O Bom do Ócio

O Sociólogo italiano Domenico de Masi, em entrevista ao Programa Roda Viva (99), da TV Cultura, explicou e exemplificou os temas abordados em seu livro o Ócio Criativo. Em suma, o livro trata sobre as relações de trabalho, instauradas pós-revolução industrial e todo o quadro soturno de degradação e exploração, física e intelectual, do trabalhador, apontado possíveis soluções para uma melhoria deste cenário.
Segundo o autor, o modo organizacional das empresas, que fazem com que o trabalho seja uma obrigação — idéia comum na grande maioria das empresas em todo o mundo — está em desacordo com as tendências atuais. Para ele, o tempo livre, o estudo e o trabalho precisam ser uma unidade só, fazendo com que o indivíduo trabalhe, estude, aprenda e se divirta ao mesmo tempo. Trabalhar em casa, reduzir a jornada de trabalho para se dedicar a outras tarefas e concentrar os esforços em produção intelectual são pontos importantes para quem quer vencer nos dias atuais.
De Masi começa explicando as alterações nas relações de trabalho após a Revolução Industrial. Antes, as pessoas trabalhavam em suas casas (no campo, por exemplo), dividindo o trabalho, tarefas domésticas e diversão. Com o advento das fábricas e indústrias, o trabalhador foi afastado de seu lar e “obrigado” a trabalhar na maior parte do tempo. Com isso, o tempo livre, dedicado aos estudos e ao lazer, reduziu-se drasticamente, já que, além da longa jornada de trabalho, o cansaço físico gerado pelas tarefas extenuantes, contribui para o desânimo do trabalhador.
O mundo Ocidental, capitalista, impôs que o trabalho é a principal atividade humana. Feito isso, criaram-se pessoas viciadas em trabalho (workaholic), que dedicam a maior parte de sua vida à labuta. Os trabalhadores, comandos por esse tipo de pessoas, são obrigados a trabalhar em cargas horárias na maioria das vezes desnecessárias. E é neste ponto que De Masi faz sua principal crítica. Para ele a jornada de trabalho poderia ser muito menor, tendo ainda assim o mesmo resultado do que se permanecesse como é. E este tempo extra, poderia ser dedicado ao pensamento, aos estudos, à reflexão, à diversão e tantas outras atividades que contribuem para o crescimento cultural dos seres e para a coleta de informações aplicáveis ao trabalho.
Ele prossegue dizendo que o trabalho intelectual é o futuro do mundo. Com tanta tecnologia, com tanto maquinário, o trabalho braçal tende a diminuir, gerando então uma demanda de trabalho “cerebral”. As artes, as ciências e as atividades teóricas são os campos a serem explorados. Sendo assim, será possível trabalhar em casa, se divertir enquanto se trabalha, ter mais tempo para si e se desgastar menos, o que geraria mais felicidade.
Porém essas mudanças são difíceis, já que o tempo livre, o ócio, é visto como algo para quem não gosta de trabalhar, para vagabundos. Ócio, no ponto de vista de Domenico, é o tempo dedicado aos estudos ao descanso e aprendizado mental, e não ao banditismo, a vagabundagem e a baderna.
Os burocratas são uma das principais classes que não compartilham com as idéias de De Masi, como o mesmo afirma na entrevista. Este grupo, tão conservador, possui ainda a mentalidade da Época industrial. Rotina, tarefas fixas, ação ao invés do pensamento, carga horária fixa e estipulada de modo cronométrico, é o que defende o tecnocrata, que não se preocupa com o bem estar e humano dos trabalhadores. A este importa o PIB (Produto Interno Bruto) e não o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Esse tipo de pensamento só sugere que as desigualdades sociais prevaleçam.
Apesar desse quadro preocupante, Domenico de Masi se mostra confiante. Especialmente com relação ao Brasil. Durante a entrevista ele lembra (coisa que poucos brasileiros sabem ou fingem não saber) que o Brasil tem uma cultura artística riquíssima, estudiosos de ponta, e que só faltam investimentos em pesquisa científica.
Ele ressalta também que os países ricos vivem hoje do trabalho mental, ao contrário dos países pobres. O Brasil situa-se em campo intermediário (nação emergente).
Por fim, Domenico de Masi explica que a cooperação de quem ostenta a informação, fonte de poder, é essencial para a construção de uma sociedade melhor. Ele exemplifica falando sobre a cidade Fortaleza, que se, cada universitário de lá ensinasse cinco, dez crianças analfabetas ou semi-analfabetas a ler e a escrever, a falta de educação poderia ser extinta.
Domenico de Masi nos fornece uma teoria agradável, coerente, que prima pela qualidade de vida dos indivíduos. Pena é que a grande parcela corporativa não dá atenção a isso. O mundo é um campo de fértil de aprendizado e prazer, mas tornou-se um campo estéril de trabalho forçado.
