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8 de Janeiro de 2007

A Grande Final


Restrito ao circuito alternativo e com estréia marcada para o dia 19/01, A Grande Final (La Gran Finale, Espanha /Alemanha, 2006) é um filme curioso. Tecnicamente é simples, divertido, mas vai um pouco além do trivial. Gerardo Olivares, diretor, escolheu a final da Copa do Mundo de 2002 para mostrar de uma forma bem humorada a dificuldade do acesso à informação para certos grupos étnicos e o impacto do futebol nos lugares mais austeros do mundo.

Não há praticamente nenhuma semelhança entre uma tribo indígena Amazônica, uma tribo nômade que perambula pelas planícies inóspitas da Mongólia e um grupo de negros no deserto de Niger, a não ser o desejo de acompanhar uma partida de futebol entre Alemanha e Brasil, partida esta que foi acompanhada por bilhões de pessoas.

Cada grupo encontra uma saída para conseguir acompanhar a grandiosa final da Copa. E durante esta aventura, as personagens constroem momentos divertidos, sutis, mas divertidos. Na Floresta Amazônica, ao som de Ari Barroso, quatro índios fazem o impossível para conseguir sinal para a velha televisão. Na Mongólia, os nômades procuram uma rede elétrica para ligarem o aparelho e no deserto o desafio é arrumar uma antena (a televisão é ligada na bateria de um caminhão). Até aí, nada demais, tudo muito “sem graça”. Mas é justamente aí que começa o divertimento. Pessoas tão diferentes, em lugares tão longínquos, criando soluções “alternativas” para assistirem uma partida de futebol é algo que chama a atenção.

Mas a partida, em si, não possui muita importância para o filme. O primordial é observar como o futebol une culturas tão distintas, como os valores destas estão sendo escamoteados pela cultura de massa (e o futebol é, sim, um meio de massificação) e como, ainda hoje, em um mundo globalizado, há comunidades isoladas, ou melhor, quase isoladas.

O humor fica por conta também das rivalidades geradas dentro dos próprios grupos, entre torcedores da Alemanha e do Brasil e da velha e conhecida (o velho clichê) briga entre homens e mulheres, já que elas não conseguem entender essa fixação religiosa por um jogo.

A Grande Final é, por fim, um filme simples, mas que vale a pena ser visto. Seu objetivo principal é entreter. No entanto demonstra que as culturas mais antigas do mundo estão perdendo sua particularidade e entrando, de modo gradual, no universo da cultura de massa. Basta relevar a cena de um dos índios dizendo a seus companheiros que possui uma camiseta original da Nike. Isso enquanto caçam.... Sinais dos novos tempos.

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