O Passado
O passado para muitas pessoas é algo incômodo. Que o diga Rimini, personagem interpretado por Gael Garcia Bernal no filme O Passado, dirigido pelo argentino erradicado no Brasil Hector Babenco.O filme tem origem no romance homônimo do escritor argentino Alan Pauls e narra a história do já citado Rimini e Sofia, que se casaram ainda adolescentes e após mais de uma década de união resolvem se separar. A partir daí, ele tenta recompor sua vida, se envolvendo em novos relacionamentos, mas nunca sem conseguir de vez se desvincular de sua ex-mulher.
O longa flui entre a comédia e melodrama, explicitando através do personagem de Bernal um tipo de homem que se revela fraco, acuado quando o assunto é mulheres. É um tipo irritante (para o público masculino), que sofre demais a cada separação, que não consegue fugir do ciúmes de suas parceiras, nem das chantagens e provocações.
Sofia, sua ex-mulher, sofre de uma obsessão que beira a loucura. Vera, a namorada de Rimini pós-separação possui um ciúme doentio, que acarreta numa das cenas mais curiosas do filme, quando ela revela de forma chocante não tolerar que mulher alguma chegue perto dele, nem mesmo uma menina com cerca de dez anos.
Ele, que é um tradutor-intérprete, começa a ter problemas com sua memória. Casa com Carmem, sua terceira parceira, e é ajudado por ela, já que os problemas com a memória se agravam e ele não consegue mais trabalhar. A fraqueza de Rimini aumenta, pois passa a ser sustentado pela mulher.
Separa-se novamente e após uma confusão não pode mais se aproximar do filho que teve com Carmem. Chega ao fundo do poço, tentando recomeçar novamente sua vida, mas a prisão psicológica e física que Sofia impõe a ele impede seu “vôo para novos ares”.
Babenco, acostumado com filmes de temáticas socias, como Carandiru (2003), Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) e Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981) tornou O Passado num filme consistente, sincero e cativante. Obviamente as atuações de Gael Garcia e Analia Couceyro (Sofia) são grandes vetores para a qualidade do filme. Mas não só. Babenco consegue extrair de ambos os personagens muito realismo, mostrando que Rimini e Sofia são pessoas que convivem conosco todos os dias. Mostra, também, com sagacidade que a separação é uma etapa difícil, mas que pode ser superada (após muito sofrimento, é claro...).
O slogan do filme “a separação também pode ser parte de uma história de amor” sintetiza muito bem o espírito do longa. É um filme suave, mas que faz com que os expectadores reflitam bastante sobre sua própria condição, sobre seus amores e envolvimentos. Babenco realizou um ótimo filme. E fica o recado: se o amor não for suficiente para manter um relacionamento, tenha bastante fotos nas mãos.
Marcadores: Cinema




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