Leia: O Ócio Criativo, Domenico de Masi
Veja: Roda Viva, com Domenico de Masi. O DVD está a venda no site da TV Cultura.
Segundo o autor, o modo organizacional das empresas, que fazem com que o trabalho seja uma obrigação — idéia comum na grande maioria das empresas em todo o mundo — está em desacordo com as tendências atuais. Para ele, o tempo livre, o estudo e o trabalho precisam ser uma unidade só, fazendo com que o indivíduo trabalhe, estude, aprenda e se divirta ao mesmo tempo. Trabalhar em casa, reduzir a jornada de trabalho para se dedicar a outras tarefas e concentrar os esforços em produção intelectual são pontos importantes para quem quer vencer nos dias atuais.
De Masi começa explicando as alterações nas relações de trabalho após a Revolução Industrial. Antes, as pessoas trabalhavam em suas casas (no campo, por exemplo), dividindo o trabalho, tarefas domésticas e diversão. Com o advento das fábricas e indústrias, o trabalhador foi afastado de seu lar e “obrigado” a trabalhar na maior parte do tempo. Com isso, o tempo livre, dedicado aos estudos e ao lazer, reduziu-se drasticamente, já que, além da longa jornada de trabalho, o cansaço físico gerado pelas tarefas extenuantes, contribui para o desânimo do trabalhador.
O mundo Ocidental, capitalista, impôs que o trabalho é a principal atividade humana. Feito isso, criaram-se pessoas viciadas em trabalho (workaholic), que dedicam a maior parte de sua vida à labuta. Os trabalhadores, comandos por esse tipo de pessoas, são obrigados a trabalhar em cargas horárias na maioria das vezes desnecessárias. E é neste ponto que De Masi faz sua principal crítica. Para ele a jornada de trabalho poderia ser muito menor, tendo ainda assim o mesmo resultado do que se permanecesse como é. E este tempo extra, poderia ser dedicado ao pensamento, aos estudos, à reflexão, à diversão e tantas outras atividades que contribuem para o crescimento cultural dos seres e para a coleta de informações aplicáveis ao trabalho.
Ele prossegue dizendo que o trabalho intelectual é o futuro do mundo. Com tanta tecnologia, com tanto maquinário, o trabalho braçal tende a diminuir, gerando então uma demanda de trabalho “cerebral”. As artes, as ciências e as atividades teóricas são os campos a serem explorados. Sendo assim, será possível trabalhar em casa, se divertir enquanto se trabalha, ter mais tempo para si e se desgastar menos, o que geraria mais felicidade.
Porém essas mudanças são difíceis, já que o tempo livre, o ócio, é visto como algo para quem não gosta de trabalhar, para vagabundos. Ócio, no ponto de vista de Domenico, é o tempo dedicado aos estudos ao descanso e aprendizado mental, e não ao banditismo, a vagabundagem e a baderna.
Os burocratas são uma das principais classes que não compartilham com as idéias de De Masi, como o mesmo afirma na entrevista. Este grupo, tão conservador, possui ainda a mentalidade da Época industrial. Rotina, tarefas fixas, ação ao invés do pensamento, carga horária fixa e estipulada de modo cronométrico, é o que defende o tecnocrata, que não se preocupa com o bem estar e humano dos trabalhadores. A este importa o PIB (Produto Interno Bruto) e não o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Esse tipo de pensamento só sugere que as desigualdades sociais prevaleçam.
Apesar desse quadro preocupante, Domenico de Masi se mostra confiante. Especialmente com relação ao Brasil. Durante a entrevista ele lembra (coisa que poucos brasileiros sabem ou fingem não saber) que o Brasil tem uma cultura artística riquíssima, estudiosos de ponta, e que só faltam investimentos em pesquisa científica.
Ele ressalta também que os países ricos vivem hoje do trabalho mental, ao contrário dos países pobres. O Brasil situa-se em campo intermediário (nação emergente).
Por fim, Domenico de Masi explica que a cooperação de quem ostenta a informação, fonte de poder, é essencial para a construção de uma sociedade melhor. Ele exemplifica falando sobre a cidade Fortaleza, que se, cada universitário de lá ensinasse cinco, dez crianças analfabetas ou semi-analfabetas a ler e a escrever, a falta de educação poderia ser extinta.
Domenico de Masi nos fornece uma teoria agradável, coerente, que prima pela qualidade de vida dos indivíduos. Pena é que a grande parcela corporativa não dá atenção a isso. O mundo é um campo de fértil de aprendizado e prazer, mas tornou-se um campo estéril de trabalho forçado.
Leia: O Ócio Criativo, Domenico de Masi
Veja: Roda Viva, com Domenico de Masi. O DVD está a venda no site da TV Cultura.
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