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24 de Junho de 2008

Go Speed Racer Go

Como nostalgia é algo bom. Um ser nostálgico é um ser feliz. Nada melhor do que ficar recordando desenhos, filmes, séries, baladas e outras tantas coisas que nos fizeram em algum momento felizes.

E ainda bem que tem gente competente que sabe disso. Falo dos irmãos Wachowski, que estão de volta. Após o sucesso arrasa quarteirões de Matrix, qualquer filme que traga o sobrenome da dupla é motivo de alvoroço, afinal Matrix foi uma produção quebra paradigmas, com um conteúdo tão complicado que até hoje há diversas teorias para entendê-lo.

E não é para menos, afinal a dupla devora livros e revistas que tratam de temas como física, religião, filosofia, história, entre outros, todos estes expostos na trilogia acima citada. Porém, dessa vez o conteúdo altamente cabeça foi substituído pela ação e entretenimento dos desenhos, mas sem deixar marcas que tragam o toque cinematográfico peculiar dos irmãos.

Speed Racer é a nova produção dos Wachowski. Baseado na série Maha Go Go Go, de Tatsuo Yoshida, Speed Racer, nome internacional do personagem Go Mifune, ganhou as telinhas no final dos anos 60, virando um fenômeno na década de 70 e tendo bastante destaque na década seguinte.

O animê coqueluche, após muitos anos divertindo ao menos duas gerações, ganhou sua primeira versão nas telinhas e o resultado foi um dos melhores possíveis. Com um visual altamente psicodélico, com cores tão intensas que é difícil acreditar que possam ser criadas, bastante ação e adrenalina, o filme diverte e tira o fôlego do expectador.

O filme agrada tanto crianças, que nunca ouviram falar de Speed Racer, quanto adolescentes que já tiveram contato com o desenho e principalmente o pessoal com 40, 50 anos de idade, público que cresceu se divertindo com a família Racer.

Speed Racer (Emile Hirsch) é filho de um projetista de carros, conhecido como Pops (John Goodman), e desde cedo se interessa por carros de corridas. Sonha em seguir os passos do irmão mais velho, Rex, detentor dos principais recordes e que tem uma morte cercada de mistérios em uma das duras provas das quais disputou.

Racer demonstra um comportamento compulsivo por velocidade, como é demonstrada em umas das cenas inicias do filme, uma das mais divertidas, aliás, quando ele demonstra desinteresse por uma prova na escola e começa a se imaginar pilotando um carro em alta velocidade.

Atingindo a adolescência, Speed torna-se um piloto competente, como seu irmão e ingressa no mundo da velocidade. Vindo de uma família ligada intimamente com as corridas e tendo um talento nato, o jovem é logo sondado pelo milionário Royalton (Roger Allam), que oferece patrocínio e apresenta sua poderosa indústria.

Recusando a oferta, Speed conhece o lado obscuro das corridas, que envolvem trapaças, dinheiro e tramóias de diversos gêneros. Apoiado por seu pai, mãe (interpretada pela grande Susan Surandon), sua namorada Trixie (Christina Ricci) irmão mais novo Gorducho (Paulie Litt) e sue fiel escudeiro, o macaco Zequinha — dupla que mais de uma vez tomou a cena do filme literalmente, como se fossem os protagonistas — e o amigo da família e mecânico Sparky (Kick Gurry), Speed inicia uma batalha contra a sujeirada que impera nos bastidores das corridas.

Antes de começar a enfrentar os poderosos, os cartolas das pistas, Speed foi procurado por um investigador e por um tal Corredor X (Matthew Fox), que pilota de forma tão competente quanto ele. O pai do rapaz, Pops, se declara contra a ida do filho as essas corridas, para aplicar uma espécie de vingança, mas quando se dá conta que a decisão do filho é irrevogável, ele, junto com sua família, projeta o carro que dará a Speed a precisão que ele precisa nas pistas, o Match 5.

