A Revolução dos Bichos

Bichos da Inglaterra e da Irlanda,
Daqui, dali, de acolá,
Escutai a alvissareira
Novidade que virá.
Mais hoje, mais amanhã,
O Tirano vem ao chão,
E os campos da Inglaterra
Só os bichos pisarão.
Para quem nunca leu ou não se lembra, este é o início de Hino dos Bichos, cantado pelas personagens do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell.
Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Nascido em 1903, na Índia, passou a maior parte da sua vida na Inglaterra. Morreu em Londres, no ano de 1950, acometido por uma tuberculose, estando numa situação deplorável, miserável.
E é exatamente por este motivo, somados a outros, que seu livro deve ser lembrado e ovacionado. Não é à toa que é considerado um best seller. O grande problema é que o livro, na época de sua publicação — 1945 —, foi utilizado como instrumento político (claro, o livro é altamente politizado) contrário ao pensamento de seu escritor.
Em Revolução dos Bichos, um grupo de animais, comando pelos porcos, os mais inteligente da granja, expulsam seu dono, o alcoólatra Senhor Jones. Cansados de ser explorados, os bichos, com o poder nas mãos, tomam conta da granja, criando novas leis, regras, dividindo o serviço entre todos e compartilhando os mesmos benefícios, e é claro, não fazendo nada que os humanos faziam.
Cada animal — porco, cavalo, gato, rato, burro e etc — é uma alegoria de um ser humano. Possuem características psicológicas idênticas a certos tipos de indivíduos, fazendo com que nós, leitores, possamos percorrer o caminho contrário: ao invés de ligarmos um bicho a algúem, ligamos alguém ao bicho, do modo que este é descrito por Orwell. È um exercício legal.
Deixando as brincadeiras de lado, continuemos com o livro. Os bichos, motivados pelos discurssos do porco Bola de Neve, se revoltam contra o tirano Senhor Jones e assumem o controle da granja. Feito isso começam a criar regras, Mandamentos, e a mudar a rotina do lugar.
Como não eram suficientemente preparados para desenvolverem todas as atividades do lugar, começam a sentir problemas para plantar, construir muros e trincheiras (os homens poderiam voltar a qualquer momento!) e etc.
Esse despreparo começa a distanciar certos grupos de animais, que se enxergam melhores por saberem elaborar, pensar e principalmente liderar (na base da demagogia) alguns planos.
A maioria dos animais é semi ou completamente analfabeta, sendo incapazes de descobrir ou questionar o que estava acontecendo. A comida fica escassa, não a mais aulas para todos, um pequeno grupo não trabalha mais e... pronto! Está armado o estopim para uma revolta dos já revoltosos bichos. Muitos querem mudar, outros, alienandos como são, acreditam estar tudo bem.
O ponto principal é: o poder obtido mediante a revolta, por um grupo de pessoas (animais, no caso) despreparados, apoiados apenas em ideais formentados por discurssos, é benéfico?
Em Revolução dos Bichos fica claro que pode não ser. As alegorias retratam o quadro social da época em que viveu Orwell. O Senhor Jones pode ser comparado aos Czares russos. Os porcos, ao grupos comunistas que inflamavam as massas até o ponto de estourar uma Revolução. Os outros bichos, no geral, são a massa.
O fato é que o livro foi utilizado pelos americanos (como sempre...) como propaganda anti-comunismo, na época da Guerra Fria — o termo Guerra Fria é atribuído à Orwell.
Ele se definia como um socialista de convicções profundamente democráticas. Seu livro pode ser considerado um ataque ao poder totalitário, enganador, mas não um planfleto contra o socialismo ou comunismo. O escritor, em algum momento, deve ter tido algum desgosto contra alguém em quem acreditava, mas não contra o movimento em que acreditava.
Fato melancólico, tão quão sua morte, este desvio de sentido que deram ao seu livro. O governo americano fez até um desenho do livro para atacar o comunismo, mas o final foi modificado... (Não falarei como é o final, óbvio).
Mas por estes e tantos outros motivos, Revoluçao dos Bichos é leitura obrigatória para quem gosta de polêmica. E para encerrar nada melhor do que uma frase do livro para reflexão: Todos animais são iguais, mas alguns são mais parecidos que os outros.
