O Brasil do brasileiro
Escritor, cronista, jornalista, dramaturgo. Nelson Rodrigues foi tudo isso e mais um pouco. Grande observador e contador de “causos”, ele ficou conhecido como o maior cronista da literatura nacional, por revelar um Brasil que até então não tinha sido desvendado. Hábil em transforma fatos do cotidiano em estórias surpreendentes, até certo ponto surreais, Nelson Rodrigues elevou a crônica — tipo de texto recusado por muitos escritores, que afirmam não ser ela um gênero literário, devido a sua simplicidade de linguagem — há um patamar tão alto, que muita gente a trata como um gênero brasileiro.
Muito antes da crônica começar a ser ensaiada no Brasil, na Inglaterra e em outros países da Europa ela já era praticada. No entanto, nestes mesmos lugares hoje em dia ela está em declínio, não sendo um gênero forte como é aqui em nosso país. E muito dessa força se deve a Rodrigues.
Bem, a cidade do Rio de Janeiro foi o grande cenário do escritor, que tinha predileções por temas como fidelidade e traição, amores impossíveis, moralidade das famílias, mestiçagem e assuntos corriqueiros do povo urbano. Seus textos são impiedosos, perigosos, e não há inocente que saia ileso após lê-los. Nelson Rodrigues descortinou a vida íntima, o coração, as verdades da alma brasileira, devolvendo em palavras tudo aquilo que todos sabiam acontecer, mas que ninguém falava.
Foi um dos primeiros a escrever sobre homossexualidade, sobre pedofilia e assuntos indigestos para a época. Atacou muitos colegas de profissão através de seus textos. Colocou a figura da mulher em situações constrangedoras, desmistificando o casamento como algo sagrado, eterno e feliz.
Nelson Rodrigues foi polêmico e esteve à frente de seu tempo. Nas décadas de 50, 60 e 70 a imprensa escrita tinha influência e peso muito maior do que nos dias de hoje, o que dava maior poder de impacto aos textos de Nelson. Talvez por esse motivo, e alguns outros, não surja mais um cronista talentoso como ele.
Este ano A FLIP (Festa Literária de Parati) homenageou o escritor, que teve sua obra relançada. Um de seus principais livros, A Vida Como Ela É, que reúne algumas das principais crônicas publicadas em jornais como Última Hora e Diário da Noite, ganhou uma edição de “luxo”, feita pela editora Agir. No livro, contos famosos como Dama da Lotação e Cemitério de Bonecas podem ser conferidos.
Ler Nelson Rodrigues é ver a vida em seu estado cru. É aventurar-se no trivial, no corriqueiro, na rotina, nas manchetes dos jornais, na alma do brasileiro. É uma literatura sincera, chocante e reveladora, mas que diz o que sempre vivenciamos só que dê um jeito único, artístico.
Vale ressaltar que ele também se destacou na dramaturgia, principalmente com a peça Vestido de Noiva, na qual duas mulheres mortas travam um diálogo sobre relacionamentos, vida e morte.
Gostem ou não, Nelson Rodrigues faz parte do hall dos grandes escritores nacionais. O eterno cafajeste, como foi apelidado, gostava de polêmicas, soltando o verbo com frases do tipo: “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente”; ou “outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.”
Se a crônica é um gênero menor do que o romance ou a poesia eu não sei dizer, mas que o talento literário de Nelson Rodrigues está acima de qualquer suspeita, isso sim não há dúvidas. Afinal, somente ele souber dizer realmente como a vida é.
Leia:
Muito antes da crônica começar a ser ensaiada no Brasil, na Inglaterra e em outros países da Europa ela já era praticada. No entanto, nestes mesmos lugares hoje em dia ela está em declínio, não sendo um gênero forte como é aqui em nosso país. E muito dessa força se deve a Rodrigues.
Bem, a cidade do Rio de Janeiro foi o grande cenário do escritor, que tinha predileções por temas como fidelidade e traição, amores impossíveis, moralidade das famílias, mestiçagem e assuntos corriqueiros do povo urbano. Seus textos são impiedosos, perigosos, e não há inocente que saia ileso após lê-los. Nelson Rodrigues descortinou a vida íntima, o coração, as verdades da alma brasileira, devolvendo em palavras tudo aquilo que todos sabiam acontecer, mas que ninguém falava.
Foi um dos primeiros a escrever sobre homossexualidade, sobre pedofilia e assuntos indigestos para a época. Atacou muitos colegas de profissão através de seus textos. Colocou a figura da mulher em situações constrangedoras, desmistificando o casamento como algo sagrado, eterno e feliz.
Nelson Rodrigues foi polêmico e esteve à frente de seu tempo. Nas décadas de 50, 60 e 70 a imprensa escrita tinha influência e peso muito maior do que nos dias de hoje, o que dava maior poder de impacto aos textos de Nelson. Talvez por esse motivo, e alguns outros, não surja mais um cronista talentoso como ele.
Este ano A FLIP (Festa Literária de Parati) homenageou o escritor, que teve sua obra relançada. Um de seus principais livros, A Vida Como Ela É, que reúne algumas das principais crônicas publicadas em jornais como Última Hora e Diário da Noite, ganhou uma edição de “luxo”, feita pela editora Agir. No livro, contos famosos como Dama da Lotação e Cemitério de Bonecas podem ser conferidos.
Ler Nelson Rodrigues é ver a vida em seu estado cru. É aventurar-se no trivial, no corriqueiro, na rotina, nas manchetes dos jornais, na alma do brasileiro. É uma literatura sincera, chocante e reveladora, mas que diz o que sempre vivenciamos só que dê um jeito único, artístico.
Vale ressaltar que ele também se destacou na dramaturgia, principalmente com a peça Vestido de Noiva, na qual duas mulheres mortas travam um diálogo sobre relacionamentos, vida e morte.
Gostem ou não, Nelson Rodrigues faz parte do hall dos grandes escritores nacionais. O eterno cafajeste, como foi apelidado, gostava de polêmicas, soltando o verbo com frases do tipo: “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente”; ou “outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.”
Se a crônica é um gênero menor do que o romance ou a poesia eu não sei dizer, mas que o talento literário de Nelson Rodrigues está acima de qualquer suspeita, isso sim não há dúvidas. Afinal, somente ele souber dizer realmente como a vida é.
Leia:
A Vida Como Ela É: Reunião dos principais contos publicados nas décadas de 50 e 60.
O Homem Proibido: romance escrito por Suzana Flag, pseudônimo criado pelo autor, que conta uma estória de amor envolvendo duas jovens que possuem uma relação de mãe e filha e acabam se apaixonando pelo mesmo homem.
Marcadores: Literatura




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