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7 de Janeiro de 2008

Bobby Montrane

Bobby Montrane, é o novo alquimista do som. Dizer isso parece presunção, ou deslumbramento, quem sabe ingenuidade, mas trata-se da pura verdade. Quando lançou seu mais recente trabalho, o compacto Jazz Fluffy Sounds, Montrane causou reboliços no mundo da música, por sua sonoridade completamente inovadora e virtuosa. Seu sax soava simplesmente inigualável, virtuoso, intangível. Mas ninguém acreditava que ele poderia reproduzir esse som flutuante ao vivo, sem as trucagens de estúdio. Porém ontemMontrane fez história.

O pequeno e afortunado público que esteve presente no Neuville Sound Garden Lounge, viu a história ser escrita, ou ressoada. Em um show intimista, Montrane tirou de seu sax um som realmente flutuante, e que parece piada ao tentar ser descrito. Montrane simplesmente soprou bolhas de sabão com seu sax, bolhas essas que ao explodirem exalavam sons flutuantes. Com um controle impressionante sobre os ritmos das notas que explodiam das bolhas, Montrane realizou um show absoluto, visual e sonoro, inacreditável.

Compenetrado, o músico enfiava o sax em uma bacia com "espuma smooth" (como ele mesmo chama a sua mistura especial que desenvolveu), e retirava o instrumento já sendo soprado em uma nota musical. Um espetáculo no sentido mais primordial da palavra. O simples fato de Montrane conseguir tirar sons de bolhas de sabão já seria notável, quanto mais abraçar notas musicais em bolhas, algo impensável. Mas como se não bastasse, Montrane ainda consegue coloca-las em ritmos sensacionais, realizando uma música linda, bela, tocante.

“Eu tive a idéia quando estava tomando banho em uma tina de água que fica no quintal de minha casa de campo nas encostas das cordilheiras andinas. A paisagem estava cercada de cordilheiras nevadas, mas eu estava totalmente imerso em água caliente. Me senti como em uma bolha separada do ambiente, com uma vibração totalmente diferente da qual a minha visão poderia sugerir. De repente, uma folha seca caiu na água, e formou ondas, que repercutiram por toda a tina, tudo foi extremamente silencioso, movimentos totalmente sem som nenhum, até o vento parecia ter estancado. Mas ao mesmo tempo, aquilo tudo vibrou sons muito fortes dentro da minha alma, e eu pensei comigo mesmo, preciso traduzir isso de alguma forma, todas essas sensações.”

Ao final do show, Montrane soprou um mi maior em uma bolha de um metro de diâmetro que simplesmente fez o publico explodir em êxtase. Montrane é realmente um mago do som.

Análise faixa a faixa

Disco: Jazz Fluffy Sounds

Álbum de apenas uma faixa com 28 minutos.As texturas alcançadas nos primeiros 3 minutos são aprazíveis, entretanto, a partir do quarto minuto, Montrane inicia um passeio por climas mais tensos, bem como densos. Tirando proveito da densidade da água de suas bolhas, Montrane vai construindo fraseados baseados nas ondas.

O campo harmônico, inicialmente fluffy e felpudo, depara-se com um reboliço na metade do tema, e após parafrasear o bebop com incríveis temperos do acid jazz, Montrane entra em harmonias dissonantes, que parecem demasiadamente excêntricas inicialmente, fazendo com que as construções harmônicas anteriores parecessem precárias, quando não o são.

Finalmente, Montrane entra utiliza artimanhas do "downtempo" para arrematar a obra, quase que esmaecendo os climas anteriores, dialogando diametralmente com a bolha final de um metro de diâmetro, que explode e deixa a obra com um sabor molhado, porém crocante.

* Texto do mais novo membro do Doidos, Gui Trucco.

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