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16 de Janeiro de 2008

A soma do quadrado dos acordes

"As minhas partituras são sempre simétricas, com pitadas pentatônicas do pentagrama e quem sabe do Pentateuco."

A música matemática de Pitágoras chega em sua etapa mais madura. Neste seu quinto álbum, o mago dos sons matemáticos explora texturas numéricas com escaletas acromáticas impressionantes, e mais uma vez calando os críticos, afirma que os números não são frios, principalmente o dois e o nove, e o quatro também.

Depois de visitar os meandros das contas de mais e de menos, em seus dois últimos trabalhos, Pitágoras resolveu arrojar a buscar inspirações na escala de Fibonacci. Em seu novo compacto, intitulado "1,618", Pitágoras explora ao máximo os mistérios dos números seqüenciais e das proporcionalidades, buscando sempre encontrar padrões entre si.

"Eu já tinha percebido essas coisas todas nas minhas primeiras experiências com as cordas do violão, com o ponto de tensão das harmônicas por exemplo. Brincando com esses pontos de tensão nas cordas, pude dar um acabamento mais serelepe aos tons e semitons, como vocês podem perceber de forma gritante no álbum como um todo."

Os críticos costumam argumentar que a música feita com esse aproach essencialmente matemático perde muito de sua vibe, do feeling original de um som aleatório. Mas Pitágoras continua em seu trabalho incansável. Não por querer provar algo, mas porque simplesmente gosta do que faz.

"A matemática é a única linguagem mundial. Qualquer cultura pode se comunicar da mesma forma através dos números. Se você for pensar, poderíamos nos comunicar até com seres de outro planeta através da linguagem matemática. Aliás, eu tenho certeza que é através da matemática que conseguiremos um dia desvendar todos os mistérios do mundo, então porque não fazer música com ela?"

Se as equações musicais de Pitágoras irão se concretizar, ninguém pode saber, resta a nós apenas ouvir.

Análise Faixa a Faixa

Disco: 1,618

1 – "Triângulo amoroso isósceles"

Está bombando nas baladas da Grécia antiga. A música de trabalho do novo CD é alegre e minimal, porém num compasso dançante, contagiante. A sobreposição de acordes numa escaleta seqüencial gruda na mente que nem chiclete.

2 – Fibonacci

Música mais complexa, e ainda assim totalmente pop. Trata-se de uma estrutura circular, porém não necessariamente esférica. É uma espiral de sons que vai crescendo progressivamente, respeitando certos padrões, todos conectados à seqüência de Fibonacci e à proporção áurea. Um trabalho incrivelmente bonito, muito sonoro. A música não deixa de ser pop pois suas progressões perfeitas de acordes seqüenciais seguem um padrão que agrada ao ouvido de todos, um som realmente pop.

3 – Catetos

Misteriosa e saborosa. Uma sonoridade sombria, onde se tem a impressão de se estar nas bordas de alguma coisa. Destoa um pouco da pegada leve do começo do álbum, mas fecha o CD com tons de gravidade e sobriedade.

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