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8 de Dezembro de 2006

John Lennon

No dia 8 de Dezembro de 1980 minha mãe estava sentada em frente a tv, ela assistia atentamente ao noticiário e não se virou quando a chamei, então, fui em sua direção e vi que lágrimas rolavam pelo seu rosto.

Eu, na inocência dos meus 5 anos, perguntei a ela o que tinha acontecido, se ela estava machucada ou se alguém tinha brigado com ela, afinal de contas, até então minha mãe nunca havia chorado na minha frente e eu não conseguia pensar em outra coisa que pudesse fazê-la se sentir assim.

Ao ver minha aflição ela se virou p/ mim e com a voz embargada e com o rosto marcado pelas lágrimas, me disse que estava tudo bem e que na verdade ela só estava muito triste porque um moço chamado John Lennon tinha morrido.

Fiquei mais tranquilo, pois minha mãe não estava machucada e nem doente, mas ainda continuava confuso e quis saber de onde ela conhecia esse moço p/ ficar tão triste assim com sua morte.

Foi ai que ela começou a me explicar, com aquela paciência típica das mães, que ele foi um músico que fez parte do grupo de rock/pop mais importante de todos os tempos, os Beatles, e que enquanto ele fez parte desse grupo foi responsável por escrever algumas das músicas mais marcantes da nossa história, ajudando a mudar p/ sempre a cara da música que viria a ser feita depois deles.

Ela continuou falando e me disse que depois de um tempo esse grupo se separou e que o moço da tv começou a tocar sozinho e que continuava a escrever músicas lindas, mas além disso, ela me falou que ele também lutava pelos direitos civis, pelo fim da guerra, pelo fim do preconceito contra as mulheres, pela paz e por um mundo melhor e mais justo.

Ainda não entendia o significado de algumas dessas palavras, mas estava hipnotizado pela história que minha mãe contava, sobre aquele moço que ainda foi perseguido pelo governo por causa de suas opinões, que desistiu da música p/ cuidar de seu filho e que havia acabado de gravar um disco novo quando foi morto a tiros por um desequilibrado.

A história da minha mãe acabava ali, bem no dia em que aquele moço havia morrido e enquanto suas lágrimas secavam, o noticiário caminhava p/ o seu fim ao som de Imagine e de um clipe daquele moço andando por um parque ao lado de sua esposa.

Vinte e seis anos se passaram desde aquele dia e o garotinho de 5 anos se transformou em um homem que com o passar do tempo descobriu a importância que esse moço teve na música e principalmente em sua vida, pois se não fosse por ele e pelos Beatles, provavelmente hoje não existiria esse cara que escreve aqui no Doidos Varridos de forma tão apaixonada.

Agitador, contraditorio, polêmico, revolucionário, visionário, drogado, louco ou genial. Cada um tem uma opinião diferente sobre ele, mas independente dessas opiniões, acho que eu só posso dizer obrigado por tudo John Winston Lennon.

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2 Comentários:

Anonymous Ozznofa disse...

Bom,eu tenho 14 anos,meu pai tem 60 e minha mãe tem 51.Meu pai há +/- 3 décadas atrás era perseguido pelo governo nos tempos da Dura-dita.Minha madrinha é amiga de uma cineasta(prefiro deixar no anonimato)que foi perseguida,pela tal dita acima,tal qual seu antigo marido que realmente foi torturado.Bom,-entre outros-eu sempre vivi em torno de pessoas que batalhavam pela libertação social/cultural quanto as mais diversas formas de censura.Como se não bastasse,eu vivi todo esse meu início de vida no centre de cultura de Belo-Horizonte(capital MG).Eu tenho exatamente 47 anos 9 meses e 21 dias de distância quanto á era das revoluções da atualidade.Por mais estranho que seja,mesmo vivendo épocas de rock teen-emo-gótico eu tenho uma relação como de vivência quanto a essa época.Os motivos podem ser os mais sinceros como "sua mãe deve ter ouvido esse tipo de música na gestação" a até "experiencias de vidas passadas".Como se já não bastassem todas essas peculiaridades,eu tenho amigos intelectuais-revolucionários-depressivos-pouco compenetrdos-irados entre outros.Independente de toda conversa melhor estilo "Freud explica" o que eu quero falar é que eu MORRO DE INVEJA DE VOCÊS QUE VIVERAM NESSA ÉPOCA.Bom,ao mais:Parabéns pelo blog e pelos que aqui escrevem,pessoas que tem idéias e sabem ao que elas compreendem.Gerais:Mai e-maiul:ozznofa@oi.com.br

24 de Setembro de 2007 22:07  
Anonymous Anônimo disse...

Olá, sou Eliana estudante de Letras e estou defendendo uma tese sobre o Impacto da mídia na vida de John Lennon, e como a própria o consumiu transformando-o de herói em vilão, e não está sendo nada fácil encontrar material sobre ele nesse sentido.
Mas é inegável a contribuição dele para com o mundo e como ele se importava com a humanidade.
O que o motivava a se preocupar tanto com a paz se poderia perfeitamente ficar em casa; em seu eterno bed inn com sua esposa (que também foi achincalhada pela mídia,sem que ao menos a conhecessem melhor, nunca lhe deram uma chance só a julgaram como destruidora de lares e pronto, mas ela o fez feliz por muitos anos eles se amavam parecia um jeito louco, mas quem é normal? ele morreu nos braços dela, como numa mistura de sonho, pesadelo, tragédia, arte que se mistura com a vida.
Mas temos que reconhecer que as canções mais comoventes e mais imortais dele são da fase John\Yoko), então como estava dizendo ele poderia apertar a tecla DANE-SE e simplesmente curtir a vida, o dinheiro que a fama lhe dera, mas não o fez, não ficou de braços cruzados; lutou contra guerras, injustiças sócio-político- religiosas-culturais,e as discriminações em todos os sentidos, e suas músicas ainda estão aí para que alguém continue o que ele iniciou. Sempre ouvi Beatles, sempre amei, mas ainda muito jovem, ouvia pelo ritmo, mais tarde, comecei a perceber a sonoridade, a energia, e adulta sabendo traduzir me entreguei (calma, não sou anciã, tenho 32 anos ainda), Quando ouvi Give peace a chance, entendi aquele mantra na hora e até hoje quando ouço tenho a impressão de que ele está nos chamando, loucura minha, mas parece que vejo John Lennon levantando e dizendo cammon everybody......pedindo união entre as religiões se Deus é um só, ele está chamando e eu tenho vontade de seguir essa sensação, canto o mais alto que posso......meu marido acha que sou louca.. ....mas é minha contribuição, e agora quero muito encerrar essa tese com louvor,sou um grão de areia perto da imensidão que ele ainda é, mas a contribuição dele para o mundo vale o desafio.
O que está me enlouquecendo é o fato de estar deveras difícil encontrar algum material veiculado no Brasil que tenha se referido à ele de forma negativa, nenhum dos jornais e revistas de suma importância daqui de SP, aceitam passar uma informação se você não assinar o periódico, e no momento não estou podendo.....Enfim, assim que conseguir volto a dar notícias.
Muito obrigada por vocês, gente jovem ainda manterem vivo em arte, música e poesia esse Gênio do século XX que como todo gênio que nós conhecemos foi mal compreendido, injustiçado e assassinado...é muita coincidência?

19 de Maio de 2008 00:28  

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