Onde os Fracos Não Tem Vez
A violência desnecessária e gratuita que vemos nos dias de hoje apenas demonstra o quanto nos distanciamos dos ideais e valores que formaram nossos ancestrais e que hoje são vistos apenas como uma lembrança pálida na cabeça dos que viveram naqueles tempos.Adaptado do romance de mesmo nome escrito por Cormac McCarthy, Onde os Fracos Não Tem Vez foge do lugar comum e propõe uma reflexão sobre temas como esse utilizando como pano de fundo uma negociação de drogas que deu errado em Junho de 1980 no Oeste do Texas.
O caçador Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra por acaso o local onde tal negociação se desenrolou e em meio a uma série de corpos e rastros de sangue, ele acha uma maleta cheia de dinheiro e decide levá-la para casa. Essa decisão começa a se mostrar totalmente errada quando em meio a uma súbita crise de consciência, ele resolve voltar ao mesmo local e por conta disso, acaba se tornando o alvo principal de uma caçada humana empreendida pelo já "clássico" assassino profissional Anton Chigurh (Javier Bardem).
O violento jogo de gato e rato em que se transforma a perseguição de Chigurh à Llewelyn é pontuado por momentos mais instrospectivos sempre que o xerife local Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) entra em cena para investigar e até mesmo tentar entender o que está por trás da trilha de cadeveres que vai ficando pelo caminho desses dois homens determinados a alcançar seus objetivos, custe o que custar.
Se seguissem a cartilha, os irmãos Joel e Ethan Coen poderiam até ter entregue mais um competente filme policial, mas desde sua abertura com uma belíssima fotografia do Oeste americano acompanhada pela narração lacônica e sentimental do xerife brilhantemente vivido por Tommy Lee Jones, até o seu desfecho anti-climático, fica claro que a história é apenas uma ponte que nos conduz a uma reflexão bem mais profunda, que envolve temas como destino, escolhas, esperança, humanidade e ingenuidade, culminando em um único sentimento de deslocamento que é inerente a todos aqueles que não encontram mais lugar diante da degradação de uma sociedade cada vez mais violenta e sem sentido.
Marcadores: Cinema




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