nada menos que Marlon Brando.

Kurtz, após desertar o exército americano, montou um “vilarejo”, uma espécie de governo paralelo (se é que se pode chamar aquilo de governo...). No lugar havia corpos, ossos e sangue espalhado por todos os lados e centenas de vietcongues que apoiavam o Coronel.

Willard foi recrutado pelo serviço de inteligência estadunidense (entre os militares que o recrutaram está Harrison Ford, ainda sem rugas!), e contou com a ajuda de quatro oficias para atravessar o Vietnã e chegar ao Camboja: Chief Phillips (Albert Hall), Chef (Frederic Forrest), Lance Johnson (Sam Bottoms) e Tyrone 'Clean' Miller (Laurence Fishburne, o Morpheus de Matrix, que neste filme deveria ter uns 15 anos no máximo).

Durante o percurso, Willard acompanhava com atenção as loucuras que o conflito causava nos combatentes. O General aloprado que surfava em meio a bombas, o assassinato de inocentes sem clemência pelos soldados, a sujeira, o caos, o HORROR..., enfim, todo lado obscuro do ser humano, revelado por uma guerra, que a exemplo de outras, é injustificável.

Bem, o filme é por si só um presente para cinéfilos e não-cinéfilos. Vencedor do Oscar de melhor fotografia e som, além de outras indicações, incluindo de melhor filme e direção, o filme tem dois outros pontos altos: primeiro, os bastidores do longa foram um capítulo à parte, com direito a um documentário para mostrar a insanidade que foi a filmagem; segundo por tratar de um assunto que incomoda ainda hoje muito americano. Apocalipse Now é de 1979, mais ou menos quatro anos após o cessar fogo definitivo. A opinião pública ainda estava em alvoroço por causa da entrada do país numa guerra que teve como pretexto o alinhamento do Vietnã do Norte com o comunismo e o bombardeio de dois de seus navios que trafegavam pela região, o USS Maddox e USS C.Turney Joy.

Pois bem, de 2000 para cá, quantas vezes isso se repetiu? Afeganistão, Iraque..., quem sabe agora Irã e Coréia do Norte. A política armada estadunidense nunca mudou e dificilmente mudará e Apocalipse Now foi um dos poucos filmes que demonstrou, da maneira mais honesta, os dois lados de um conflito e o HORROR por ele causado. Quem assistiu a Pearl Harbor entende perfeitamente. Os americanos perderam o conflito, este que, aliás, serviu de pretexto para a entrada do país na Segunda Guerra. No entanto quem saiu moralmente vitorioso foram eles próprios (na figura de Ben Affleck).

Apocalipse Now não foi importante apenas como um filme, como uma expressão artística. Foi mais. Coppola teve a coragem de retratar um assunto que tirou o sono do governo americano, de uma forma que, se não foi o mais honesto possível, chegou perto. Ou será que as pessoas acham que o que aparece nos filmes do Rambo é verdadeiro?

Para finalizar, não poderia deixar de citar a música-tema do filme, The End, do The Doors. Escolha muito feliz. Além de ser um clássico, reflete bem o espírito do filme. Torçamos para que as próximas trilhas sonoras sejam mais felizes. Valeu Coppola.

Marcadores:

8 de Dezembro de 2006

Novo trailer de 300


A Waner divugou o novo trailer de 300 um dos filmes mais aguardados por todos aqui no Doidos.

O filme que vai levar ao cinema uma da melhores HQs de todos tempos escrita pelo genial Frank Miller (Sin City), ganhou a melhor prévia até agora. Simplesmente INSANO! Nem vou falar muito sobre isso apenas assita e tire suas próprias conclusões.

O filme está previsto para chegar no Brasil em 30 de março de 2007 e tem o brasileiro Rodrigo Santoro no papel do imperador persa, Xerxes.

Marcadores: ,

5 de Dezembro de 2006

The Science Of Sleep


Quase que por acaso, me deparei esses dias com o trailer de "The Science Of Sleep", filme escrito e dirigido pelo francês Michael Gondry, o mesmo cara que dirigiu "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças".

Para minha grata surpresa ele aparentemente acertou de novo e no trailer vemos mais uma história de amor recheada de efeitos e de situações que nos fazem lembrar imediatamente de seu filme anterior, acompanhada de uma trilha sonora que passa por Velvet Underground, Strokes e Death Cab For The Cutie.

O enfoque dessa vez é um pouco diferente e apesar de também falar do relacionamento de duas pessoas, agora essas pessoas parecem ter sido feitas uma para outra, só que para ficarem juntos eles tem que lidar com problemas relacionados ao que é real ou imaginário e ao mundo dos sonhos no qual vive um dos personagens.

O filme ainda não estreou por aqui, mas se cumprir o que o trailer promete, fiquem ligados p/ o que pode ser um dos filmes do ano.

Marcadores:

Os Infiltrados


Os Infiltrados, novo filme de Martin Scorsese, estreou aqui no Brasil a cerca de 2 ou 3 semanas atrás, mas como sei que ele ainda continua em cartaz em alguns cinemas, resolvi escrever uma pequena resenha p/ quem sabe assim fazer com que os poucos gatos pingados que acessam esse blog saiam da frente do computador p/ ir ao cinema assistir a esse filme simplesmente imperdível.

O filme marca a volta de Scorsese ao gênero que o consagrou e conta a história de um policial infiltrado (Leonardo DiCaprio) na quadrilha de um gangster irlandês magistralmente interpretado por Jack Nicholson, que por sua vez também tem um membro de sua gangue infiltrado na policia (Matt Damon).

Refilmagem do chinês "Conflitos internos" (Wu jian dao), Scorsese preferiu não assistir ao original e construiu sua fábula sobre gangster e policiais em cima do roteiro original e o resultado é nada menos do que fantástico, fazendo de "Os Infiltrados" provavelmente o melhor filme do ano e para muitos (inclusive eu), mais uma obra-prima de Scorsese!

Contando com atuações inspiradas de todo o elenco, um roteiro recheado de humor negro, cinismo e violência, uma trilha sonora de 1ª (Lennon, Stones, Pink Floyd, ...) e personagens sempre andando sobre a tênue linha que separa o certo do errado, o filme faz com que o espectador fique grudado na cadeira durante suas mais de 02:30:00 de projeção e não decepciona, trazendo ainda um desfecho trágico, violento e p/ lá de poético.

Até poderia falar um pouco mais sobre a história e sobre os personagens, mas não vou estragar a surpresa de vocês, então, só posso dizer que o filme é tudo isso sim e se existe um lugar em que você deveria estar agora é em frente a tela do seu cinema preferido assistindo "Os Infiltrados"!

Marcadores:



© 2003-2009 Doidos Varridos. Arte por Victor Farat.
Todos os direitos reservados.