Seu nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Nascido em 1903, na Índia, passou a maior parte da sua vida na Inglaterra. Morreu em Londres, no ano de 1950, acometido por uma tuberculose, estando numa situação deplorável, miserável.
E é exatamente por este motivo, somados a outros, que seu livro deve ser lembrado e ovacionado. Não é à toa que é considerado um best seller. O grande problema é que o livro, na época de sua publicação — 1945 —, foi utilizado como instrumento político (claro, o livro é altamente politizado) contrário ao pensamento de seu escritor.
Em Revolução dos Bichos, um grupo de animais, comando pelos porcos, os mais inteligente da granja, expulsam seu dono, o alcoólatra Senhor Jones. Cansados de ser explorados, os bichos, com o poder nas mãos, tomam conta da granja, criando novas leis, regras, dividindo o serviço entre todos e compartilhando os mesmos benefícios, e é claro, não fazendo nada que os humanos faziam.
Cada animal — porco, cavalo, gato, rato, burro e etc — é uma alegoria de um ser humano. Possuem características psicológicas idênticas a certos tipos de indivíduos, fazendo com que nós, leitores, possamos percorrer o caminho contrário: ao invés de ligarmos um bicho a algúem, ligamos alguém ao bicho, do modo que este é descrito por Orwell. È um exercício legal.
Deixando as brincadeiras de lado, continuemos com o livro. Os bichos, motivados pelos discurssos do porco Bola de Neve, se revoltam contra o tirano Senhor Jones e assumem o controle da granja. Feito isso começam a criar regras, Mandamentos, e a mudar a rotina do lugar.
Como não eram suficientemente preparados para desenvolverem todas as atividades do lugar, começam a sentir problemas para plantar, construir muros e trincheiras (os homens poderiam voltar a qualquer momento!) e etc.
Esse despreparo começa a distanciar certos grupos de animais, que se enxergam melhores por saberem elaborar, pensar e principalmente liderar (na base da demagogia) alguns planos.
A maioria dos animais é semi ou completamente analfabeta, sendo incapazes de descobrir ou questionar o que estava acontecendo. A comida fica escassa, não a mais aulas para todos, um pequeno grupo não trabalha mais e... pronto! Está armado o estopim para uma revolta dos já revoltosos bichos. Muitos querem mudar, outros, alienandos como são, acreditam estar tudo bem.
O ponto principal é: o poder obtido mediante a revolta, por um grupo de pessoas (animais, no caso) despreparados, apoiados apenas em ideais formentados por discurssos, é benéfico?
Em Revolução dos Bichos fica claro que pode não ser. As alegorias retratam o quadro social da época em que viveu Orwell. O Senhor Jones pode ser comparado aos Czares russos. Os porcos, ao grupos comunistas que inflamavam as massas até o ponto de estourar uma Revolução. Os outros bichos, no geral, são a massa.
O fato é que o livro foi utilizado pelos americanos (como sempre...) como propaganda anti-comunismo, na época da Guerra Fria — o termo Guerra Fria é atribuído à Orwell.
Ele se definia como um socialista de convicções profundamente democráticas. Seu livro pode ser considerado um ataque ao poder totalitário, enganador, mas não um planfleto contra o socialismo ou comunismo. O escritor, em algum momento, deve ter tido algum desgosto contra alguém em quem acreditava, mas não contra o movimento em que acreditava.
Fato melancólico, tão quão sua morte, este desvio de sentido que deram ao seu livro. O governo americano fez até um desenho do livro para atacar o comunismo, mas o final foi modificado... (Não falarei como é o final, óbvio).
Mas por estes e tantos outros motivos, Revoluçao dos Bichos é leitura obrigatória para quem gosta de polêmica. E para encerrar nada melhor do que uma frase do livro para reflexão: Todos animais são iguais, mas alguns são mais parecidos que os outros.
Marcadores: Literatura, Livros




1 Comentários:
O livro, além de ser uma obra prima, é extremamente atual. A ignorância da massa, (principalmente no Brasil) é tratada de maneira eficaz e a desordem coletiva, quando se trata da detenção do poder, retrata o que acontece no mundo de hoje, onde guerras são travadas por um ideal, ou falso ideal. E quando se obtém o que se quer, é mais uma guerra para que tudo não seja corrompido pela ganância.
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