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2 de Junho de 2008

O Homem de Ferro

As adaptações de quadrinhos estão ficando cada vez melhores. Os responsáveis pela transposição de HQ’s para o cinema se deram conta de que fórmulas utilizadas em filmes como O Demolidor e Elektra são um erro, pois destroem a imagem dos personagens em quadrinhos e arrasam os fãs do gênero, que esperam em qualidade e criatividade não menos do que lhes é apresentado nas revistas.

Outro problema constante para os profissionais do cinema que se aventuram com adaptações é a fidelidade com que tratam à história e as características dos personagens. Neste quesito, podemos citar o exemplo de Batman, que antes da última adaptação com
Christian Bale no papel do morcego, não havia sido alcançado por nenhum de seus antecessores o grau de obscuridade e aspectos psicológicos como o da atual aventura.

E Homem de Ferro é, partindo das observações acima, um filme competente. Principalmente pela atuação de Robert Downey Jr., que após afundar-se nas drogas e virar notícia pelos embates com a polícia, resolveu tornar-se novamente o centro das atenções trabalhando, e muito bem.

Homem de Ferro foi dirigido por Jon Favreau e roteirizado por Art Marcum, Hawk Ostby, Mark Fergus, e Matt Holloway. O filme narra à história de Tony Stark (Downey Jr.), bilionário responsável por uma indústria bélica — herança de seu pai, fundador da companhia —, figura carimbada nos tablóides e noticiários norte-americanos e que goza de bastante influencia na sociedade. È o típico playboy, preocupado apenas com algazarras, mulheres e dinheiro, sem dar importância ao caos e destruição que as armas da companhia por ele comandada causam, até o momento em que sua vida sofre uma reviravolta.

O filme começa justamente com um ataque ao carro no qual Stark se encontra, no Oriente Médio, local onde ele foi negociar o armamento. Após o rapto, o protagonista é levado a um local isolado, controlado por uma milícia armada justamente com as armas de sua companhia. Depois de dopado e de recobrar sua consciência, Stark se depara com um aparelho em seu peito e logo descobre que sem ele não poderá mais viver. Obrigado a construir um míssel poderoso por ele desenvolvido, Stark encontra apenas uma maneira de fugir dali e assim tem início a trajetória do Homem de Ferro.

Downey Jr. encarna perfeitamente o personagem. O Homem de Ferro é um herói, digamos, um pouco diferente dos outros. Ele ajuda as pessoas somente no momento em que percebe ter feito algo errado. Sua necessidade de sobrevivência aliado a ambição de construir um projeto antigo fez com que Stark se transformasse no Homem de Ferro. Stark e Downey Jr. são parecidos, são pessoas polêmicas, envolvidas em escândalos com a mídia e etc. A escolha do ator foi tão satisfatória quanto inusitada.

A primeira parte do filme se encarrega de mostrar quem é Tony Stark. Em seguida, começa todo o processo de surgimento do Homem de Ferro. Uma das partes mais importantes é a montagem da armadura. Além de algumas passagens cômicas, a cena mostra toda a evolução do projeto, o início da montagem, os testes, ajustes e toda a perfeição que a vestimenta atinge, elucidando de forma bem concreta a evolução do personagem.

Além de Downey Jr., há também as agradáveis atuações de Jeff Bridges e Gwyneth Paltrow, o primeiro como sócio das indústrias Stark, que após algumas reviravoltas se transforma em vilão e a segunda como a fiel escudeira de Tony.

Homem de Ferro é um ótimo filme, é entretenimento do bom. Há no filme conteúdo cômico, de reflexão, com o uso de temas políticos, como nos quadrinhos e que se adequa perfeitamente nos dias atuais — política americana do Big Stick: invasão Iraque, Afeganistão e etc — e, é claro, ação.

Homem de Ferro pode não ser um dos personagens mais famosos dos quadrinhos, comparados a Batman, Super-Homem e Homem-Aranha, mas no cinema, graças à atuação envolvente e bem realizada por Robert Downey Jr., já está entre os melhores. A continuação, que foi adiantada após os créditos finais do filme, com certeza será empolgante, se seguir a mesma linha deste.

Vale a pena conferir a superprodução. Sendo fã ou não de quadrinhos, o filme atende a qualquer pessoa que busca entretenimento e um bom motivo para não se envolver com armas.


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