A Conquista da Honra

Poucos ousam questionar a importância e talento do ator, diretor e produtor Clint Eastwood. Ainda mais os que acompanham rigorosamente seus trabalhos. Clint parece ter encontrado uma fórmula para realizar filmes dignos de salas lotadas por todo o mundo e de elogios por todas as partes. Abordando temas delicados como estupro, eutanásia e guerra, o cineasta, desde 2003, vem realizando verdadeiras obras-primas.
Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, EUA, 2003), que contava em seu elenco com nomes como Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins, é um dos grandes filmes de Clint. O filme relata um fato ocorrido durante a infância dos três amigos: um deles sofreu abuso sexual. O fato teve desdobramentos quando os três já eram adultos. Tema delicado, mas tratado com maestria pelo diretor. Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004), que além do próprio Eastwood, conta com Morgan Freeman e Hilary Swank no elenco, narra a trajetória de uma boxeadora, os preconceitos que ela superou para se tornar profissional e o drama que passa após um acidente no ringue e o dilema que surge sobre a eutanásia. Não foi à toa o vencedor do Oscar de Melhor filme e melhor diretor, entre outros.
Agora o diretor nos presenteia com outro grande filme: A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, EUA, 2006), com previsão de estréia aqui no Brasil em fevereiro próximo. O filme, que tem como produtor Steven Spielberg, fala sobre a cruel batalha do Pacífico, na Ilha de Iwo Jima, entre japoneses e norte-americanos. Mas o filme não parte do convencional. Seu ponto de partida é a famosa foto dos seis soldados fincando a bandeira do EUA em uma montanha da ilha. No filme, a guerra é relatada e desmistificada através dos três soldados sobreviventes que ajudaram a hastear a bandeira, seus pontos de vistas, suas emoções e tudo o que ocorreu por causa da tal foto.
A Conquista da Honra é baseado no best-seller Flags of Our fathers, escrito por James Bradley e Ron Powers. Bradley é filho de um dos três soldados que estava na foto, John “Doc” Bradley, que pertencia ao corpo médico da Marinha estadunidense. A foto tirada por Joe Rosenthal, da Associated Press, é uma das imagens mais marcantes do século XX. Não pelas características técnicas e artísticas da teoria fotográfica, mas pela repercussão política e pelos mitos criados em torno dela. E é justamente em cima destes aspectos que Clint conduz o filme. O longa-metragem intercala cenas que mostram os três combatentes excursionando pelo país como heróis para arrecadar bônus de guerra e toda polêmica que surgiu em torno da foto e faz digressões dos combatentes nos momentos mais insanos e horrendos do combate.
John Doc Bradley (Ryan Phillippe), René Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach), Michael Strank, Harlon Block e Franklin Sousley são os seis combatentes que estão na foto. Destes, os três últimos foram mortos em combate. O filme circunda os aspectos psicológicos e emocionais de John, René e Ira, como cada um reage à supervalorização em torno da fotografia e as mentiras criadas para se arrecadar fundos para a guerra. A primeira polêmica é gerada quando René troca um dos nomes dos combatentes que estavam verdadeiramente na foto (na imagem não aparece o rosto de nenhum). Depois, a mídia questiona se a foto foi ou não encenada. Logo surge a história de que aquela bandeira hasteada na foto era, na realidade, uma substituta de uma outra que já havia sido levantada por outros soldados. E por fim, a parte mais relevante: o governo utilizou aquela imagem para mostrar uma vitória norte-americana, que decerto ocorreu, mas que custou milhares de vidas. Enquanto o país saudava os três combatentes, seus amigos já haviam morrido e muitos outros ainda se sacrificavam sem saber ao certo o porquê.
Sim, é um filme ousado. Primeiro pelas proporções do longa, o número de pessoas envolvidas e por toda a recriação da batalha. Segundo por tocar num tema interessante, principalmente no EUA, que é o impacto da mídia sobre as guerras (afinal eles adoram uma, não é?) e a questão do “herói”. Herói é aquele que mata por uma nação, que assassina sem saber exatamente o motivo? Herói é aquele se sacrifica por seu país ou por seus amigos? Como é citado no filme: “Heróis são criados pelo fato de precisarmos deles”. Os americanos adoram criar e cativar heróis (lembre-se que o Superman, o Homem Aranha, entre outros, são criações dos americanos) para se mostrarem superiores e para ajudar a montar uma imagem de vencedores, mesmo que isso não esteja acontecendo (Vietnã, por exemplo).
A Conquista da Honra é muito feliz quando aponta que os soldados podem até lutar pelo seu país, mas morrem pelos seus amigos, pelos combatentes que estão ao seu lado. È mais feliz ainda quando Ira, um dos combatentes, diz não suportar ser tratado como herói pelo simples motivo de só ter evitado não ter sido morto. Fora isso é impressionante o realismo do combate, as explosões, a câmera frenética transitando entre tanques de guerra, aviões, navios e corpos. É impressionante.
E Clint não para por aí. A ousadia é maior. Ele e Spielberg rodaram um outro filme, que contará o lado japonês do combate, Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima), todo falado na língua do Sol Nascente. É ousado, pois será a mesma história, no mesmo tempo e espaço, o que necessitará de atenção redobrada para não causar distorções entre um e outro.