Apesar de não ter nenhum conteúdo profundo, de contestação, essa guerra contra as grandes corporações e manipulação de esportes mostrada no filme é algo atual e que acontece há muitas décadas e não por menos deu origem ao animê em questão. Basta fazer uma simples procura pela internet para se ver um sem número de escândalos envolvendo profissionais de todos os tipos e em diversos esportes.

Mas não é isso o importante no filme. A ação e o divertimento é o que dita as regras no longa. Os irmãos Wachowski são muitos felizes em transpor elementos e utilizar certas artimanhas que trazem uma aproximação incrível do filme com o desenho original. As imagens bidimensionais dos rostos da família de Speed durante as corridas, a trilha sonora que traz músicas iguais ao do desenho, as passagens cartunescas, principalmente as que envolvem Gorducho e Zequinha, além das inimagináveis e surreais pistas de corridas, que trazem os carros com colméias de abelhas, escudos, lanças e outras armas.

Os personagens são todos caricaturais, revelando a preocupação dos diretores em serem ao máximo fiel ao desenho. No entanto, é possível que algumas pessoas estranhem as pistas e os carros dirigidos pelos personagens. Speed é um herói, mas não dotado de super poderes. É uma pessoa comum, com um carro e um talento incomum. E por isso é difícil conceber, para quem se preocupa com detalhes em um filme, que uma pessoa comum consiga quebrar todos os preceitos da física. E aí vai a dica: se atenha ao desenho, a imaginação, não a realidade com a qual convivemos. Afinal, estamos falando sobre um filme extraído de um desenho e não de uma história “baseada em fatos reais”.

Speed Racer é, por fim, um ótimo filme, que atinge seu principal objetivo, que é divertir. Os Wachowski demonstram novamente seu talento. Claro, não há aqui uma obra daquelas que mudaram o rumo do cinema, como foi Matrix, mas há uma obra competente e bem realizada, que traz as telas dos cinemas um dos desenhos mais queridos de todos os tempos e que fará parte dos bons filmes da longa filmografia que a dupla, esperemos, executará.

Há uma curiosidade para o público brasileiro. Há uma escuderia no filme que leva a marca de uma grande empresa nacional, portanto, preste atenção e descubra qual é.

Assistir a Speed Racer é ter uma experiência visual incrível, além de desfrutar de uma agradável história. O ditado diz que a pressa é inimiga da perfeição. Nem sempre é verdade, como prova o filme, então não se preocupe e vá rápido conferi-lo!


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13 de Junho de 2008

Muse no Brasil

Pára tudo!

Fiquei sabendo nesta semana de uma notícia que me fez muito feliz. Ou melhor, feliz até demais.

Li em jornais e sites que o trio inglês Muse confirmou já seu show aqui no Brasil. Uhú!

Fui atrás de mais informações sobre o fato e descobri que na verdade não há nada realmente escrito no site oficial dos caras que confirme a veracidade desta notícia. Mas como foi divulgado até o local e o dia da apresentação, acho difícil ser apenas alguma suposição.

No site do HSBC Brasil, antigo Tom Brasil, há datas de shows praticamente até o final do ano e nada do bendito Muse. Mas para os curiosos, parece que o show será nesta casa e no dia 31 de julho, quinta-feira.

Há datas confirmadas para apresentações na América do Sul, como Chile e Argentina, o que aumenta ainda mais a possibilidade dos caras passarem realmente por aqui.

Enquanto isso vai aguardando mais informações e torcendo para que tudo isso seja verdade. Bom, pelo menos se dependesse de mim e de boa parte dos membros deste site, com certeza eles estariam aqui amanhã.

O vídeo abaixo é de uma das minhas músicas favoritas.

video

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2 de Junho de 2008

O Homem de Ferro

As adaptações de quadrinhos estão ficando cada vez melhores. Os responsáveis pela transposição de HQ’s para o cinema se deram conta de que fórmulas utilizadas em filmes como O Demolidor e Elektra são um erro, pois destroem a imagem dos personagens em quadrinhos e arrasam os fãs do gênero, que esperam em qualidade e criatividade não menos do que lhes é apresentado nas revistas.

