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15 de Dezembro de 2006

O Tigre e a Neve


Depois do sucesso vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, A Vida é Bela (La Vita è Bella, Itália, 1997), Benigni atua e dirige outro surpreendente filme, O Tigre e a Neve (La Tigre e la Neve, Itália, 2005).

Attilio de Giovanni (Benigni) é poeta e professor universitário na cidade de Roma, na Itália. É um verdadeiro sonhador, de espírito livre, otimista e de um bom humor incrível. Com um perfil destes, Attilio não poderia se de outro jeito: é estabanado, esquecido e romântico. Seu grande desafio: conquistar Vittoria (Nicoletta Braschi), mulher pela qual nutre um amor arrebatador e que fará de tudo para ser correspondido.

A história se passa no ano de 2003. O mundo estava tenso com a eminente guerra no Iraque. Na universidade onde o poeta lecionava os ânimos dos alunos já estavam acirrados. Nesta época, Vittoria, que também era do meio literário, estava escrevendo um livro sobre um poeta iraquiano, Fuad (Jean Reno). Este passou por Roma para algumas palestras e, logo que estourou o conflito em seu país, retornou para lá. Querendo finalizar seu livro, Vittoria resolve, para infelicidade de Attilio, ir para Bagdá acompanhar Fuad.

Mas uma ligação no meio de uma madrugada de Fuad para Attilio, muda o destino de todos: Vittoria levou um tiro na cabeça, e encontrava-se em estado crítico. Attilio resolve então viajar o mais breve possível para ajudar sua amada. Após fazer de tudo para salvar Vittoria, Attilio é preso confundido pelos soldados americanos e preso por engano.

O filme tem todos os ingredientes de um grande romance. Mas é uma comédia (estamos falando de Roberto Benigni!) com momentos de romantismo, drama e críticas, de modo cômico, à guerra.

O filme é instigante. Primeiramente pelo tom humorado do “casal” Attilio e Vittoria. Ele, na ânsia de conseguir tê-la, a persegue pelas ruas de Roma, realizando cenas divertidíssimas. Ademais, Attilio é delicado e divertido, o que demonstra em cenas com suas duas filhas, por exemplo.

Somado a isso, a trama é bem montada, toda a narrativa, desde a tentativa de conquista de Attilio até o desfecho pós-viagem. É uma daquelas histórias envolventes, intrigantes e que com sutileza emocionam e agradam os expectadores.

Benigni é um grande profissional. Neste filme ele atuou, dirigiu e escreveu o roteiro em parceria com Vicenzo Cerami. Ele nos dá cenas e de raro valor. Uma delas muito divertida é uma cena em que leva Vittoria, de modo inesperado, ao seu apartamento. O seu modo desastrado de agir é impagável. Algumas pessoas reclamam, apesar de ressaltarem seu talento, que Benigi é muito exagerado, como disse um senhor no cinema, é muito palhaço. Realmente, em certas partes de o Tigre e a Neve, parece ser impossível manter um senso de humor como o de Attilio em meio a tantas coisas negativas. Mas que bom seria o mundo se houvesse muitos Attilios! Ele consegue tornar a vida mais suportável e como ele mesmo disse: “até para sofrer é preciso ser feliz”.

Mas as cenas mais “ricas” do filme ocorrem no Iraque. Apesar de uma comédia, o filme tem seu momento de reflexão quanto ao conflito e sobre até onde pode o amor levar um homem.

Uma das cenas de destaque é no hospital onde estava Vittoria. Havia muitas moscas no lugar e Attilio, ao encontrar um mata-moscas, declara ter encontrado uma arma de “destruição em massa”. Outra acontece no meio deserto quando a moto dele para por falta de gasolina e ele exclama: “eu sem gasolina no Iraque, que ironia...”.

Mas a frase que pode causar mais impacto nos expectadores não foi dita pelo personagem de Benigni, mas pelo poeta iraquiano Fuad ao interrogá-lo: “Você sabe por que existem as guerras? Porque o mundo surgiu sem os homens e acabará sem eles”.

Não deixem de ver esse grande filme!

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