Clint Eastwood continua preciso como os revólveres que empunhava no Velho Oeste. Mais um belo disparo.
Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, EUA, 2003), que contava em seu elenco com nomes como Sean Penn, Kevin Bacon e Tim Robbins, é um dos grandes filmes de Clint. O filme relata um fato ocorrido durante a infância dos três amigos: um deles sofreu abuso sexual. O fato teve desdobramentos quando os três já eram adultos. Tema delicado, mas tratado com maestria pelo diretor. Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004), que além do próprio Eastwood, conta com Morgan Freeman e Hilary Swank no elenco, narra a trajetória de uma boxeadora, os preconceitos que ela superou para se tornar profissional e o drama que passa após um acidente no ringue e o dilema que surge sobre a eutanásia. Não foi à toa o vencedor do Oscar de Melhor filme e melhor diretor, entre outros.
Agora o diretor nos presenteia com outro grande filme: A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, EUA, 2006), com previsão de estréia aqui no Brasil em fevereiro próximo. O filme, que tem como produtor Steven Spielberg, fala sobre a cruel batalha do Pacífico, na Ilha de Iwo Jima, entre japoneses e norte-americanos. Mas o filme não parte do convencional. Seu ponto de partida é a famosa foto dos seis soldados fincando a bandeira do EUA em uma montanha da ilha. No filme, a guerra é relatada e desmistificada através dos três soldados sobreviventes que ajudaram a hastear a bandeira, seus pontos de vistas, suas emoções e tudo o que ocorreu por causa da tal foto.
A Conquista da Honra é baseado no best-seller Flags of Our fathers, escrito por James Bradley e Ron Powers. Bradley é filho de um dos três soldados que estava na foto, John “Doc” Bradley, que pertencia ao corpo médico da Marinha estadunidense. A foto tirada por Joe Rosenthal, da Associated Press, é uma das imagens mais marcantes do século XX. Não pelas características técnicas e artísticas da teoria fotográfica, mas pela repercussão política e pelos mitos criados em torno dela. E é justamente em cima destes aspectos que Clint conduz o filme. O longa-metragem intercala cenas que mostram os três combatentes excursionando pelo país como heróis para arrecadar bônus de guerra e toda polêmica que surgiu em torno da foto e faz digressões dos combatentes nos momentos mais insanos e horrendos do combate.
John Doc Bradley (Ryan Phillippe), René Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (Adam Beach), Michael Strank, Harlon Block e Franklin Sousley são os seis combatentes que estão na foto. Destes, os três últimos foram mortos em combate. O filme circunda os aspectos psicológicos e emocionais de John, René e Ira, como cada um reage à supervalorização em torno da fotografia e as mentiras criadas para se arrecadar fundos para a guerra. A primeira polêmica é gerada quando René troca um dos nomes dos combatentes que estavam verdadeiramente na foto (na imagem não aparece o rosto de nenhum). Depois, a mídia questiona se a foto foi ou não encenada. Logo surge a história de que aquela bandeira hasteada na foto era, na realidade, uma substituta de uma outra que já havia sido levantada por outros soldados. E por fim, a parte mais relevante: o governo utilizou aquela imagem para mostrar uma vitória norte-americana, que decerto ocorreu, mas que custou milhares de vidas. Enquanto o país saudava os três combatentes, seus amigos já haviam morrido e muitos outros ainda se sacrificavam sem saber ao certo o porquê.
Sim, é um filme ousado. Primeiro pelas proporções do longa, o número de pessoas envolvidas e por toda a recriação da batalha. Segundo por tocar num tema interessante, principalmente no EUA, que é o impacto da mídia sobre as guerras (afinal eles adoram uma, não é?) e a questão do “herói”. Herói é aquele que mata por uma nação, que assassina sem saber exatamente o motivo? Herói é aquele se sacrifica por seu país ou por seus amigos? Como é citado no filme: “Heróis são criados pelo fato de precisarmos deles”. Os americanos adoram criar e cativar heróis (lembre-se que o Superman, o Homem Aranha, entre outros, são criações dos americanos) para se mostrarem superiores e para ajudar a montar uma imagem de vencedores, mesmo que isso não esteja acontecendo (Vietnã, por exemplo).
A Conquista da Honra é muito feliz quando aponta que os soldados podem até lutar pelo seu país, mas morrem pelos seus amigos, pelos combatentes que estão ao seu lado. È mais feliz ainda quando Ira, um dos combatentes, diz não suportar ser tratado como herói pelo simples motivo de só ter evitado não ter sido morto. Fora isso é impressionante o realismo do combate, as explosões, a câmera frenética transitando entre tanques de guerra, aviões, navios e corpos. É impressionante.
E Clint não para por aí. A ousadia é maior. Ele e Spielberg rodaram um outro filme, que contará o lado japonês do combate, Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima), todo falado na língua do Sol Nascente. É ousado, pois será a mesma história, no mesmo tempo e espaço, o que necessitará de atenção redobrada para não causar distorções entre um e outro.
Clint Eastwood continua preciso como os revólveres que empunhava no Velho Oeste. Mais um belo disparo.
Marcadores: Cinema




0 Comentários:
Postar um comentário
<< Home