Outro problema constante para os profissionais do cinema que se aventuram com adaptações é a fidelidade com que tratam à história e as características dos personagens. Neste quesito, podemos citar o exemplo de Batman, que antes da última adaptação com
Christian Bale no papel do morcego, não havia sido alcançado por nenhum de seus antecessores o grau de obscuridade e aspectos psicológicos como o da atual aventura.

E Homem de Ferro é, partindo das observações acima, um filme competente. Principalmente pela atuação de Robert Downey Jr., que após afundar-se nas drogas e virar notícia pelos embates com a polícia, resolveu tornar-se novamente o centro das atenções trabalhando, e muito bem.

Homem de Ferro foi dirigido por Jon Favreau e roteirizado por Art Marcum, Hawk Ostby, Mark Fergus, e Matt Holloway. O filme narra à história de Tony Stark (Downey Jr.), bilionário responsável por uma indústria bélica — herança de seu pai, fundador da companhia —, figura carimbada nos tablóides e noticiários norte-americanos e que goza de bastante influencia na sociedade. È o típico playboy, preocupado apenas com algazarras, mulheres e dinheiro, sem dar importância ao caos e destruição que as armas da companhia por ele comandada causam, até o momento em que sua vida sofre uma reviravolta.

O filme começa justamente com um ataque ao carro no qual Stark se encontra, no Oriente Médio, local onde ele foi negociar o armamento. Após o rapto, o protagonista é levado a um local isolado, controlado por uma milícia armada justamente com as armas de sua companhia. Depois de dopado e de recobrar sua consciência, Stark se depara com um aparelho em seu peito e logo descobre que sem ele não poderá mais viver. Obrigado a construir um míssel poderoso por ele desenvolvido, Stark encontra apenas uma maneira de fugir dali e assim tem início a trajetória do Homem de Ferro.

Downey Jr. encarna perfeitamente o personagem. O Homem de Ferro é um herói, digamos, um pouco diferente dos outros. Ele ajuda as pessoas somente no momento em que percebe ter feito algo errado. Sua necessidade de sobrevivência aliado a ambição de construir um projeto antigo fez com que Stark se transformasse no Homem de Ferro. Stark e Downey Jr. são parecidos, são pessoas polêmicas, envolvidas em escândalos com a mídia e etc. A escolha do ator foi tão satisfatória quanto inusitada.

A primeira parte do filme se encarrega de mostrar quem é Tony Stark. Em seguida, começa todo o processo de surgimento do Homem de Ferro. Uma das partes mais importantes é a montagem da armadura. Além de algumas passagens cômicas, a cena mostra toda a evolução do projeto, o início da montagem, os testes, ajustes e toda a perfeição que a vestimenta atinge, elucidando de forma bem concreta a evolução do personagem.

Além de Downey Jr., há também as agradáveis atuações de Jeff Bridges e Gwyneth Paltrow, o primeiro como sócio das indústrias Stark, que após algumas reviravoltas se transforma em vilão e a segunda como a fiel escudeira de Tony.

Homem de Ferro é um ótimo filme, é entretenimento do bom. Há no filme conteúdo cômico, de reflexão, com o uso de temas políticos, como nos quadrinhos e que se adequa perfeitamente nos dias atuais — política americana do Big Stick: invasão Iraque, Afeganistão e etc — e, é claro, ação.

Homem de Ferro pode não ser um dos personagens mais famosos dos quadrinhos, comparados a Batman, Super-Homem e Homem-Aranha, mas no cinema, graças à atuação envolvente e bem realizada por Robert Downey Jr., já está entre os melhores. A continuação, que foi adiantada após os créditos finais do filme, com certeza será empolgante, se seguir a mesma linha deste.

Vale a pena conferir a superprodução. Sendo fã ou não de quadrinhos, o filme atende a qualquer pessoa que busca entretenimento e um bom motivo para não se envolver com armas.


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© 2003-2009 Doidos Varridos. Arte por Victor Farat.
Todos os direitos reservados.

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