Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Tim Burton é um diretor singular. Sua habilidade em construir filmes irreais, fantasiosos e com leves toques de humor (negro) é sensacional. Além disso, o diretor se destaca pelo visual de seus trabalhos, marca registrada de sua filmografia, e que se vincula intimamente as fábulas por ele criadas.E Sweenwy Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet segue novamente a mesma receita, mas com um ingrediente a mais: trata-se do primeiro musical legitimamente dirigido por Burton. O filme é baseado em um musical homônimo da Broadway, criado por Stephen Sondheim e Hugh Wheeler, adaptado por Christopher Bond. O longa narra a história de Benjamin Barker (Johnny Depp), um homem que viveu em Londres, no século XIX, era degradante e obscura da famosa cidade.
Barker era casado e tinha uma filha pequena. Um dia, enquanto passeava com sua família, foi vítima de uma emboscada armada pelo Juiz Turpin (Alan Rickman), que se encantou com a beleza da esposa de Barker, e por seu escudeiro Bamford (Timothy Spall).
Preso injustamente, exilado por mais de uma década, sem esposa e filha, Barker retorna a Londres com uma aura cinzenta, sedenta por vingança. Entre uma música e outra, já é possível observar o cenário exótico incorporado por Burton e que leva a assinatura de Dante Ferretti: uma Londres sombria e melancólica, que traduz o espírito sofredor de Barker perfeitamente, muito graças à fotografia em preto e branco.
Benjamin retorna a sua antiga casa, onde se depara com Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), que mantinha uma casa de tortas abaixo da sua. Esta reconhece Barker, por quem mantinha uma admiração antiga e resolve lhe ajudar a se estabelecer novamente em seu antigo lar. Ao ter em suas mãos uma navalha guardada pela Mrs. Lovett, Barker assume a figura de Sweeney Todd e começa planejar sua vingança.
Deste ponto em diante está formado o núcleo que conduzirá o filme. Todd abre uma barbearia e busca sua vingança matando as vítimas que lá freqüentam. Os alvos principais são os dois homens que acabaram com sua vida, Bamford e o Juiz Turpin, que ainda mantém a filha de Barker presa sobre seus cuidados.
Assassinando seus clientes, Todd vai se vingando da injustiça que sofreu por parte dos dois homens cruéis e de toda a população que nada fez para ajudá-lo. Mrs. Lovett acoberta a carnificina provocada por Todd e ainda tem, junto com ele, uma idéia macabra: usar a carne das vítimas como recheio de suas tortas, que não agradavam a ninguém. O quitute vira unanimidade entre os londrinos e a fachada da loja ajuda manter a matança de Sweeney. Porém, sua vingança lhe trará conseqüências graves e sua amargura aumentará proporcionalmente ao sangue por ele derramado.
Para contrabalancear a matança, Anthony (Jamie Campbell) e Johanna (Wisener) contracenam um par romântico, mas que não possuem muita relevância na trama, já que seus papéis não foram explorados da forma que poderiam ser.
Sweeney Todd é um filme dinâmico, com boas atuações de Depp (já virou rotina falar isso sobre ele) e Helena Carter. No entanto, como todo experimento (é o primeiro musical de Burton, depois de flertes com a Fantástica Fábrica de Chocolates) sofre com algumas falhas. A primeira é clara: Depp e Carter, apesar de desempenharem bons papéis, não são os atores mais apontados para um musical. Claro, não foram ruins, mas não puderam alcançar a excelência por fugir do escopo deles. Johnny Depp, para quem não sabe, começou sua carreira de artista como músico, tocando em uma banda chamada Kids, ao lado dos músicos Joe Malone e Bruce Witkin e chegaram a abrir shows para os Ramones, Pretenders e Iggy Pop. Além disso, Depp chegou a tocar ao vivo com o Oasis. Mas nada disso o fez alcançar um patamar perfeito para atuar em musical, apesar — reforço — de estar muito bem no papel.
Fora isso, o filme sofre com um outro problema recorrente nos filmes de Burton: a baixa emotividade transferida pelos personagens. O enredo de Sweeney Todd é forte e a carga de emoções sofridas pelo protagonista não conseguem atingir em cheio os expectadores. Quem assiste ao filme é capaz de entra na história e interagir com os personagens, mas não ficar compadecidos com o sofrimento de Todd. O expectador vai querer é sim ver muito sangue. E é exatamente aí que surge o melhor do filme.
A direção de arte é excepcional e não à toa foi vencedora do Oscar 2008 . Além do mais, a parceira entre Burton e Depp, já famosa, se consolida cada vez mais. É clara a química entre o diretor e seu protagonista preferido.
É possível dizer que o longa tem como força motora as parte técnicas. Além da já citada direção de arte, há também a fotografia, figurino, montagem (a cena em que Todd encontra o Juiz é notória).
Tim Burton fez mais um ótimo filme. Sweeney Todd, em seu saldo positivo, pode-se enquadrar em um dos bons musicais produzidos para o cinema. Porém, como uma obra de Tim Burton não pode ser considerada a melhor. E quem viu Ed Wood e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas há de concordar comigo.
Confira Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e quando sair da sala de cinema e for comer alguma coisa procure visitar a cozinha para não ter nenhuma surpresa desagradável.
Marcadores: Cinema




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